Era uma vez um verão

Uma entrevista com Jana Glatt, responsável pela capa do romance Os veranistas
23 de agosto de 2016


Foto Jana-Glatt_credito Luiza-Chataignier

Jana Glatt (foto: Luiza Chataignier)

 

Ela é carioca e morou quase dois anos em Barcelona, onde fez pós-graduação em ilustração. Coincidência ou não, foi escalada para criar a capa de Os veranistas, romance da norte-americana Emma Straub que se passa à beira-mar, na ilha espanhola de Palma de Maiorca. Na entrevista abaixo, Jana Glatt conta um pouco de sua experiência como ilustradora – de livros infantis a exposições e trabalhos publicados em revistas e catálogos de prestígio internacional, além de assinar estampas e outros projetos de design – e fala de seu primeiro trabalho para a Rocco, que marca também sua estreia como capista de um romance adulto.

 

– Qual é o maior desafio de um ilustrador quando se vê diante da tarefa de dar uma cara a um livro através da capa?
Criar uma imagem que seja ao mesmo tempo atraente, representativa e convidativa, mas que principalmente desperte curiosidade.

 

– O que é mais difícil: criar uma capa do zero ou criar algo novo a partir de referências já existentes, como por exemplo as capas estrangeiras, no caso de livros já publicados no exterior?
Acho que não tem diferença de dificuldade. A diferença é que quando um livro já possui uma capa, gera a vontade de tentar fazer algo totalmente diferente e se possível melhor.

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– Conte um pouco sobre o processo de criação da capa de Os veranistas. Há algo curioso que gostaria de destacar sobre este trabalho?
A maior parte do meu trabalho é para a literatura infantojuvenil, mas não gostaria que ele fosse associado apenas a um único universo (apesar de AMAR ilustrar livros infantis!). Então, fiquei muito feliz quando a Rocco me chamou para ilustrar a capa do Os veranistas. Foi a minha primeira capa para adultos. Tenho uma identidade mais naif e lúdica, e com um certo humor, então optei por cores mais pastéis para dar um ar um pouco mais sóbrio. Mas, em todo o processo ficava me questionando se estava ficando infantil ou não. E acabou sendo um dos meus trabalhos mais elogiados nas redes sociais. Uma vez me disseram que o meu traço é infantil para o adulto e adulto para o infantil, pode ser verdade!

expo1– Você é uma artista versátil, com experiência na ilustração e na criação de estampas para diversos materiais (livros, papelaria, roupas etc.) Qual dessas áreas é a sua preferida?

Tenho um carinho maior pela área da literatura porque são trabalhos que podem ter uma vida mais longa, passando de geração em geração. São projetos que podem ter forte influência na vida de uma pessoa. Acredito que bons livros infantis podem trazer muitos ensinamentos e fazer grande diferença. E como ilustradora tento ser um pouco autora também, busco sempre ir além do que o texto está dizendo, contar um pouco mais através do desenho.

Mas, em relação ao processo de criação não tenho uma preferência porque todas essas áreas fazem parte do universo da ilustração, os processos são muito parecidos, a diferença está mais no suporte. É raro preferir um projeto a outro, porque cheguei num momento muito prazeroso da minha vida profissional em que os clientes chegam até mim pela característica do meu trabalho, pela identidade que ele tem. Então, no geral são processos muito fluidos, se aquele trabalho foi escolhido para ser feito por mim tem alguma razão, então tudo sai de uma forma muito natural.

– Quais são suas principais referências em seu trabalho como artista gráfica e ilustradora?
Existem muitos ilustradores que admiro e volta e meia entro nos seus sites para ver o que estão criando de novo, mas tento ter referências fora do mundo da ilustração também. Por exemplo, gosto de seguir no Instagram perfis de fotógrafos, da National Geographic… Mas, as melhores referências para mim estão nas ruas. Sou muito observadora, enquanto caminho estou sempre olhando para quem cruza comigo e muitos me inspiram na criação dos personagens pelo seu estilo e/ou biotipo.

Biografia
Jana Glatt, designer carioca, entrou para o mundo da ilustração depois de uma temporada de quase dois anos em Barcelona, onde se pós-graduou em ilustração. Participou de exposições coletivas nas galerias Miscelânea e Senda, ambas em Barcelona. E seu trabalho foi selecionado para o VI Catálogo Ibero-americano de Ilustração com exposição em Guadalajara (México) e Bolonha (Itália). Teve seu trabalho publicado nas revistas MAKI minimag (Holanda) e Selamta, the magazine of Ethiopian Airlines. Aqui no Brasil, ilustrou alguns livros infantis como Declaração de amor e Quem adivinha o que é?, de José Enrique Barreiro, pela editora Guarda-chuva, Um abraço passo a passo, de Tino Freitas pela Panda Books, Meu bairro é assim e O caminho das estrelas, que serão lançados em breve. Atualmente, trabalha como freelancer fazendo ilustrações para livros, estampas e projetos de design.

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Capa do livro Os veranistas

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