MENINOS LINDOS

Por Gabriel Spits
15 de março de 2016


Lucas e Nicolas

Há quanto tempo você escreve? Quanto tempo levou para escrever Lucas e Nicolas? Em quem você se inspirou para criar os personagens? Agora começo a receber essas perguntas tão básicas de quem lança o primeiro livro, e as respostas não são tão simples. Escrevo desde que fui alfabetizado – aos cinco anos –, levei mais tempo do que isso para fazer meu livro. Se nem todos os romances são eternos, ao menos os literários devem ser para a vida toda.

Lucas e Nicolas é fruto de mais de vinte anos de paixões vividas, platônicas, frustradas. Os dois meninos têm muito de mim, do que eu gostaria de ser, do que eu gostaria de ter, de meninos que eu conheci. A tal ponto que se torna embaraçoso para mim me expor. Se o livro é uma obra de ficção, a obra tem tantos pontos identificáveis em mim, que antes mesmo de assinar o contrato com a editora quis deixar claro que, como autor, preferiria ficar em segundo plano. (Não tenho nada contra autores midiáticos que se tornam personagens maiores do que suas obras. Alguns deles até invejo. Mas eu não tenho essa desenvoltura e desembaraço para falar em público, representar meus personagens, vender meu próprio peixe. Acho que o que tenho de mais interessante a dizer, está no livro. Pessoalmente não sou nada interessante.)

Acima de tudo, acho que essa é uma história que precisava ser contada. Em tempos como os que vivemos hoje, com tantos jovens assumindo o que realmente são e tantos conservadores querendo colocá-los de volta no armário, é preciso que histórias como essas sejam conhecidas, lidas, compreendidas. Que o amor entre dois meninos surge mesmo com tanta resistência ao redor, mesmo com tanta resistência interna, o amor se impõe. E é isso que eu queria contar. Uma história de amor entre iguais que não são tão iguais, uma discussão sobre a homossexualidade antes de chegar ao sexo.

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Tive sorte de encontrar na Rocco uma editora que me deu o suporte para eu ser eu mesmo, para o livro sair como tinha de sair, que me ajudou a chegar no tom exato do texto. Foi muito mais do que um autor em início de carreira como eu poderia querer. É um momento especial – sei que não sou o único a tratar do tema (em breve teremos inclusive um Lucas escrito pelas mãos do grande Vinícius Alvarenga), e fico feliz de estar nessa nova safra da qual também fazem parte Federico Devito, Danilo Leonardi, Augusto Alvarenga e Enrique Coimbra, entre outros.

Espero que esse livro chegue a tantos jovens que estão se descobrindo e que, apesar de toda a abertura das redes sociais, ainda se sentem sozinhos. Espero que esse livro chegue a pais e professores, e que amplie a discussão sobre um tema que, pasmem, ainda é considerado tabu. Espero que possam se apaixonar e ver beleza nesses meninos lindos, como eu vejo.

O que mais eu tenho para dizer sobre Lucas e Nicolas está em suas 270 páginas. É apenas o começo. Este é apenas um romance de estreia, com todas as falhas e incapacidades que um romance de estreia possui. Sim, é uma obra de ficção. Mas, acredite, é tudo verdade.

TAGS: adolescência, Amor, descoberta, Gabriel Spits, Homossexualidade, LGBT, LGBTT, Livro, Lucas e Nicolas,

Comentários sobre "MENINOS LINDOS"

  1. Quando a gente chega ao fim do livro, tem um e-mail de contato. Eu tava tão encantado com o que havia acabado de ler, que meu primeiro impulso foi mandar um e-mail pro Gabriel, agradecendo e elogiando – que são duas coisas que este livro surpreendentemente bom e seu autor – merecem.
    A verdade desse livro, dos seus personagens salta aos olhos. Lindamente bem escrito, diálogos críveis e reais. Há tanta realidade nesse livro que surpreende muitas vezes. E é lindo. Comprem, leiam, prestigiem. O Gabriel merece. E que venham outros. Eu AMEI.

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