Correndo com os lobos

A jornalista Maria Fernanda escreve sobre a experiência de uma leitura coletiva do livro Mulheres que correm com os lobos
6 de abril de 2017


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No clube de leitura Olhar feminino, em Nova Friburgo, mulheres leem mulheres e compartilham a experiência de encontrar a mulher selvagem nas pegadas de Clarissa Pinkola Estés.

Circula o pensamento de que o homem contemporâneo está perdido na busca pela sua identidade. Fato. Para a mulher também não está tudo claro e visível. Pressionada pelos ismos do machismo que a sufoca; do feminismo, que a levanta para a luta pelos seus direitos, mas que possui respostas apenas em uma direção; o caminho para descobrir o que é (ou deve ou precisa ser) a semente, a origem do feminino, também está confuso. Há respostas. Não é feitiçaria. Não é tecnologia. Faz parte de uma corrida, com os lobos, de um árduo, delicado, atento e forte caminho para si mesma.

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Clarissa Pinkola Estés marcou gerações com sua abordagem sobre o feminino

A acadêmica, poetisa premiada, psicanalista junguiana diplomada e cantadora (guardiã das velhas histórias na tradição latina) Clarissa Pinkola Estés compilou vias de acesso a esta origem em Mulheres que correm com os lobos, uma obra com mais de 500 páginas com análises de contos e de mitologias sobre a mulher selvagem. A autora recomenda: “O material contido neste livro foi selecionado para lhe dar coragem. O trabalho é oferecido como um fortificante para aquelas que estão no meio do caminho, incluindo-se as que lutam em difíceis paisagens interiores bem como as que lutam no mundo e por ele.”

Mulheres que correm com os lobos já ganhou sucessivas reimpressões pela Rocco desde o lançamento no Brasil. É aquele tipo de bestseller com o qual não se deve ter preconceito algum. A alta procura significa que as falas ancestrais que Clarissa suscita encontram eco nas fêmeas de hoje (e sempre). É com o livro que começamos, mais uma vez pelo Conectivos, o Clube de Leitura Olhar Feminino, voltado para mulheres lerem mulheres.

Uma integrante do grupo que se reúne em Nova Friburgo toda terça à noite divide conosco a decisão de correr com os lobos: “Num mundo tão acelerado, essa proposta apontava para alguma conexão real – por e para mulheres –, e assim tem sido a cada dia. Uma gama de novidades sendo descobertas através desse livro incrível, que estou amando.”, diz a jornalista que quis enfatizar outra impressão bastante comum para quem participa de clubes como esse: “Outra coisa maravilhosa é a sensação de que já nos conhecíamos há muito tempo.”

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Emma Watson, atriz e Embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, recentemente também indicou o livro em seu Clube do Livro (Foto: Instagram @emmawatson)

E a conexão, como uma espécie de feromônio, vai atraindo outras lobas: “Eu hoje tomando um café de praxe na rua, conheci uma psicóloga com planos de se pós-graduar em arte terapia ou arte dramática… E jungiana. Daí tive que falar do nosso clube de leitura, do livro… Seus olhos foram brilhando. Acho que ela ainda vai procurar o clube.”, contou.

Para outra integrante, terapeuta, o livro é muito denso por isso a leitura compartilhada é tão boa. “Todos os olhares que lançamos sobre o texto e que nos remetem às nossas vidas e experiências são muito interessantes e ricos. Nunca tinha participado de um clube de leitura mas fazia parte da minha wishlist. A chance do encontro de mulheres foi bem determinante na minha decisão assim como o livro da Clarissa.”, divide. Empática, reflete: “Por outro lado, a troca entre mulheres é sempre muito fértil, difícil não dar certo. Muito para falar, admirar, espantar, desabafar, reconhecer, solidarizar, trocar, amar, sofrer…” E se diz grata pelo encontro com as amigas-lobas.

Ainda há um longo caminho para a nossa alcateia encontrar a mulher selvagem, mas estamos instigadas, a cada páginas mais. O que nos atiça e atrai é esse sumo de livro. Tanta informação sobre a fêmea… e informação viva porque experimentada, vivida e repassada em inúmeras culturas e gerações. “As historias são bálsamos medicinais. (…) A cura para qualquer dano ou para resgatar algum impulso psíquico perdido está nas histórias. Elas suscitam interesse, tristeza, perguntas, anseios e compreensões que fazem aflorar o arquétipo, nesse caso o da Mulher Selvagem.”, reforça a autora Clarissa.

Maria Fernanda é jornalista, mestre em Comunicação Social e curadora da FLINF (Festa Literária de Nova Friburgo).

TAGS: Clarissa Pinkola Estés, Clube de leitura, leitura coletiva, Mulheres que correm com os lobos, Olhar feminino,

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