Bernardo Ajzenberg ganha o Prêmio Casa de las Americas

30 de janeiro de 2015


Bernardo 2010

O escritor, tradutor e jornalista Bernardo Ajzenberg foi o ganhador do prêmio Casa de Las Americas, categoria literatura brasileira, com o desconcertante romance Minha vida sem banho, conforme anunciado nesta quinta-feira (29), em Havana, Cuba. Outorgado anualmente desde 1960, o Casa de las Americas premia os melhore títulos em diferentes categorias, como romance, poesia e ensaio, entre outros.

Minha vida sem banho venceu “por sua originalidade, emprego do simbolismo, tratamento dado às grandes questões do século XX (entre elas, o Holocausto e a ditadura militar) e outras atuais como a problemática ecológica; tudo apresentado em uma narrativa peculiar que recupera o irônico e o absurdo típico do Machado de Assis de Memórias póstumas de Brás Cubas, o que converte Bernardo em membro representativo dessa nova geração de novelistas brasileiros que impõem uma voz própria”, afirmou o júri.

Em Minha vida sem banho – lançado pela Rocco em setembro de 2014 –, Bernardo Ajzenberg retoma temas caros a sua obra, como famílias fragmentadas, hipocrisia, relações afetivas em xeque, solidão, raízes judaicas e a ditadura militar brasileira.  A trama, que tem São Paulo como pano de fundo, gira em torno de Célio Sohet Waisman, um homem que, num dia de inverno, resolve não tomar banho por conta do aquecedor quebrado, tampouco nos que se seguem, dando início a um verdadeiro projeto de vida. Usando o banho como metáfora para a falta de metas, propósitos, desejos e ações de Célio, o livro mostra como as pequenas decisões cotidianas, em meio a eventos históricos conturbados, podem ter impactos devastadores na vida de cada de um.

Sobre Bernardo Ajzenberg

Bernardo Ajzenberg (São Paulo, 1959) é escritor, tradutor e jornalista. Formado em jornalismo pela Fundação Cásper Líbero, trabalhou em diversos veículos de comunicação, como a revista Veja e os jornais Gazeta Mercantil e Folha de S.Paulo, no qual exerceu, dentre outras, a função de ombudsman. Foi também coordenador executivo do Instituto Moreira Salles. Além de participar de diversas coletâneas no Brasil e no exterior, já traduziu dezenas de obras literárias, do inglês, francês e espanhol, sendo agraciado em 2010 com o prêmio Jabuti pela tradução de Purgatório, de Tomás Eloy Martínez. É autor dos romances Carreiras cortadas (1989), Efeito suspensório (1993), Goldstein & Camargo (1994), Variações Goldman (1998), A Gaiola de Faraday (2002, prêmio de ficção da Academia Brasileira de Letras) e Olhos secos (2009, finalista do prêmio Portugal Telecom de Literatura), e do livro de contos Homens com mulheres (2005, finalista do prêmio Jabuti) — os quatro últimos publicados pela Rocco. Em 2011, Efeito suspensório e Goldstein & Camargo foram reunidos em edição única, intitulada Duas novelas, também publicado pela editora carioca.

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