Capa do livro Acqua Toffana

Acqua Toffana

Autor: patrícia melo

Preço: R$ 24,50

152 pp. | 13x20 cm

ISBN: 9788532524911

Assuntos: FICÇÃO – ROMANCE/NOVELA, FICÇÃO NACIONAL

Selo: Rocco

Disponível em e-book

Preço: R$ 16,00

E-ISBN: 978-85-64126-24-4

Acqua toffana é um veneno da Renascença. “É líquido, transparente, sem sabor e sem cheiro. Uma gota por semana faz a pessoa morrer em dois anos. Causa dores de cabeça, enjoos, náuseas.” A explicação está no livro de estreia de Patrícia Melo, lançado em 1994, que ganhou justamente o nome da poção mortífera. Nele, duas novelas desenrolam-se como o itinerário caprichoso da morte lenta, planejada como uma arte ou desenhada como delírio.

No labirinto narrativo de Acqua toffana, afinal, nada é o que parece ser. O ritmo ágil da prosa de Patrícia, entrecortado e construído em primeira pessoa, ludibria o leitor, fazendo cair uma cortina atrás da outra, e revelando uma natureza sombria na qual o impulso assassino fica entre a patologia e a luxúria.

Na primeira história, a protagonista, de nome desconhecido, tenta convencer um delegado de que seu marido é o assassino que estuprou e estrangulou várias mulheres no bairro paulistano da Lapa. Na segunda, o metódico funcionário de um cartório passa a ser atormentado pela presença de uma vizinha, e desenvolve um plano para matá-la.

Em ambas, desfilam tipos tão banais quanto esquisitos. Em contraste com psicopatas, sádicos e maníacos, há a senhorinha de cabelo acaju, a vizinha e vítima da segunda novela, que irrita o protagonista com seus chinelos de pano, suas unhas lascadas e sua coleção de sacos de supermercado. Há a descrição satirizada da decadência do casamento; há a onipresença de uma tela de TV, vomitando sinopses de filmes e noticiários sensacionalistas. Mas há, sobretudo, o elemento-surpresa: aquele que atribui ainda mais requinte ao já sofisticado universo de assassinos-artesões.

“No Brasil, um crime só merece atenção se for uma obra de arte. Queremos os canibais, os perversos, os hiperviolentos, os científicos. Queremos os melhores”, diz a protagonista da primeira novela. Pois Acqua toffana trata não do criminoso corriqueiro das esquinas, e sim dos assassinos sofisticados que se escondem em tipos familiares — e que, por isso mesmo, conseguem dedicar-se com afinco aos seus métodos e à sua frieza.

Como que munida de aparato cinematográfico, com suas câmeras e mesas de edição, Patrícia Melo trabalha enquadramentos que embaralham, a todo instante, as diferentes versões para cada trajetória de violência. Ao mesmo tempo, a sensação de estar dentro da mente de um psicopata é despistada por um humor ácido e ágil — uma das características mais marcantes da autora.

A reedição de Acqua toffana, ao lado de O matador, marca a chegada de Patrícia Melo à Rocco. A editora vai relançar, com novo projeto gráfico, todos os livros da autora.

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O AUTOR

Ágil como uma facada. Tensa como incita o corte. Violenta qual o acaso. Assim é a narrativa de Patrícia Melo, nome de destaque da ficção nacional. Com humor corrosivo, personagens ricos e tramas de fluidez cinematográfica, Patrícia dedica sua verve a tratar sobre a morte — ora espetáculo, ora banal — e sobre a violência em suas várias facetas.

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