Eu vou te matar

Bernardo Kucinski Antônio Xerxenesky se encontram na Casa Rocco
1 de maio de 2014


Casa Rocco

O que é mais prazeroso, criar ou matar um personagem?

Bernardo Kucinski: Matar, sem dúvida. Porque matar é fácil, criar é difícil. Porque matar é necessário, criar personagem é luxo.  As duas novelas policiais que  escrevi começam com o encontro do cadáver. A terceira,  que estou escrevendo, também abre com a descoberta da vítima, enforcada num caibro, suas mãos amarradas com arame farpado, seu corpo mutilado de alto a baixo, como a dar um recado macabro ao povo daquela cidade morta, perdida da Mantiqueira. Estão vendo, como matar é mais prazeroso?

Antônio Xerxenesky: Criar não é prazeroso, é difícil. Matar, por sua vez, é um tormento. Se eu me dei o trabalho de criar um indivíduo, se o enchi de características e detalhes, isso significa que desenvolvi certo apego a ele/ela e que, exceto se for um desgraçado, sofrerei para escrever a cena de sua morte. A morte chega a todos nós, mas por sorte não chega a todos personagens, que muitas vezes escapam com vida de um romance ou conto.

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