Definindo o livro digital

por Lúcia Reis
3 de setembro de 2014


rocco09

e-book ou livro digital. Qualquer conteúdo de informação, semelhante a um livro, publicado em formato digital. Publicação em formato eletrônico que pode ser lida em equipamentos como computadores, tablets, smartphones ou leitores dedicados (e-readers).

 

Quem se interessa pelo assunto livros digitais certamente já se deparou com uma definição semelhante a esta, seja na Wikipédia ou em FAQs de sites.  Sucinta e informativa, a definição, perfeita para verbete de dicionário, deixa vago, no entanto, o conceito publicação em formato eletrônico.

Esta pequena definição traz diversos questionamentos que se remetem não só à evolução dos e-books como também da própria internet, que é o fator determinante para fazer os livros digitais, tais quais conhecemos hoje, existirem. Discutir publicações digitais significa discutir também o universo no qual estas se inserem, ou seja, discutir o universo digital e o que ele significa.

Na década de 90, o acesso às mídias digitais ainda era muito restrito. Na medida em que a internet foi se popularizando, houve também a ampliação do universo digital, de forma que é certo afirmar que quanto mais pessoas acessam a internet mais conteúdo é criado.

Neste processo de expansão, a internet e seus conteúdos foram se tornando cada vez menos tangíveis, de forma que as definições e conceitos do mundo virtual são quase sempre etéreos, como ideias ainda não verbalizadas. No entanto, neste mesmo universo, onde nada é palpável, temos a impressão de que tudo é possível.

Paralelamente ao desenvolvimento da tecnologia e da internet, temos as primeiras tentativas de publicações digitais. Em 1987, surge o livro Uncle Roger, de Judy Malloy, lançado como uma narrativa de banco de dados que rodava em computadores da Apple. Em 1993,  Peter James publicou seu romance Host em formato de disquete. O Projeto Gutenberg, por sua vez, existe desde 1971 e hoje disponibiliza seus e-books nos principais formatos utilizados no mercado. Estes dados remontam a um passado recente no qual a noção de livro digital era muito distante dos produtos que hoje as editoras comercializam como e-books.

Na década de 90, quando falávamos de publicação em formato eletrônico muito mais provavelmente nos referíamos a textos de blogs ou fóruns especializados em produção literária e/ou fanfics. E, apesar destas publicações eletrônicas ainda existirem, a maioria delas não faz parte do que é hoje considerado livro digital, no sentido comercial.

Isso porque hoje temos um conceito de livro digital associado à determinada experiência de leitura. Ao adquirirmos um livro digital, esperamos um arquivo bem formatado, que permita sincronização do livro em diversos dispositivos, com texto que se ajuste ao tamanho de tela, eliminando a necessidade do zoom e diversas outras facilidades que justificam o livro digital como produto.

Este e-book como produto precisa competir, no entanto, com a internet e sua vasta rede de conteúdos gratuitos – legais e ilegais. E, neste contexto, ainda existem serviços que conquistam novos usuários todos os dias, e o conseguem por um simples motivo: comodidade. Os livros digitais, assim como diversas tecnologias recentes, surgem nas lacunas criadas por rotinas que demandam uma constante metamorfose de nossos costumes.  

De fato, viemos de um passado no qual tudo que foi ligado ao digital estava um pouco fora de nosso alcance, no qual todas as informações se tornavam, a cada dia, mais fáceis de serem acessadas e no qual o valor destas informações não era (e talvez ainda não seja) muito claro. Mas viemos também de um constante crescimento tecnológico que está, cada vez mais, intrínseco em nossas rotinas, de forma que não conseguimos mais nos imaginar sem as comodidades criadas pela tecnologia.

☛ Leia também: A pré-história do digital

Lúcia Reis é Coordenadora de Livros Digitais da Rocco.

TAGS: ebook, livro digital,

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