Sob um milhão de estrelas

por Chris Melo
23 de setembro de 2015


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foto de Nicholas Buer

Três anos sob um milhão de estrelas

Um livro simples. Nada de distopia, viradas hollywoodianas, andanças pelo globo terrestre ou crimes. Um livro profundo, mas leve. Eu queria mostrar uma nova faceta do amor, uma tão intensa e transformadora quanto à de Paul e Elisa, mas de uma maneira totalmente diferente. Foi assim que nasceu minha vontade de contar a história de Cadu. Eu queria mostrar que grandes histórias acontecem na nossa rua, no nosso emprego e com pessoas absolutamente comuns.

Um livro simples. Essa era a meta. O detalhe que eu não contava era que simples não é sinônimo de fácil. Contar uma história abrindo mão das artimanhas que me ajudam a prender o leitor dentro de uma narrativa foi como começar de novo. Voltar a tatear as emoções no escuro e bater a cabeça de um lado para outro tentando encontrar as palavras certas.

Comecei com Cadu e Marina e se você já leu meu romance Enquanto a chuva caía deve ter levado um susto neste momento, porque simplesmente não dá pra imaginar outro homem na vida dela, além de Erik. Eu sei, tanto que, dez capítulos depois, me dei conta de que Cadu era um grande personagem e que Marina era incrível, mas não havia química entre eles. Não tinha diferenças o suficiente para atrair, nem semelhanças para mantê-los juntos. Marina precisava de coisas que Cadu não tinha para oferecer e Marina estava repleta de passado, coisa que nosso mocinho já experimentou antes. Achei que ele merecia passar por problemas diferentes, refletir sobre o que aprendeu e ter uma chance realmente nova.

Foi difícil, foi como tirar mais um amor dos braços de Cadu. Desta vez em segredo, apenas eu e mais um beta lemos esta versão e confesso que doeu. Senti como se eu não fosse capaz de construir um futuro para ele, como se seu destino fosse estar preso dentro das páginas que viveu como coadjuvante em Sob a luz dos seus olhos.

chris

O tempo foi passando. Terminei de escrever e publiquei O que não diz a lenda. Criei coragem e retirei Marina de Cadu. Escrevi e publiquei Enquanto a chuva caía, Marina cumpriu seu destino ao lado de Erik e seus fantasmas particulares. Continuei a rascunhar coisas sobre  Cadu: sua personalidade, sua rotina, seus pensamentos, mas eu estava emperrada. Cheguei a pensar em desistir. A história me parecia manca e foi assim até a Alma aparecer.

A princípio, ela surgiu de maneira tão resoluta, forte, poderosa e individual que sua atitude me fez acreditar que talvez ela precisasse de uma nova trama. Uma que somente ela tivesse voz, que somente sua mente nos guiasse porque suas emoções eram tão densas e palpáveis que Alma bastaria para nos confundir, distrair e amar. Contudo, de repente, eu a vi em uma janela e, do outro lado da rua, Cadu encarava sua silhueta. Que momento! Foi tão bonito! Naquele instante, percebi que eles – de uma maneira deliciosamente improvável – faziam sentido. Faziam sentir.

Precisei reescrever dez capítulos, criei uma planilha que foi refeita uma centena de vezes e levei mais tempo para escrever este livro do que qualquer outro porque o simples é difícil, assim como as relações, a convivência e tomadas de decisões. Assim como não é fácil notar as sutilezas e detalhes da vida.

Três anos depois, eu escrevi o fim e foi com lágrimas nos olhos que dei um futuro para aquele personagem que aprendi a amar. Acho que ele me perdoou pela demora, pelas mocinhas perdidas e pelas lágrimas. Cadu é grande dentro do seu universo e soube viver intensamente cada linha. E te garanto uma coisa, ele se revelou o bom rapaz mais sedutor que já escrevi.

Ainda que Cadu seja um dos protagonistas, preciso dizer que Sob um milhão de estrelas é mais do que conhecer sua história. É também o recomeço de Alma, suas descobertas e reencontros. É uma história sobre amizade, sobre abrir as portas para novas pessoas e sentimentos. Sobre perdão e como pode ser difícil fazer as pazes consigo mesmo.

E claro, acima de tudo, é sobre o amor. Amores que não deram certo, amores que nunca acabaram e amores que dão um trabalho danado.

Alma e Cadu, com toda sua graça, complexidade, charme e paixão vão te mostrar que para uma história de amor existir, é preciso mais do que amar. Muito mais.

 “… que sejamos como o céu de hoje:
um silêncio reconciliador, uma escuridão calma
e a luz inabalável de um milhão de estrelas.”

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Comentários sobre "Sob um milhão de estrelas"

  1. Que lindo, Chris! O texto ficou lindo e o livro está maravilhoso. Tive o prazer de ser beta de Um Milhão de Estrelas e até hoje me pego pensando em seus personagens e tramas. Uma leitura que indico para todos que gostam de uma boa história. Mal posso esperar para ter em mãos meu exemplar de uma trama que me arrebatou e me envolveu. Sucesso!

  2. Sou fã de carteirinha da Chris Melo. Poucos escritores da nova geração escrevem tão bem quanto ela. Parabenizo a Rocco pela excelente escolha. Estou ansioso para ter o “Sob um milhão de estrelas” em mãos, porque o “Sob a luz dos seus olhos” foi uma história apaixonante e não tenho dúvidas de que a nova trama virá ainda mais emocionante.

  3. Já a partir da leitura do titulo e sabendo quem é a escritora, me sinto ansiosa. Chris Melo é uma das melhores escritoras brasileiras que já li e, certamente, lerei esse novo livro com prazer indiscutível “sob um milhão de estrelas”.

  4. Pingback: Resenha – Sob Um Milhão de Estrelas – Nunca Desnorteados - Resenhas do que é bom, do que nem tanto.

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