Entrevista

Crave a marca, por Veronica Roth – Parte I

Autora fala sobre sua nova trama
7 de fevereiro de 2017


Aclamada como uma das maiores autoras de sua geração após o grande sucesso da série Divergente, Veronica Roth falou sobre sua nova trama, Crave a marca. Confira a primeira parte da entrevista.

Cyra é uma pessoa cujo poder tem forte influência sobre as pessoas ao seu redor. Mas, ao mesmo tempo, ela sofre com esse poder. Foi difícil para você criar essa personagem, e quais foram as inspirações para criá-la?

 Veronica: Em uma versão anterior desta história, Cyra era uma personagem secundária, e não protagonista, então não foi difícil criá-la, não, porque ela apenas se expandiu naturalmente enquanto o processo de escrita rolava. Seu dom é uma parte imensa dela; eu quis mostrar todos os lados dele, como ele a protege de seu irmão, como a torna poderosa, mas também impotente, como reflete sua baixa autoestima, todas essas coisas. Para Cyra, mais que para outros personagens, o dom e sua personalidade são indissociáveis.

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 Além de Akos, que também é protagonista, quem mais você poderia destacar como importante em sua história? Ou mais engraçado ou interessante? Ou aquele de quem você mais gosta?

 Veronica: Bem, Cyra, de verdade! Estou fascinada por ela, especialmente por seu humor, que às vezes é um pouco sombrio. Mas tirando ela e Akos, eu amo Teka de verdade, que se transforma em uma espécie de aliada de Cyra. Quando escrevo cenas com Teka, elas criam vida de uma maneira nova para mim. Ela é meio azeda e mal-humorada, mas também habilidosa e observadora, e eu gosto dessa combinação.

Muitos de seus leitores têm receio de que a protagonista vá morrer, como aconteceu na série Divergente. O destino de Cyra será o mesmo de Beatrice? Qual a diferença entre Cyra e Beatrice?

Veronica: Claro que não vou entregar o final, de jeito nenhum. Mas digo que, para mim, o final de Convergente não foi uma espécie de artifício, foi o que parecia correto para aquela história, para aquela personagem. Sempre farei o que for melhor para a história, e cada história é diferente.

A diversidade é um tema muito discutido nos dias de hoje em muitos livros — especialmente nos livros young adults e new adults. Há diversidade nessa nova série? O que os leitores podem esperar com relação à diversidade?  

 Veronica: Fico feliz que estejamos falando mais sobre diversidade agora. Não penso nela como um tema, mas sim como um retrato mais preciso da realidade, e histórias com diversidade sempre existiram, desde que existem histórias; a maioria de nós nem pensava em procurá-las, e agora pensamos, e assim é melhor para todo mundo.

Dito isso, CaM não se passa em nosso mundo, o que significa que não tem necessariamente nossas concepções raciais, nossas crenças sobre sexualidade, nada disso. E uma maneira de mostrar como a galáxia é grande é mostrar uma variedade grande de pessoas. É essencial para a história que nem todas as personagens se pareçam ou tenham atração pelo sexo oposto ou sejam todas capazes fisicamente da mesma forma. Espero que eu tenha deixado isso claro na história!

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Entre todas as mensagens que certamente você deixou para os seus leitores em CaM, qual melhor descreveria esta história?

 Veronica: Eu não tento deixar mensagens! As pessoas devem encontrar o que é importante para elas e procurar suas respostas; não cabe a mim dar isso a elas. Mas esta história é especial para mim porque há muito nela sobre irmãos, especialmente com Akos, e sobre amizade.

O que representa o título do livro, o que significa?

Veronica: “Crave a marca” é uma frase que aparece mais de uma vez na história, que as personagens dizem. A “marca” sobre a qual falam é um ritual que alguém realiza depois de tirar uma vida ou vivenciar uma grande perda, então a frase “crave a marca” vem quando acontece alguma coisa importante, em momentos de transformação. Senti que esse título representaria a história de um jeito significativo.

Qual seria a maior diferença entre a história da série Divergente e a de Crave a marca?

Veronica: Para mim, a grande diferença é a riqueza e os detalhes do mundo — a voz de Tris era muito esparsa, e ela sempre estava correndo de alguma coisa, então não tinha muito tempo para descrever e explorar. Há mais a sensação de admiração e descoberta em Crave a marca. As personagens passam por coisas difíceis, sim, mas também se lançam em aventuras.

Qual de suas personagens você diria que mais lembra você?

Veronica: Não sei! Acho que todas as personagens têm algo de mim nelas, para o bem ou para o mal.

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Qual é seu romance de ficção científica favorito?

Veronica: Essa é uma pergunta difícil de responder! Talvez eu possa escolher o livro que me fez ficar apaixonada por ficção científica — Duna, de Frank Herbert. Não que não tenha problemas, mas o mundo naquela história parece imenso e detalhado, e todas as maquinações políticas são fascinantes. Eu li várias vezes e a cada vez descubro alguma coisa nova.

É possível que a série que se inicia com Crave a marca possa ter mais que duas partes, como você anunciou oficialmente?

Veronica: Não sei! Agora mesmo estou trabalhando para concluir essas duas partes. Vou pensar mais tarde no que virá depois.

Qual mundo é mais cruel: aquele que você descreve na série Divergente ou o de Crave a marca?

 Veronica: Definitivamente, acho que o de Divergente. O sistema de facção em si é um pouco brutal, e toda a corrupção e o controle — é um mundo claustrofóbico, que funciona para uma história distópica. Em Crave a marca, certamente existem pessoas cruéis e coisas difíceis acontecem, mas o mundo em si é como o nosso: às vezes é bom, às vezes é ruim, às vezes é simplesmente estranho.

Em seus livros, você descreve outros mundos, onde um governo cruel domina a população. Acha que nosso presente pode nos levar a esse futuro?

Veronica: Não acho que precisamos esperar pelo futuro; existem governos cruéis dominando o povo agora mesmo. É importante não apenas prestar muita atenção em quem permitimos ter poderes sobre nós, mas também encontrar maneiras de apoiar as pessoas que já estão sofrendo essas circunstâncias. Existe um mundo complicado lá fora, e estamos todos juntos vivendo nele.

Existem semelhanças entre Tris e Cyra?

Veronica: Ah, certamente. As duas são mulheres duronas com línguas afiadas, as duas têm certa aptidão física, embora a de Cyra seja mais inata, e Tris precisou trabalhar para alcançar a dela. As duas são um pouco imprudentes. Mas a maior diferença é a seguinte: acho que Tris é uma heroína — altruísta e trabalhando pelo bem maior. Cyra está protegendo a si mesma. E isso não é necessariamente tão ruim quanto parece; é bom cuidar de si mesmo! Mas ela não diria que é uma heroína.

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