Capa do livro Crime

Crime

Autor: irvine welsh

Tradução: Paulo Reis E Sérgio Moraes Rego

Preço: R$ 39,50

416 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2673-1

Assuntos: FICÇÃO – ROMANCE/NOVELA

Selo: Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 25,50

E-ISBN: 978-85-8122-406-0

Raymond Lennox tinha certeza de que estava entrando numa área de turbulência. E Trudi, sua bela e esguia noiva, cabelo cortado à altura dos ombros, ignorava o seu desconforto. Enquanto ele viajava apertado, naquele assento da classe econômica, num voo de férias em direção a Miami Beach, sua mente parecia lhe preparar uma armadilha. Dentro em pouco, apesar da insistência de seu chefe de que descansasse e planejasse o casamento com sua bela parceira, ele se lembraria mais uma vez, obsessivamente, do assassinato da pequena Britney Hamil, um complicado caso ocorrido em Edimburgo, na Escócia. É neste clima, beirando a obsessão, que se constrói a trama de Crime, o novo livro do romancista escocês Irvine Welsh, conhecido desde Trainspotting, que deu origem ao polêmico filme de Danny Boyle.

A trama, conduzida com a maestria de quem sempre dominou temas inquietantes, faz referências às obras anteriores, mas apresenta um Welsh ainda mais senhor de sua prosa, explorando com maestria o contraste entre a beleza solar da Flórida e o seu submundo. Drogas, sexo e violência aparecem em cidades diferentes como Miami e Edimburgo e são desenhados com precisão, através das ações e pensamentos de Lennox, o policial deprimido, quase um anti-herói, incapaz de lidar com o cotidiano e com o relacionamento em crise com a noiva.

A ação se passa em dois tempos, convidando o leitor a acessar as memórias e pensamentos de Lennox. Há, na construção do romance, a reconstituição de um crime no passado, feito através das lembranças do que ocorreu em Edimburgo. E nesta recordação emergem personagens marcantes como Angela, a mãe desequilibrada da pequena Britney, vítima de pedofilia. Mas é no momento presente, em Miami, que se percebe o quanto Raymond Lennox se esforça para se reconstruir, o quanto seus vícios e medos ainda o dominam e também a fragilidade das suas relações pessoais como, por exemplo, a amizade do policial Ginger e sua esposa Dolores.

Welsh também não perde no novo livro o tom escatológico e a ironia encontrados em Pornô, por exemplo, outro trabalho relevante do conjunto de seus romances. A cena do cachorro sendo engolido por um jacaré é descrita com crueldade e humor, mas ao mesmo tempo esconde conteúdos simbólicos. Mas é a construção da psicologia de Raymond, um homem essencialmente atormentado por si mesmo, o trunfo que conquista o leitor ao longo das páginas. Ao mesmo tempo que o personagem é capaz de empenhar todo o seu talento de policial e investigador para desbaratar uma rede de pedofilia, ele também guarda a sete chaves um segredo perturbador.

Em Crime, Irvine Welsh compõe um romance em que o ritmo eletrizante anda surpreendentemente de mãos dadas com a sobriedade com que toca em questões delicadas. E mostra que a violência, ora praticada, ora recebida, borra no íntimo de cada um a linha entre as boas e as más intenções.

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O AUTOR

Humor e ironia causticamente refinados. Eis as marcas de Irvine Welsh, aclamado (e controverso) autor de romances, contos, peças e roteiros. Antes de ser escritor, foi técnico de TV, cantor e guitarrista de bandas obscuras de punk rock, e especulador imobiliário. Em 1993, publicou seu primeiro romance,Trainspotting, sobre o submundo dos jovens britânicos viciados em heroína. Sucesso de público e crítica, o livro ganhou as telas em 1996, pelas mãos do diretor Danny Boyle. Natural de Edimburgo, Escócia, Welsh afirma ter nascido em 1958. Outras fontes, porém, citam 1961, e mesmo 1951 — polêmica irrelevante. O que importa é o talento narrativo que o consagrou como um dos mais brilhantes autores britânicos surgidos nos anos 1990.

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MÍDIA

Crime
Matéria publicada no Estado de S. Paulo

Crime
Resenha Revista Playboy