Capa do livro Meu Pescoço é um Horror

Meu Pescoço é um Horror

Autor: nora ephron

Tradução: Lia Wyler

Preço: R$ 26,50

132 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2147-7

Assuntos: CRÔNICA

Selo: Rocco

Depois do sucesso da literatura feminina conhecida como chick lit, protagonizada por jovens mulheres - e seus elegantíssimos pares de sapato Manolo Blahnick - em busca de um lugar ao sol e de alguém com quem dividir os sonhos, o mercado literário agora começa e explorar outro tipo de literatura contemporânea voltada para o público feminino: a lady lit. As tramas continuam repletas de humor, sofisticação e vivacidade, mas as protagonistas da lady lit, como a própria tradução das palavras sugere (literatura de madame), já passaram dos 50 anos e têm muito mais histórias para contar. A Editora Rocco saiu na frente nesta corrida selecionando para o mercado brasileiro o que de melhor vem sendo feito para este público que já não tem mais 30 anos, e nem por isso deixou de ter dúvidas sobre a carreira, o amor, a família ou que roupa usar num primeiro encontro. 


Depois de A idade secreta, da espanhola Eugenia Rico, é a vez da cultuada diretora e roteirista norte-americana Nora Ephron mostrar sua sagacidade e bom humor em ensaios inspirados sobre o universo feminino reunidos no livro Meu pescoço é um horror - e outros papos de mulher. Assim que foi lançado nos Estados Unidos, Meu pescoço é um horror assumiu o primeiro lugar na lista dos mais vendidos do jornal New York Times, e há mais de cinco meses continua no páreo, concorrendo com pesos-pesados como Barack Obama, o político norte-americano reconhecido como a nova estrela do Partido Democrata; o ex-presidente do EUA, Jimmy Carter; o jornalista Bob Woodward (State of Denial); o colunista John Grogan (Marley & eu); e escritor John Grisham, com o seu primeiro livro de não-ficção, O inocente - lançado no Brasil pela Rocco. Com um texto delicioso, confessional, Nora Ephron fala sobre tudo que as mulheres não cansam de discutir: homens, culinária, moda, manutenção (tinturas de cabelo, depilação, cirurgias plásticas e tratamentos antiidade), vista cansada, maternidade e morte, mas com o olhar sofisticado de uma diretora de cinema nova-iorquina acostumada a encontrar graça até nas menores coisas. 


É dela o roteiro de Harry & Sally - feitos um para o outro, considerada por público e crítica a melhor comédia-romântica de todos os tempos, e que foi diretamente responsável pela revitalização do gênero. Assim como em seus filmes, o charme deste livro está nos parênteses, os assuntos que a escritora aborda enquanto filosofa - no melhor dos sentidos - sobre as agruras e alegrias de ser mulher. A eterna luta para deter o tempo é o fio condutor da maioria dos ensaios e o mais importante de tudo: Nora Ephron não é mais uma daquelas escritoras que acha o máximo ser sábia e madura, ela preferia mil vezes ter 26 anos e poder usar biquíni o tempo todo e não ter que se preocupar em usar blusas de gola alta para esconder o pescoço de galinha que adquiriu com o passar dos anos. As observações da escritora são hilariantes. 


Quer saber por que as mulheres de 50 e de 60 estão muito melhores agora dos que as que tinham estas idades décadas atrás? Para Nora Ephron, as tinturas de cabelo são as verdadeiras responsáveis por essa evolução. Tem um capítulo composto apenas por frases curtas que representam o que ela aprendeu ao longo dos anos como, por exemplo, “os últimos quatro anos de análise são um desperdício de dinheiro” e “você pode repetir uma sobremesa”. Ela nos conta sobre as conversas imaginárias que gostava de ter com chefs americanos famosos e sobre suas inclinações políticas. Fala sobre a relação apaixonada que mantinha com um apartamento no famoso edifício Apthorp, na esquina da Broadway com a rua 69 - aqui testemunhamos o eterno dilema dos nova-iorquinos com o mercado imobiliário, uma relação de amor e ódio - e sobre os livros que não cansa de ler. Há um capítulo especialmente escandaloso no livro: o affair que teve com o presidente John F. Kennedy. Na verdade, ela não teve caso algum com ele, mas trabalhou na Casa Branca enquanto ele foi presidente dos EUA e podia perfeitamente bem ter sido amante dele - esta história é muito boa. É claro que não podia faltar o amor que ela sente por Nova York. 


A diretora e roteirista já fez desta cidade sua personagem principal inúmeras vezes no cinema e, ao longo deste livro, discursa sobre o quanto ama viver em Nova York; uma cidade que nunca dorme e onde qualquer coisa está ao alcance de um telefonema. Guardadas as devidas proporções, Nora é uma espécie de Woody Allen de saias. É a Carrie Bradshaw (a adorável personagem de Sarah Jessica Parker no seriado Sex & The City) trinta anos mais velha, mas igualmente fresh e encantadora. Intercalando ironia e honestidade, Nora Ephron divide conosco os altos e baixos pelos quais passam as mulheres que estão envelhecendo. E por “mulheres que estão envelhecendo” ela está se referindo a todas as mulheres; das que têm vinte e poucos anos às que insistem em dizer que têm apenas 60, mesmo que já tenham completado esta idade há alguns anos - como é o caso dela própria. Meu pescoço é um horror é literatura feminina de primeira qualidade. No último capítulo, ela faz um comovente relato sobre a morte e os amigos que perdeu. A impressão que se tem, quando se termina de ler o livro, é que fomos convidados a conviver com a perspicaz Nora em seu dia-a-dia. Graças ao bom humor e às tiradas sarcásticas da escritora, saímos desta viagem com a sensação de que aprendemos um pouco mais sobre como viver a vida. Ela escreve para quem, assim como ela, também não concorda que envelhecer é o máximo, mas que, sem sombra de dúvida, sabe que esta opção ganha de um pescoço de vantagem da outra.

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O AUTOR

Nora Ephron é roteirista, diretora e produtora de cinema. Ela iniciou sua carreira no jornalismo e em pouco tempo se tornou uma das mais conhecidas repórteres americanas com artigos publicados no jornal The New York Post, nas revistas Esquire, New York Magazine e The New York Times Magazine, entre outras publicações. Recebeu três indicações ao Oscar de melhor roteiro original pelos filmes Harry e Sally – Feitos um para o outro, Sintonia de amor e Silkwood – O retrato de uma coragem. Também são assinados por ela o roteiro de Michael – Um anjo sedutor, Mensagem para você e A feiticeira. Publicou duas coletâneas de ensaios, Crazy Salad e Scribble Scribble, que chegaram ao topo das listas de mais vendidos nos EUA. Dela, a Rocco publicou o best-seller Meu pescoço é um horror e O amor é fogo. Ela mora na cidade de Nova York com o marido, o escritor Nicholas Pileggi.

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