Uma multidão de livros

A autora Chris Melo fala sobre a expectativa para a Bienal do Livro de SP
3 de agosto de 2016


Imagine um lugar lotado em que não se consegue fazer nada sem pegar filas. Pense em corredores apinhados de gente com sacolas nas mãos cronometrando o tempo para conseguir fazer tudo o que planejou. Agora, multiplique por dez dias… É, falando assim parece que a Bienal do Livro é um inferno, mas na verdade é o paraíso. Contudo, você só me entenderá se você já foi a alguma das edições ou se você é alucinado por livros.

Os corredores são lotados sim, mas de gente rindo e conversando sobre sagas e autores favoritos. Os estandes e pavilhões abrigam filas imensas, mas também inúmeros abraços inéditos de gente que divide ideias e amizade pela internet, que amam – ou odeiam – as mesmas histórias e não podem sentar um no sofá do outro porque moram em pontos distantes do país.

As sacolas são pesadas, mas quem as carrega sabe que está levando novos mundos cheios de aventuras, lágrimas e amores que serão vividos em breve. As horas são corridas porque precisam ser divididas entre abraçar autores que vieram de muito longe e aqueles que são quase vizinhos. A espera não é grande o bastante para separar um leitor daquele escritor que lhe fez companhia por tantas horas de leitura e que ele nunca abraçou ou só pode ver de vez em quando.

Só quem é apaixonado por livros sabe a alegria de estar nesta enorme reunião. Eu, particularmente, gosto de aproveitar cada segundo da Bienal, adoro a energia, o ânimo e poder tietar monstros sagrados, conhecer novos autores e celebrar os meus contemporâneos que se destacam a cada ano.

É indescritível a sensação de ver alguém namorando o meu livro na prateleira, tocando nele pela primeira vez e decidindo levá-lo consigo. Da mesma maneira que é maravilhoso reencontrar os leitores que já conheço e poder comemorar com eles mais um ano, mais uma história, mais um nó que ata a nossa mágica conexão. Escrever é algo solitário, passo meses em casa com pessoas imaginárias, mas cada minuto do meu silêncio vale a pena quando recebo de volta o barulho daqueles que me leem.

Sim, Bienal do livro é cheia, exaustiva e igualmente maravilhosa. Dez dias de festa para o livro, para quem escreve livros e para quem adora lê-los. Dez dias pra você estar no meio de uma multidão fã de histórias que acaba a maratona sentada no chão folheando os novos livros, as dedicatórias, as fotos, lamentando as dores dos pés e contando os dias para a próxima.

Eu já estou na contagem regressiva para o maior evento do ano. Já comecei a separar sapatos confortáveis, os marcadores e os abraços. Sinto como se estivesse me arrumando para sair e dançar com as amigas, tamanha alegria. Sobretudo porque este ano tem novidade: O LIVRO DELAS, que na verdade é seu também! Um projeto lindo, repleto de diversidade e amor, que traz um texto meu e de mais oito escritoras (Bianca Carvalho, Carolina Estrela, Fernanda França, Fernanda Belém, Graciela Mayrink, Leila Rego, Lu Piras e Tammy Luciano), organizado pela Renata Frade. Fizemos tudo com muito afinco, alegria e empolgação. Um universo todo nosso que não vemos a hora de compartilhar com vocês.

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Pode vir, Bienal, que eu já estou pronta para a rave de quem ama livros.

E você, vem comigo?

Chris Melo é escritora.

TAGS: Bienal de São Paulo, Bienal do Livro, Bienal SP, Chris Melo, O livro delas, Sob a luz dos seus olhos,

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