Phil Jackson e o jogo mágico da vida

Por Marcos Beegu Mendes
12 de setembro de 2014


Phil Jackson e seus jogadores antes das finais de 2010. (Da esquerda) Andrew Bynum, Lamar Odom, Pau, Ron Artest, Derek Fisher, Shannon, Sasha, Jordan e Josh Powell.

Phil Jackson e seus jogadores antes das finais de 2010. (Da esquerda) Andrew Bynum, Lamar Odom, Pau, Ron Artest, Derek Fisher, Shannon, Sasha, Jordan e Josh Powell.

Tive a honra de conhecer Phil Jackson em 1994, quando ele veio ao Rio de Janeiro para dar uma clínica de basquete para técnicos e jogadores. Na ocasião, durante três dias, trabalhei como tradutor e intérprete do evento e pude aprender, de perto, todos os seus ensinamentos. Em vinte anos de uma sincera amizade, fui diversas vezes convidado por Jackson para ir a Chicago e a Los Angeles, assistir a jogos das equipes profissionais dos Chicago Bulls e dos Los Angeles Lakers. Fiquei fascinado por este fantástico ser humano e pelo seu envolvimento com o mundo espiritual. Como um jovem aluno dedicado aprendendo o alfabeto, procurei colocar a minha mente e o meu coração totalmente sintonizados em tudo que ele falava e fazia.

Onze anÉsVencedor de onze títulos da NBA, Phil Jackson relata, em Onze anéis, fatos e acontecimentos que o levaram a ser reconhecido como um dos melhores técnicos de todos os tempos. Onze anéis é um marco dentro da literatura esportiva, empresarial, social e porque não, espiritual. O livro aborda assuntos diversos — como estilos de liderança, trabalho em equipe, aspectos motivacionais, relacionamento técnico-jogador — e muitos outros temas que Jackson utilizou durante todos os seus anos à frente das equipes que dirigiu. Jackson fala de uma filosofia mais humanista e de uma metodologia de trabalho totalmente diferente das lideranças atuais. Apoiado nos princípios comunitário do povo nativo americano, no amor cristão e no conceito do “aqui e agora” do zen-budismo, Jackson defende uma psicologia mais humanista onde a compaixão, o não egoísmo e o trabalho em equipe são os pontos de união.
Sabemos que o esporte traz em sua essência a celebração do ego, do corpo e do materialismo, mas Jackson mostra como provocou uma revolução cultural e espiritual que tocou profundamente a alma de seus comandados e de seus fãs. Com total transparência e objetividade, ele revela como foi capaz de transformar jogadores altamente egoístas em grandes líderes. Descreve com clareza a necessidade de se formar um espírito de equipe ou uma alma grupal para que as metas sejam alcançadas. Relata como conseguiu desafiar seus atletas a produzirem acima de suas capacidades e ensina que a simples união de pessoas, mesmo que de culturas, credos e classes sociais diferentes, forma um elo espiritual que sustentará e equilibrará todos os integrantes da equipe.

Mas apenas administrar egos não dá onze títulos de campeonato nacional a ninguém. Jackson é um aplicado estudante e um profundo conhecedor do basquete, e dedicou muito do seu tempo para descobrir formas de motivar seus jogadores e como explorar as fraquezas dos seus adversários. Ele também foi um excelente estrategista, que tinha no centro de sua filosofia o sistema de jogo denominado Triângulo Ofensivo, ou Tai Chi de cinco homens. Um estilo de jogo não egoísta, solidário e compassivo, onde o foco do time deixa de ser o “EU” e passa a ser o “NÓS”. Com isso, seus atletas aprenderam a confiar mais uns nos outros, desenvolvendo na quadra uma maior conexão entre eles. Isso é o que Phil Jackson chama de liderança “invisível”.

Phil Jackson mostra que é possível fazer de uma quadra de basquete uma arena sagrada, onde os atletas podem competir no mais alto nível de espírito esportivo. Segundo minha amiga Márcia Frazão, tradutora de Onze anéis, este é um livro sobre o jogo mágico da vida, sobre as cestas que todo dia estamos fazendo, ou tentando fazer.

Phil Jackson e Marcos Beegu Mendes

Phil Jackson e Marcos Beegu Mendes

☛ Leia um trecho de Onze anéis

Marcos Beegu Mendes foi atleta profissional de basquete por 18 anos. Formado em Educação Física pela UFRJ, atualmente é professor de Educação Física e Técnico de basquete na Escola Americana do Rio de Janeiro.

TAGS: basquete, Chicago Bulls, coach, esporte, Los Angeles Lakers, Onze anéis, Phil Jackson,

Comentários sobre "Phil Jackson e o jogo mágico da vida"

  1. MEU QUERIDO MARIDO, REALMENTE PODER CONHECER O ZEN MASTER DO BASQUETE DA NBA, O MELHOR TÉCNICO COM 11 TÍTULOS E MAIS 02 TÍTULOS COMO JOGADOR É UM PRIVILÉGIO INENARRÁVEL PARA VC, MARCOS BEEGU MENDES QUE TEVE A OPORTUNIDADE DE CONHECER E APRENDER AO LONGO DESSES ANOS COM ESSE SER HUMANO MAGNÍFICO E EXTRAORDINÁRIO QUE SE CHAMA PHIL JACKSON, E POR TODOS ESSES ANOS DE AMIZADE E RESPEITO MÚTUO, VC… SÓ VC TEVE A CONFIANÇA E PERMISSÃO DE PODER DIVULGAR O MAIS NOVO LIVRO DA TRAJETÓRIA DE VIDA E DO MELHOR TÉCNICO DO BASQUETEBOL DA NBA.
    PARABÉNS PELA SUA DEDICAÇÃO AO SEU AMADO BASQUETE!!!

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