Nas entrelinhas do texto

Entrevista com o ilustrador Alexandre Rampazo
12 de junho de 2014


Designer, escritor e ilustrador, o paulista Alexandre Rampazo explora as entrelinhas. Um dos ilustradores de livros infantis e juvenis de maior destaque da atualidade, Rampazo busca ampliar as possibilidades de interpretação de cada história. Em A menina de nome enfeitado, novo livro infantil de Míriam Leitão, suas ilustrações criam um ambiente de imaginação e leveza para as descobertas de Nathália, uma menina que aprendeu a ler e está encantada com a novidade.

Em entrevista concedida à Rocco, Rampazo discute o papel da ilustração na literatura infantil e os bastidores do processo criativo de A menina de nome enfeitado.

Além de ilustrador, você é designer gráfico e diretor de arte, trabalhando com a imagem em diferentes áreas e de formas diversas. Qual é o “segredo” na hora de ilustrar um livro infantil?
Alexandre Rampazo: Acho que cada área tem uma necessidade específica. O tipo de público que você está conversando; o tipo de tratamento que a imagem pede; com o que você está comunicando.

Acredito que não existam fórmulas absolutas na hora de ilustrar um livro. A ilustração não precisa ser literal ao que o texto diz. Gosto de explorar a história com elementos que façam surgir mais do texto. Possibilitar enxergar nas entrelinhas mesmo. E o leitor tem que usar essas informações como ponto de partida, permitindo que tudo amplifique as possibilidades de interpretação.

 

O que é mais difícil, criar as ilustrações para as suas próprias histórias ou para as de outros escritores?
Ilustrar para outro autor é sempre mais complicado. Sempre fico inseguro achando que irão odiar a forma como contei a história, ou a forma como moldei os personagens. O ilustrador é um co-autor do livro. Acaba colocando nele sua interpretação da história baseado na sua forma de enxergar o mundo, então, entregar para outro autor seu texto transformado em imagem nem sempre é uma equação tão fácil de ser resolvida. Quando crio uma história que eu mesmo vou ilustrar, todo o processo já está acontecendo ao mesmo tempo, ou quase… As imagens, cenas e a palavra transformada em imagem pra mim já nascem praticamente juntas.

Quando recebeu o convite para ilustrar A menina de nome enfeitado, o que mais chamou a sua atenção no livro? E como foi o processo de criação das ilustrações?
O que mais me chamou atenção foi a forma tão criativa e bem-humorada com que a Míriam abordou um tema que às vezes pode parecer complicado, principalmente com as crianças em processo de alfabetização. A língua portuguesa não é tida como das mais fáceis de se aprender, e o entendimento da letra “h” pra uma criança pode se transformar num problema maior do que realmente ele é. Para ilustrar isso eu quis contar uma história dentro da história. O que a Míriam escreveu está tudo ali, perfeito. O que eu fiz foi transformar o “h” num elemento visual da história que fica borboleteando em volta da personagem.

Quais são as suas principais referências em seu trabalho como ilustrador?
Uh, essa é difícil! Muito!!!  Cada dia me encanto com artistas diferentes. Tem tanta, mas tanta gente boa. As referências vão dos quadrinhos às artes plásticas. Tudo que é visual e me encanta vai me moldando como ilustrador. Vou citar só alguns, mas tem uns 3.425…

Gustav Klimt, Moebius, Dave McKean, Shaun Tan, Lisbeth Zwerger…

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