Um destino para chamar de seu

por Chris Melo
3 de junho de 2015


_MG_9899 1_chris melo

A escrita sempre foi a minha melhor amiga e, por mais piegas que isso pareça, não há outra maneira de definir essa relação, pois a escrita me ouve, me entende e me ajuda.

Nunca fui de declarar meus sentimentos em voz alta. Não importa se o que eu sinto é exageradamente feliz ou terrivelmente triste, eu simplesmente não consigo verbalizar a contento. Toda palavra na minha boca parece boba, rasa e inútil. Em contrapartida, quando eu me sento e pego uma caneta ou começo a digitar, meus pensamentos passam a fazer sentido e toda palavra vira instrumento para me “esvaziar”.

Felizmente, minha mãe, logo cedo, percebeu minha introspecção e me presenteou com um diário. Eu tinha sete anos quando ganhei o primeiro, ele tinha a capa vermelha e páginas coloridas. Foi ali que eu aprendi a desaguar meus excessos. Foi ali que aprendi que eu precisava disso.

Cresci escondendo parte de mim nas páginas e foi assim até o meu diário pular da gaveta e virar um blog. Uma página despretensiosa feita para registrar os preparativos do meu casamento, mas que acabou ultrapassando o tema e a solidão dos textos que são feitos só pra gente. Meus primeiros leitores me encontraram na imensidão da Internet. Um, dois, cem…

Do blog de noivado ao blog de crônicas não passou mais de um ano. Do blog de crônicas ao primeiro romance foram quatro. Cheguei a ficar sem escrever por um tempo enorme. Eu não sonhava com o meu nome em uma capa. Não desejava assinar livros. Foi o tempo que me fez aceitar que escrever não é um capricho, é como pegar a linha e a agulha para remendar ou bordar, depende da situação, da necessidade.

Hoje, sei que mais gente sente o que eu sinto. Mais gente olha para as palavras procurando o sentido que há por trás delas e olha para dentro de si procurando o que há por trás dos compromissos e da rotina. Descobri que a lágrima que derramei enquanto escrevia é capaz de emocionar quem lê a mesma sentença, tempos depois. Aprendi que somos feitos de pedacinhos semelhantes, de alguns amores e muita saudade.

Se você me perguntar se eu acredito que estava destinada a isso, eu digo que sim, mas se você me perguntar se eu acredito em um destino pronto, paralisado à nossa espera até tropeçarmos nele, eu respondo que não. Eu acredito em atitudes honestas, movidas pelo coração, acredito em autoconhecimento, em ultrapassar seus próprios limites e na aceitação que temos que ter frente às oportunidades e a nós mesmos. Acredito que ao agir de maneira desarmada, pelos motivos certos e livres de vaidade, o Universo nos presenteia com o destino, que você pode chamar de lugar favorito.

Eu fiz muitas coisas antes de publicar meu primeiro livro. Estudei e trabalhei em setores absurdamente diferentes até perceber que escrever é minha vocação. Eu me senti deslocada por muito tempo até descobrir que é possível encontrar o lugar em que a gente se encaixa perfeitamente e se você tiver que guardar apenas uma coisa de tudo o que eu disse, não se esqueça de que a sua felicidade pode estar naquilo que você faz sem esperar nada em troca, faz somente porque é prazeroso. Foi assim comigo e eu espero que seja lindo assim com você também.

Leia também:
Fábrica231 publica Chris Melo.

Chris Melo é escritora paulista, balzaquiana, habitante oficial do mundo da lua, mestre-cuca de feriado e adoradora do culto “papo furado e risada solta”. Considerada a “Nicholas Sparks de saia” pelos fãs, publicará dois livros pelo Fábrica231: uma nova edição de Sob a luz dos seus olhos, e Sob um milhão de estrelas.

TAGS:

Comentários sobre "Um destino para chamar de seu"

  1. Fico tão feliz por ler o que você escreve, é sempre tão tocante, tão comparável com aquilo que se deseja sobre felicidade. O encontro da alma com a pena, do coração com os olhos… Adorei o texto, parabéns pela linda chegada. Que ela seja infinitamente prazerosa. Mil beijos, te amo, Lu

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.
Campos obrigatórios são marcados *