Capa do livro A Natureza do Escorpião

A Natureza do Escorpião

Autor: rosiska darcy de oliveira

Preço: R$ 28,00

200 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-2007-3

Assuntos: FICÇÃO – CONTO, ASSUNTOS CONTEMPORÂNEOS

Selo: Rocco

Na fábula que inspirou o título do livro, o escorpião prefere o suicídio a lutar contra a sua natureza destrutiva. Empenhada em demonstrar que a nossa realidade é muito semelhante a esse ser cruel e inconseqüente, Rosiska Darcy de Oliveira reuniu, nesta obra, uma seleção especial de crônicas, algumas inéditas e outras previamente publicadas. No entanto, mais do que identificar a natureza do escorpião em nosso cotidiano, a autora prova que é possível, sim, encontrar antídotos para o veneno que corrói a nossa civilidade.

Nos 56 textos que compõem A natureza do escorpião, Rosiska confirma por que é uma das vozes mais respeitadas do país. A escritora e ensaísta propõe discussões sobre a sociedade e seu desejo incansável de status, a violência, a educação e nosso papel como cidadãos. Além disso, nos presenteia com histórias sobre a sua infância, o tempo em que viveu no exílio, os primeiros passos na literatura, as viagens que fez, delineando os caminhos que fizeram dela uma das mais representativas militantes feministas da atualidade.

Para Rosiska, cuja descoberta do movimento feminista foi como encontrar uma nova cidadania, uma identidade legítima, à sociedade contemporânea falta a necessidade de transcender os padrões de comportamento atuais. Se por um lado hoje não é possível colocar tarja preta sobre assunto algum – da interrupção voluntária da gravidez ao direito de morrer no momento em que se decidir –, por outro, não há um projeto político ou algo que dê às pessoas a sensação de pertencimento a um destino comum.

O irreversível processo de alargamento da liberdade moral, do direito e da capacidade de cada um de deliberar sobre a própria vida, acabou por privar a sociedade de um certo senso de comunidade e nos tornar cúmplices no desrespeito a toda e qualquer norma, por menor que ela seja. Do motorista de ônibus que não pára no ponto quando um idoso faz sinal, aos políticos que estão mais preocupados em atacar adversários do que em garantir a seus eleitores a qualidade de vida que eles merecem, precisam e pagam para ter.

A escritora questiona o consumismo, o conformismo e a valorização excessiva da beleza e da juventude na sociedade atual, que acaba por deformar os valores e a auto-estima de muitas mulheres. Rosiska nos lembra que a contracultura de hoje começa na decisão individual de restabelecer a própria dignidade, em não aceitar a resposta de que a segurança é um problema difícil e que para o narcotráfico não há solução. Não é o caso de apontar culpados, mas é necessário demarcar responsabilidades porque assim se ataca a indiferença.

Rosiska vem cumprindo, na cultura brasileira, um papel de antena, captando e anunciando o que é decisivo para desmistificar o mundo anacrônico em que vivemos, movido pelo dinheiro e corrompido por falsas promessas de felicidade. Já foi assim em seus livros anteriores, O elogio da diferença, A dama e o unicórnio, Outono de ouro e sangue e Reengenharia do tempo. Confirmando a marca de pensadora humanista, Rosiska busca, nos santos protetores Chico Buarque, Maria Bethânia, Baden Powel e Vinicius de Moraes, na "infância que não tem cura", na imaginação e na incansável capacidade de sonhar dos homens, o antídoto ao veneno de nosso tempo.

Sobre o livro:

O livro de Rosiska Darcy de Oliveira inaugura um estilo na literatura brasileira. Empenhada em demonstrar que o mundo em que estamos vivendo prefere se suicidar a renunciar a sua própria crueldade, Rosiska coloca o sabor da crônica a serviço da profundidade ensaística e descobre, no nosso cotidiano, a natureza do escorpião.

O escorpião da fábula desfere uma ferroada no sapo que o ajudava a atravessar o rio. Perplexo, o sapo lhe pergunta por que matá-lo, se morreriam juntos. Porque é da minha natureza, responde aridamente o escorpião.

Por que uma economia baseada em capital que dispensa o trabalho, se os excluídos se transformarão fatalmente em violência e ameaça? Por que a guerra em nome da paz, a irracionalidade travestida em racionalidade?

Rosiska vem cumprindo na cultura brasileira um papel de antena, captando e anunciando o que é decisivo em uma época e que a contemporaneidade torna invisível. Já foi assim em seus livros anteriores, O elogio da diferença, A dama e o unicórnio, Outono de ouro e sangue e Reengenharia do tempo.

Em A natureza do escorpião ela enfrenta a ruptura de paradigmas fundadores como território, família, trabalho, sexualidade, nascimento e morte, além da mais desafiadora ruptura: a que se instala em nossas relações conosco mesmos, exigindo de cada um a autoria de si e de sua própria vida. "Sem bússola é grande o risco da perdição. Maior, no entanto, a possibilidade de conhecer a liberdade."

Atenta aos paradoxos de nosso tempo, neste livro Rosiska tempera na justa medida erudição, cosmopolitismo e uma opulenta experiência de vida feita de aventuras e convivência com pessoas notáveis. De Mário Pedrosa a Jean Piaget, com uma escala à mesa de bilhar de Alexander Calder, ela convoca o testemunho de pensadores insólitos como Ivan Illich, André Gorz e Serge Moscovici, que corroboram sua tese sobre a natureza do escorpião.

Essa densidade de registros redunda em uma escrita original, híbrida dos itinerários de quem foi jornalista, acadêmica, militante feminista, exilada, carnavalesca. É invulgar seu domínio da língua para transpor e manifestar todas essas vivências.

A natureza do escorpião é também flagrada nas calçadas do Leblon, onde uma mendiga gorda acolhe nos braços uma jovem esquálida, semimorta de fome e exaustão, mais uma vítima das dietas, "pietá a la Almodóvar", no dizer irônico da autora.

Confirmando a marca de pensadora humanista, em cujo texto "a defesa dos territórios sitiados da esperança" é um tema recorrente, Rosiska busca o antídoto ao veneno de nosso tempo. Nos santos protetores do Rio, Chico Buarque, Maria Bethânia, Baden Powel, Vinicius de Moraes. Na "infância, que não tem cura". E nos rituais de celebração que ponteiam seu calendário festivo, da páscoa ao carnaval.

Carmem L. Oliveira é autora de Flores raras e banalíssimas

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O AUTOR

Rosiska Darcy de Oliveira, escritora e ensaísta, é membro da Academia Brasileira de Letras. Seus primeiros livros, Le Féminin Ambigu e La Culture des Femmes, publicados durante o exílio, exprimem sua participação no emergente movimento internacional de mulheres. Elogio da diferença e Reengenharia do tempo dão continuidade a sua obra ensaística sobre o feminino. A dama e o unicórnio, Outono de ouro e sangue, A natureza do escorpião, Chão de terra, Baile de máscaras e Pássaro louco exprimem sua vocação de cronista. Colunista da página de Opinião de O Globo, a Rocco publica sua obra no Brasil.

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