Em primeira pessoa

Ian e a música das esferas

por Heloisa Prieto
30 de março de 2015


                                                            Livros são unicamente magia portável. Stephen King

O que seria a magia?

Essa questão foi um dos pontos de partida para a escrita de Ian: a música das esferas. Segundo um estudioso do tema, magia seria “a arte de causar mudanças na consciência pelo poder da vontade”.

Pois então, a capacidade encantatória do exercício artístico, seja ele qual for, poderia inserir-se nessa definição. E nada mais avassalador que a força de um músico diante de plateias imensas. Assim nasceram os personagens da banda Triaprima e Lenora, a jovem herdeira dessa tradição.

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Mas o que acontece se um dos personagens, além de seu talento musical excepcional, pertencer a uma família que preserva antigas tradições de magia? E se essas práticas transmitidas ao longo dos séculos conferirem capacidades inusitadas como: a premonição, controle sobre os elementos naturais, telepatia?

Anne Rice e seu irresistível vampiro Lestat já visitaram os grandes palcos de rock em suas páginas emocionantes. O que eu desejava, no entanto, era tratar o tema numa clave diferente: a magia como uma percepção sutil, quase corriqueira. Atos extraordinários que se entrelaçam no cotidiano dos personagens e são considerados comuns pelos próprios. E, principalmente, perpassar as mentes e vidas dos personagens de modo a evocar questões como: a responsabilidade do artista; a transmissão da sensibilidade artística entre gerações, a relação mestre e discípulo, a redenção e o renascimento após uma perda inexorável.

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Lestat na sua versão rock star, no filme “A rainha dos condenados”

Finalmente, o maior de todos os desafios foi honrar justamente a definição de Stephen King e conseguir criar uma história repleta de magia portável. Tentar deslocar a percepção do leitor para dentro de um universo perigoso e enigmático, como reza a cartilha gótica, mas ainda assim repleto de encantamento, como um conto de fadas perdido no tempo. Como diria Edgard Allan Poe: leia numa sentada.

*Heloisa Prieto é escritora e tradutora, autora de Lenora e de Ian: a música das esferas.

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