Doze lendas brasileiras e as adaptações de Clarice para e-book

por Joana De Conti
5 de outubro de 2015


Ao iniciar a produção dos e-books infantis da Clarice Lispector, soube imediatamente que meu maior desafio seria fazer jus ao primoroso trabalho dos ilustradores. Sem dúvida, o exercício de transpor para o formato digital um livro ilustrado sempre demanda um cuidado e atenção especiais. Diversos recursos usados no livro impresso não são diretamente adaptáveis para as telas dos aparelhos de leitura. Porém, quando temos em mãos um livro como Doze lendas brasileiras, ilustrado pela artista goiana Suryara, é fundamental refletir sobre cada aspecto da produção do livro antes de começar a pôr a mão na massa.

Doze lendas brasileiras foi escrito em dezembro de 1976. O livro reúne histórias do fol­clore nacional, uma para cada mês do ano. O texto foi publicado em um calendário do ano seguinte e reeditado pelo selo Rocco Pequenos Leitores em 2014, quando os livros infantis da Clarice Lispector ganharam uma edição especial com novo projeto gráfico e em capa dura.

E quais os resultados práticos de tanta reflexão e cuidado na adaptação de uma obra tão especial?

impresso_clarice digital

Como você pode ver na imagem acima as páginas duplas da edição impressa permitem que as ilustrações ocupem horizontalmente um espaço retangular contínuo. Os meses e os títulos de cada capítulo estão inseridos no meio da imagem, no canto superior esquerdo. As fontes são coloridas e o tom pastel do fundo mostra uma imersão do texto na imagem, uma composição que sugere que as palavras flutuam por entre as folhas e flores. E a capitular usa a mesma fonte e a mesma cor do título, evidenciando ainda mais a beleza do projeto gráfico.

digital1_clarice

Por conta das particularidades do formato digital e das muitas diferenças existentes entre cada aparelho de leitura, a melhor maneira de preservar a qualidade da imagem no digital foi utilizá-la como um cabeçalho. Os meses e títulos dos capítulos se tornaram parte do texto, pois assim eles podem aumentar e diminuir de tamanho, de acordo com a escolha do leitor. A capitular foi eliminada, pois destoava do novo projeto gráfico por ficar muito próxima ao título. Além disso, o tom pastel e a fonte em tom azulado dificultariam a leitura quando fossem transpostas para tons de cinza de uma tela de e-Ink e foram, portanto, trocados pelo tradicional preto com fundo branco.

Qual o grande aprendizado de trabalhar com uma edição tão rica quanto desafiadora? Muitas vezes menos é mais nas edições digitais. O que pode parecer uma simplificação é, na verdade, o nosso cuidado para que a sua experiência de leitura seja a melhor possível.

Os livros O mistério do coelho pensante e Quase de verdade, ilustrados respectivamente por Kammal João e Carla Irusta, também acabaram de ser lançados em e-book, não deixem de conferir!

Joana De Conti é assistente editorial da Rocco Digital.

 

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