O ROMANCISTA SUECO QUE EMOCIONOU O MUNDO

Alfredo Neto, do Sem Spoiler, escreve sobre os fantásticos livros de Fredrik Backman
25 de outubro de 2019


Em 2012, um escritor sueco lançou seu livro de estreia sobre um senhor ranzinza que xinga a tudo e a todos, apesar do mundo a sua volta ser gentil com ele. Tamanho o sucesso em seu país, logo foi traduzido para o inglês e, após o lançamento, ficou por mais de 40 semanas na lista de mais vendidos do New York Times. Publicada pela Alfaguara no Brasil sob o título Um homem chamado Ove, a obra ganhou uma adaptação para o cinema duplamente indicada ao Oscar. Agora, Fredrik Backman é uma das mais promissoras apostas da Editora Rocco, que acaba de trazer mais um livro do autor para os leitores brasileiros.

Foi no ano passado que a Rocco publicou Minha avó pede desculpas no Brasil, com tradução de Paulo Chagas de Souza. A história acompanha uma garota de 7 anos que vê como sua maior heroína a avó, de 77. Com suas histórias, que se passam na Terra-dos-Quase-Despertos e no Reino de Miamas, a avó construiu um lugar onde a neta pode se refugiar e sentir que há um espaço para ela no mundo. Melhores amigas, Elsa recebe uma última missão da vovó antes de sua partida: entregar uma série de cartas pedindo perdão a pessoas que magoou ao longo da vida. Nessa aventura, a menina descobre a verdade sobre reinos, contos de fada e a maior avó que já existiu.

Minha avó pede desculpas é um livro que emociona leitores de qualquer idade e conquista grandes feitos ao redor do mundo. Os direitos de adaptação já foram comprados pela Nordisk Film e os de tradução foram vendidos para mais de 40 países, tendo recebido até uma indicação ao Prêmio Literário Internacional IMPAC de Dublin, que reconhece as melhores obras escritas ou traduzidas para o inglês. As resenhas no Goodreads se referem à história como “bela e profunda” e um “ode magnífico à humanidade e às muitas virtudes que a impedem de perder seu brilho”.

Esse mês, outubro de 2019, é a vez de Britt-Marie esteve aqui chegar às livrarias brasileiras, com tradução de Maira Parula. Nessa história, que pode ser lida independentemente, conhecemos a arqui-inimiga da avó de Elsa, Britt-Marie. Aos 63 anos, ela não julga ninguém, não importa quão mal-educadas e desleixadas as pessoas possam ser, e nem age de forma passivo-agressiva. De forma alguma. Ela só deseja que o mundo seja um lugar mais organizado, e, para isso, é necessário um pouco de ordem. Mas, para além das primeiras impressões, Britt-Marie é uma mulher cheia de sonhos, com um coração muito mais afetuoso do que qualquer um consegue perceber.

Mais uma vez entregando uma narrativa cômica, sincera e irônica, Fredrik Backman nos apresenta uma personagem que está com tanto medo de as pessoas não perceberem quando ela morrer, que arruma um emprego temporário para fugir do isolamento e da solidão a que se submeteu durante a vida. Nessa pequena comunidade em que agora trabalha, Britt-Marie aos poucos se abre e começa a se importar com pessoas à sua volta, e elas reagem de forma recíproca. O lugar, que até então era visto com indiferença por ela, finalmente começa a se mostrar como um lar, onde raízes podem ser criadas.

Britt-Marie esteve aqui foi recentemente adaptado para o cinema, com direção de Tuva Novotny, mas ainda não há previsão de estreia no Brasil. O The New York Times falou que o filme é um “retrato sincero de uma mulher mais velha enquanto está em busca da felicidade”. O livro ganhou o prêmio russo LiveLib Readers’ Choice Awards de melhor ficção traduzida e foi indicado ao Prêmio IMPAC.

É difícil não rasgar elogios a um escritor tão surpreendente, cativante e original como Fredrik Backman. Aos 38 anos, ele já publicou 6 romances, 2 novelas e 1 livro de não ficção. Até agora, vendeu mais de 11 milhões de cópias, e suas obras foram traduzidas em mais de 45 países. Contando a odisseia de homens e mulheres comuns, Backman narra histórias emocionantes sobre a coragem cotidiana. Seja a de Ove, a de Elsa e sua avó ou de Britt-Marie, com certeza uma dessas narrativas vai conquistar seu coração.

Alfredo Neto é universitário e criador do Sem Spoiler, um perfil de atualizações literárias no Twitter.

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