Capa do livro O Cinema Pensa

O Cinema Pensa

Uma Introdução à Filosofia Através dos Filmes

Autor: julio cabrera

Tradução: Ryta Vinagre

Preço: R$ 56,00

400 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-2023-5

Assuntos: FILOSOFIA

Selo: Rocco

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Disponível em e-book

Preço: R$ 29,50

E-ISBN: 978-85-81221-06-9

Para Julio Cabrera, grandes diretores de cinema como Ingmar Bergman, Alain Resnais, Stanley Kubrick ou mesmo Steven Spielberg não são apenas cineastas, são filósofos. No livro O cinema pensa, o autor defende sua teoria de que os filmes, mais do que experiências estéticas ou produtos de lazer para as massas, são conceitos-imagem, ferramentas poderosas para a exposição e a discussão de questões caras à humanidade. Seguindo esse raciocínio, Cabrera discute Roman Polanski com base em Santo Tomás de Aquino, compara Michelangelo Antonioni a Descartes, analisa Wim Wenders sob a ótica de Hegel e estabelece um paralelo entre Nietzsche e Oliver Stone, por exemplo.

Uma coisa é um filósofo escrever um tratado sobre o crescente aumento da vigilância e da militarização na sociedade moderna; outra, bem diferente, é o cineasta Terry Gillian realizar Brazil, o filme, em que ele projeta o quão insuportável seria viver num país onde não houvesse liberdade, privacidade nem individualidade. Cabrera acredita que os conceitos-imagem do cinema têm um alcance muito maior e um efeito bem mais imediato que os conceitos-idéia dos filósofos tradicionais. Mas o autor não cai na armadilha de usar os filmes para ilustrar as teorias dos grandes pensadores. Ele dá igual tratamento a filósofos e cineastas, sem preconceitos.

Cada capítulo do livro é dedicado a um tema, analisado sob o ponto de vista de um grande filósofo e de três ou quatro filmes consagrados. O capítulo 5, por exemplo, chama-se "Descartes e os fotógrafos indiscretos (A dúvida e o problema do conhecimento)". No ensaio, Cabrera lembra que o filósofo francês aconselhava as pessoas a questionar todo o conhecimento herdado da família, dos professores e dos livros, partindo do princípio de que tudo pode ser diferente do que parece ser ou do que dizem ser, incentivando cada um a chegar às suas próprias conclusões a respeito de todas as coisas. Expostas as idéias de Descartes, o autor reflete sobre o filme Blow-up – Depois daquele beijo, de Michelangelo Antonioni, protagonizado por um fotógrafo que é levado a duvidar de tudo o que parece real e a considerar tudo o que parece irreal. Já o fotógrafo de Janela indiscreta, de Alfred Hitchcock, ignora os princípios cartesianos para conseguir capturar um assassino.

Cabrera discute o valor da vida com base em Schopenhauer, Luis Buñuel e Frank Capra. Para falar da relação entre política e pensamento, ele invoca Karl Marx, Costa-Gavras e o Oliver Stone de JFK – A pergunta que não quer calar. As fragilidades da cadeia casual são expostas através da análise de filmes como Pulp fiction – Tempo de violência, de Quentin Tarantino, e Não matarás, de Krystof Kieslowski, em contraposição às teorias de Locke e Hume. Kant dialoga com o Peter Weir de Sociedade dos poetas mortos e o Fred Zinnemann de O homem que não vendeu sua alma, quando o assunto é liberdade. Hegel joga luz sobre os conceitos-imagem de Paris, Texas, de Wim Wenders, Império do Sol, de Steven Spielberg, O turista acidental, de Lawrence Kasdan, e Hiroshima meu amor, de Alain Resnais. Cabrera também disseca os filmes de Clint Eastwood, Lindsay Anderson, Ridley Scott, Ingmar Bergman, Frank Darabont, Roman Polanski e tantos outros, além de discutir o pensamento de Nietzsche, Heidegger, Wittgenstein, Bacon, Aristóteles, Platão e Sartre.

Se a filosofia se deixa atingir por tudo o que o homem faz e se ela se redefiniu com o surgimento do mito, da religião, da ciência, da política e da tecnologia, por que não seria assim com a arte e, mais especificamente, a arte cinematográfica? Com O cinema pensa, Cabrera insere a filosofia na cultura contemporânea para discutir temas universais sob uma ótica atual.

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O AUTOR

Julio Cabrera nasceu em Córdoba, na Argentina, e é naturalizado brasileiro. Estudou na Universidade de Córdoba, nos anos 60. Já era doutor em filosofia quando, em 1979, foi contratado pela Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, como professor visitante, para dar um curso de lógica modal no mestrado. Tempos depois, ele passaria a integrar o quadro permanente da instituição. Publicou seus primeiros livros nos anos 80. Foi no final da década que ele se transferiu para a Universidade de Brasília, onde permanece. Publicou artigos não apenas no Brasil e na Argentina, mas também em Portugal, EUA, México, Espanha e Holanda. Hoje é mencionado em livros e analisado em artigos e dissertações.

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