Entrevista

Eugênia e os robôs: entrevista com a autora

Janaina Tokitaka fala sobre seu novo livro e carreira
11 de setembro de 2014


Janaina TokitakaSeres humanos podem ser difíceis de entender, por vezes, indecifráveis. Principalmente para uma menina de 11 anos bastante inteligente, mas também em conflito com a vida, como Eugênia, protagonista do novo livro da escritora, artista plástica e ilustradora Janaina Tokitaka. Em Eugênia e os robôs, Tokitaka – responsável, entre outros trabalhos, pela ilustração da capa de O mistério da estrela – Stardustde Neil Gaiman – apresenta a história de uma menina que, diante de sua dificuldade para fazer amigos, decide  seguir a expressão ao pé da letra e construir os companheiros perfeitos: três robôs. Mas será que viver em um mundo em que tudo funciona como a gente quer é mesmo divertido?

Em entrevista para o nosso blog, Tokitaka fala sobre o lançamento, sua carreira, autores favoritos e, é claro, robôs. Confira:

Eugenia e os robos_capaEugênia e os robôs mistura ficção científica a sentimentos e situações bem reais que podem ser vividos por qualquer menina de 11 anos. Como surgiu a ideia do livro? Quando criança, você preferia robôs a fadas madrinhas?

A ideia do livro surgiu a partir da frase “fazer amigos”. Comecei a pensar em uma personagem que entendesse a expressão literalmente e resolvesse de fato construir amigos perfeitos, como nenhum ser humano poderia ser.  Desse conceito nasceu Eugênia e seus robôs Zero, Isaac e Aldo.

Quando criança gostava de robôs e de fadas-madrinhas. Continuo gostando dos dois, na verdade. Acho que não são gêneros excludentes. A gênese de ambos é a mesma, os chamados chapbooks vitorianos que posteriormente deram origem às edições pulp. Ou seja, a ficção científica tem mais em comum com o conto de fada do que pode parecer à primeira vista.

Você começou sua carreira na literatura infantojuvenil ilustrando livros de outros autores. Hoje, já tem mais de 10 livros publicados. A vontade de escrever suas próprias histórias sempre existiu ou surgiu com o tempo, ao longo de sua carreira como ilustradora?

Sempre existiu. Desde criança sempre li e vi filmes pensando que algum dia queria inventar histórias também. Minha carreira como ilustradora me ensinou a ler melhor, isso certamente me ajudou como escritora.

O que é mais difícil, ilustrar as histórias de outros escritores ou as suas próprias?

Depende muito do livro. Como a maioria dos ilustradores, tenho facilidade para desenhar algumas coisas (gatos, paisagens naturais, comida) e muita dificuldade para desenhar outras (cenas urbanas, carros, cavalos). Às vezes esqueço disso quando estou escrevendo e depois fico sofrendo para ilustrar uma cena que eu mesma criei. Mas acho bom não ficar muito acomodada enquanto desenhista, então dificuldades são bem-vindas, autoimpostas ou não.

Quando se trata de literatura infantojuvenil, o que a Janaina ilustradora e a Janaina escritora têm em comum? E quais são as suas principais diferenças?

Acho difícil fazer esta separação porque costumo pensar as duas linguagens em conjunto. Escrevo visualmente e meu desenho é sempre narrativo, daí eu gostar tanto de fazer livros infantis: é a mídia que melhor possibilita este encontro.

Eugênia e os robôs é também uma homenagem ao escritor Isaac Asimov, um dos maiores nomes da ficção científica do século XX. Além dele, quais são seus escritores favoritos?

Em ficção científica, meus autores preferidos são Ray Bradbury, Kurt Vonnegut e Ursula Le Guin. Em literatura infantojuvenil, gosto de Roald Dahl, C.S Lewis, David Almond e Charles Dickens. Para além desses gêneros, acho Proust, Guimarães Rosa e Balzac geniais.

Se você pudesse fazer um robô de verdade, quais seriam as principais características e funções dele?

Faria um robô-assistente para limpar meus pincéis, trocar minha água suja da aquarela, responder e-mails e fazer café sempre que necessário!

 

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