O que aprendi com minha avó em Os Contos de Beedle, o Bardo

Por Brunna Cassales, sob o ponto de vista da neta de uma bruxa
27 de setembro de 2017


Era uma vez uma menina que adorava ouvir sua avó lhe contar histórias. A princípio, isso pode parecer demasiadamente comum, eu sei, mas pode ser considerado curioso quando se descobre que a maioria destas histórias não era deste mundo. Eram contos de fadas de um mundo escondido dentro do nosso, narrados por Beedle, um bardo.

O mais empolgante de tudo é que era sobre um mundo de magia que, diferente das terras fantásticas que conhecemos, não era distante ou inalcançável. Era real e (quase) palpável. A menina ficava encantada, pois sua avó ria com gosto toda vez que lhe contava cada conto, tão naturalmente como se fosse uma personagem emergida de dentro deles. As histórias acompanharam todo o crescimento da criança, e sua avó nunca se incomodava em repetir, por exemplo, as aventuras de Asha, Altheda, Amata e o Cavaleiro Azarado numa certa Fonte da Sorte, ou um encontro de três irmãos com a Morte, em vez de levá-los, foi astuta e presenteou cada um para poder buscá-los depois…

Era impossível não extrair lições de sabedoria das palavras do bardo contadas pela bondosa senhora. Desde pequena, a menina aprendeu como a generosidade é recompensadora ao ouvir o primeiro conto, O Bruxo e o Caldeirão Saltitante. E O Coração Peludo do Mago lhe ensinou a não se entregar às profundezas sombrias do ser em tempos difíceis. Mas a menina era perspicaz e logo percebeu que a avó não só parecia ser do mundo que alegremente narrava à netinha. Ela era de lá, só não podia contar. Tentava manter a aparência de sua casa na mais completa normalidade, mas a menina podia jurar que certa vez viu os utensílios domésticos se mexendo sozinhos na cozinha. O que pareceria pura ilusão infantil se provou verdade quando a garotinha, já crescida, presenciou sua avó falando com a lareira.  

Não houve como negar. A avó contou tudo à neta. Ela era uma bruxa, a única de sua família, mas o sigilo era tão importante naquela época que só quem sabia era seu marido e seus pais, já falecidos. Nem aos filhos a velha mulher tinha revelado a verdade. Contudo, a neta era especial, sempre estivera ao seu lado e a deixava certa de que mesmo em seus somente 11 anos, idade tão simbólica para uma antiga aluna de Hogwarts, era alguém em quem podia confiar.

Posso assegurar que o segredo ficou bem guardado, pois a menina sou eu. Minha avó viveu muitos anos e, centenária, chegou até a conhecer meus filhos. Continuou a contar com gosto as histórias de seu livro de contos surrado à nova geração até que, como pediu que fosse gravado em seu epitáfio, “acolheu a morte como uma velha amiga, acompanhou-a de bom grado e, iguais, partiram desta vida”.

Seguindo o legado de minha avó, eu, que hoje sou uma velha senhora, sigo contando para meus próprios netos as histórias de fantasia favoritas dela. Agora vejo o outro lado da experiência, sendo a contadora, e posso garantir que é tão maravilhoso quanto ser ouvinte. Ter o poder de conduzir as crianças de meus filhos pelas aventuras e desventuras dos personagens de Beedle tem um gostinho ainda mais especial, já que me torna dotada da magia singular que vem das palavras contadas tantas vezes pela vovó.

Estou revelando essa história porque uma edição especial do livro traduzido das runas
 originais por Hermione Granger e com comentários de Alvo Dumbledore está sendo lançada em capa dura e, agora, posso compartilhá-lo com todos. Finalmente posso me sentir aliviada em não precisar mais guardar o segredo de minha avó, porque minha neta, que ganhou o seu nome, teve seus primeiros sinais de magia despertados no dia em que completou sete anos. Nunca me senti tão plena! Eu peguei suas mãozinhas ainda tremendo e disse a ela: “
Os Contos de Beedle podem ser lendas, mas o mundo em que estão ambientados existe, querida. E agora, você faz parte dele.” A jovem menina me abraçou e gaguejou, entre lágrimas, que de certo modo sempre soubera disso.

Naquele momento nós ouvimos um barulho no quintal. Vimos pela janela que era só uma coelhinha saltando na grama verdejante. “Poderia ser Babbity, a Coelha”, eu disse sorrindo. E olhando para o toco de árvore em que eu brincava quando era criança, senti que, tal como a personagem do conto, minha avó devia estar gargalhando por termos uma nova bruxa na família. Ali a magia nunca teria fim.

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Todos podem se sentir parte do Mundo Bruxo de J.K. Rowling, e ao comprar um exemplar de Os Contos de Beedle, o Bardo, o lucro obtido é destinado à Lumos, instituição de caridade fundada pela autora que ajuda milhares de crianças e suas famílias, cumprindo o propósito de iluminar suas vidas.

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Brunna Cassales sempre adorou ouvir histórias contadas por suas avós, e dedica este texto a elas. Considera Os Contos de Beedle, o Bardo seu livro de cabeceira, pois é o que mais releu na vida. Outros textos de sua autoria sobre o Mundo Bruxo de J.K. Rowling você encontra aqui.

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