Prometo solenemente falar de amor

por Chris Melo
16 de junho de 2015


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Eu prometo solenemente falar de amor.

Certa vez, meu amigo Landulfo Almeida, também escritor, me perguntou se eu escrevo romances românticos ou se escrevo tramas variadas das quais o amor é parte. Meu cérebro entrou em pane na hora e, por muito tempo, me peguei pensando sobre isso, sem conseguir encontrar a resposta. Definir o que escrevo é uma tarefa difícil para mim, pois eu me considero uma contadora de histórias, não importa qual, não importa de quem.

Eu já escrevi um romance extremamente romântico, com toques de drama; já escrevi uma distopia; um livro de crônicas; um romance com toque policial e mais alguns que, por enquanto, existem apenas nos bastidores. Isso posto, fica óbvio que nunca me preocupei com o gênero antes de me sentar e escrever. A verdade é que eu decido contar uma história quando acho que ela vale a pena ser contada, quando me apaixono cegamente pelos personagens, por suas vidas e sinto que sou testemunha de algo que mais pessoas merecem conhecer. É quase uma obrigação não permitir que tais histórias morram em segredo comigo.

É claro que, em algum momento – ou em todo o momento –, as relações acontecem, porque, acima de tudo, eu falo de dilemas humanos e toda escolha se torna ainda mais difícil se você tiver a quem perder. No cinema ou no papel, o protagonista terá de resolver seus problemas, enquanto a gente torce para ele não acabar deixando o seu par pelo caminho. O amor aumenta o valor de cada passo, aumenta o peso das decisões e é a parte poética de qualquer vida.

Falar sobre gente é, inevitavelmente, falar de amor. Não importa qual é a cor dos cabelos, dos olhos e da pele. Não importa o gênero, a profissão ou os gostos musicais. Em algum momento, você vai olhar alguém e ter certeza de que essa pessoa é diferente de todas as outras. E não importa se essa sensação vai durar dez dias, dez anos ou uma vida, você vai querer mais e vai querer muito, sempre. Porque o nosso corpo gosta dos hormônios que esse encontro provoca e nossa alma gosta de cada suspiro que soltamos.

Os meus livros falam sobre pessoas e seus problemas. Sobre as coisas que aprendemos e aquelas que nunca terão solução. Falam de como nós somos capazes de mudar e de fazer coisas que passamos a vida dizendo que não faríamos. Narram momentos de felicidade, risos e esperança. Relatam tristezas, medo e fuga. Contudo, acima de tudo, falam de encontros que marcam a existência de alguém. Falam de amor sem medo porque o amor é o sentimento mais nobre, a melhor parte da vida e a pior ausência.

Assim sendo, prometo falar das coisas que sentimos e mal conseguimos nomear. Prometo contar sobre amores platônicos, amores à primeira vista e aqueles que acontecem quando já é tarde demais. Contarei sobre juras feitas, palavras nunca ditas e corações acelerados. Narrarei diversos encontros e muitas despedidas. Te farei sentir incontáveis primeiros beijos, olhares profundos e calafrios de desejo. Nós vamos derramar lágrimas de adeus e tentar entender – ou simplesmente aceitar – que tudo pode fugir do nosso controle em um segundo, porque não se premedita a vida nem nossas reações.

Falarei do impossível, do imprevisível e do improvável. Das histórias que não se repetem e daquelas que já ouvimos tantas vezes, mas que são únicas para quem as viveu. Porque no fim, nenhuma vida é cópia da outra, mas possuem alguns traços em comum: o desejo por sentir amor; por ser o alvo do amor de alguém; a busca eterna por felicidade e encontrar o seu lugar no mundo. E é só por isso que continuarei contando histórias sobre mim, sobre gente que eu conheço, gente que eu invento e sobre você também.

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Chris Melo é escritora paulista, balzaquiana, habitante oficial do mundo da lua, mestre-cuca de feriado e adoradora do culto “papo furado e risada solta”. Considerada a “Nicholas Sparks de saia” pelos fãs, publicará dois livros pelo Fábrica231: uma nova edição de Sob a luz dos seus olhos, e Sob um milhão de estrelas.

TAGS: Chris Melo, Fábrica231, ficção nacional, Romance,

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