O que faz um editor de e-books?

por Lúcia Reis
16 de outubro de 2015


Quando você conhece alguém, é normal primeiro se apresentar pelo nome, depois pela ocupação. No meu caso, trabalhar em editora, e, especificamente com e-books, sempre gera muita curiosidade. A primeira é sempre a respeito do que realmente consiste meu trabalho. Afinal, o que faz um editor de livros digitais?

Deixo muitas vezes as pessoas desenvolverem sua própria concepção do que seria o trabalho de um editor de livros digitais para saber o que outros imaginam que eu faço e muitas vezes as respostas me surpreendem! Segundo algumas definições, o editor de e-books:

  1. Digita novamente todos os livros no formato Amazon, Apple, Kobo etc.
  2. Aperta um “salvar como” no InDesign que cria automaticamente o livro que vai para as lojas também automaticamente
  3. É um programador/hacker que mexe com códigos muito loucos que viram os livros do Kindle
  4. Desenvolve aplicativos interativos e/ou com multimídia para iPad

Vocês se surpreenderiam se eu dissesse que não é nenhum dos acima e ao mesmo tempo um pouco de tudo? Pois é bem essa a verdade.

estante-e-book

Não precisamos digitar o livro todo novamente, mas, ao mesmo tempo, não existe um “botão mágico” que faz o trabalho todo por nós. Existe, no entanto, uma exportação crua do arquivo no formato digital que utilizamos (epub) e, depois, um trabalho com códigos de HTML e CSS que são conhecimentos tecnológicos específicos, mas seria um tremendo exagero chamar quem mexe com esses códigos de hacker.

Aplicativos interativos podem até ser parte do trabalho, mas dificilmente será a principal ocupação. Programação para aplicativos e livros interativos é mais complexa, portanto, também mais cara e demorada. As especificidades de sua produção e também de seu consumo – que não pode ser feito através de qualquer dispositivo de leitura – resultam em livros que terão complicações para serem absorvidos pelo mercado e, com isso, acabam não se tornando prioridade para as editoras.

No fim, sou sim a pessoa que aperta um “salvar como”, programo em códigos do começo ao fim do livro – reescrevendo-o numa outra linguagem – e, eventualmente, desenvolvo aplicativos. Mas não só isso, sou também a pessoa que olha para este trabalho com muito cuidado, que não deixa qualquer fonte que pode não renderizar bem ser escolhida para o livro digital. A pessoa que vai olhar as ilustrações e saber que precisará de ajustes, pois a maioria dos leitores são preto e branco e o contraste pode não funcionar. Enfim, edito.

Edito livros como todo editor, mas faço isso com um toquezinho de tecnologia a mais.

Lúcia Reis é Coordenadora de Livros Digitais da Rocco.

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