Capa do livro Batismo de Sangue

Batismo de Sangue

Guerrilha e Morte de Carlos Marighella

Autor: frei betto

Preço: R$ 39,50

416 pp. | 12x19.5 cm

ISBN: 85-325-2061-8

Assuntos: BIOGRAFIA/MEMÓRIAS/DIÁRIOS

Selo: Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 25,50

E-ISBN: 978-85-8122-512-8

Um dos mais tocantes e importantes relatos sobre os horrores da ditadura militar, Batismo de sangue chega à sua 14ª edição acrescido de informações novas e relevantes. Frei Betto, o autor deste documento histórico, compartilha suas descobertas recentes sobre as circunstâncias da morte de Carlos Marighella, líder da Ação Libertadora Nacional (ALN) assassinado em 1969. Fica ainda mais forte a tese de que aquele crime fora planejado de modo a não apenas eliminar o maior inimigo do regime militar, mas também jogar a esquerda contra os frades dominicanos, enfraquecendo a oposição à ditadura. Do dia para a noite, os religiosos passaram de colaboradores da guerrilha a traidores, graças a uma farsa muito bem tecida pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops). É o que diz Frei Betto nesta que ele atesta ser a versão definitiva de sua obra, vencedora do Prêmio Jabuti de melhor livro de memórias de 1982.

Um dos eixos mais fascinantes de Batismo de sangue é a história de como os frades da Ordem dos Dominicanos davam apoio logístico à ALN. Numa época em que marxismo era também sinônimo de ateísmo, a população não poderia sequer sonhar com a hipótese de que os inimigos do regime encontravam apoio naqueles insuspeitos religiosos católicos. Pois os frades escondiam guerrilheiros, facilitavam sua fuga para fora do país, cuidavam dos feridos, guardavam suas armas e material considerado subversivo, e ainda faziam o levantamento de potenciais áreas para a guerrilha rural. Como conciliar fé cristã com ação política revolucionária? Esta é uma das questões que Frei Betto elucida neste livro.

Frei Ivo e Frei Fernando, frades que colaboravam com a ALN, foram presos, torturados, demonizados como terroristas e, por fim, usados pelo Deops para fazer com que toda a sociedade se voltasse contra os dominicanos – enquanto a direita e a população ficavam estarrecidas com a participação dos religiosos na luta contra a ditadura.

Também colabora para a importância de Batismo de sangue a denúncia dos métodos de tortura utilizados pela polícia naquela época. Frei Fernando e Frei Ivo, por exemplo, foram terrivelmente torturados até dizer o que o Deops já sabia: como chegar a Marighella. Mas o caso de Frei Tito talvez seja o mais impressionante, triste e revoltante. Diversas vezes torturado até o limite de suas forças, o frade conseguiu se manter calado mesmo sob a notória crueldade do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Seus torturadores - inclusive militares do II Exército, em São Paulo - não o mataram nem conseguiram fazê-lo falar, mas o enlouqueceram: Frei Tito cometeu suicídio no exílio, em 1974.

Em 2007, Batismo de sangue chegará aos cinemas num filme homônimo dirigido por Helvécio Ratton, tendo o ator Daniel de Oliveira no papel de Frei Betto.

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O AUTOR

Frei Betto é considerado uma das vozes mais ativas na luta pela justiça social na América Latina. Escritor consagrado, vencedor de dois prêmios Jabuti, tem mais de cinquenta livros publicados no Brasil e no exterior, que refletem sua trajetória como militante político e talentoso ficcionista.

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