Uma casquinha da Provence

Um dia na filial parisiense da sorveteria Scaramouche, fundada pela autora de Piquenique na Provence
27 de julho de 2016


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Moradores e turistas andam apressados pelas ruas apinhadas de Paris. Nas ladeiras de Montmartre mal é possível enxergar as vitrines. O verão e o calor já deveriam ter chegado à cidade luz. Mas nem todos aguentam mais esperar… O sol insiste em aparecer sem aquecer. Os dias são longos e bonitos, porém, ainda frios.

Mesmo com 14 graus e uma chuva fina caindo, uma menina, vestida com um grosso casaco rosa-choque deixa a sua casa correndo em direção à sorveteria. A mãe apenas a observa pela janela. Sem pestanejar, a francesinha pede com seu vocabulário ainda simples duas bolas de sorvete, de chocolate e lavanda. É o sabor do verão provençal, região da matriz da “Scaramouche” e destino preferido dos europeus que buscam sol, paisagens divinas e sabores idem.

O atendente, vestido com uma camiseta de listras azul marinho e brancas – um clássico da moda de verão europeia que atravessa os tempos – serve uma generosa casquinha e a menina volta correndo para a casa. Feliz com seu sabor de verão, mesmo que a estação ainda não tenha chegado. Quem se importa?

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Por detrás da portinha amarela na rua curva de Montmartre, a sorveteria começa a lotar. As combinações de sabores exóticos e refinados agradam a todos. Se o dia em Paris está um pouco desanimador, a primeira prova do sorvete de frutas cítricas com gengibre é capaz de transportar qualquer um para a explosão do paladar provençal.
Paciente e sorridente, características pouco comuns de serem encontradas juntas num mesmo francês, o homem atende a todos e explica repetidamente as inúmeras misturas possíveis e como é feito o hoje considerado “o melhor sorvete do país”, fabricado no Vale do Luberon, mundialmente famoso por suas feiras e sabores.

Um turista americano abusa da boa vontade do pobre atendente e dispara num francês capenga: “De onde vem o nome?” Entre casquinhas e copinhos, o esforçado atendente explica que a inspiração veio da paixão do fundador pelo filme Scaramouche (1954), baseado num clássico da comédia italiana. Itália + gelatto + cinema = Scaramouche.

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E nessa Babel moderna o melhor sorvete francês foi fundado por, quem diria?, uma norte-americana. Usando a técnica tradicional italiana e explorando o melhor dos sabores da Provence, a jornalista Elizabeth Bard, que vive na França há mais de 10 anos, virou uma pâtissier/glacier famosa. Mas isso já é outra história, longa demais para um artigo e deliciosa para um livro, leve e saboroso como um Piquenique na Provence.

*Carol Castro é jornalista.

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