As lições do professor Cadu

Chris Melo e a conclusão de Sob um milhão de estrelas
19 de janeiro de 2017


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Acabo de revisar Sob um milhão de estrelas. A versão final. Meu último encontro solitário com Cadu, Alma e tantos outros. Confesso que ainda estou naquele estado emocionado, abarrotada com os sentimentos de cada personagem, com cada lição que ficará eternamente fincada em mim. É como se o meu coração fosse pequeno para tantas dúvidas, dores e amores. Mas na verdade, é só a plenitude de ver tudo concretizado. Apenas a certeza de que saio deste livro uma pessoa diferente.

Agora que me despeço da intimidade de ter esse mundo apenas para mim, inevitavelmente, volto ao começo. Uma ideia, nem sempre vira livro. Nem tudo o que se passa pela minha cabeça vira história. O processo começa tão antes, tão dentro de mim que eu não sei se sou capaz de mostrar para vocês a enorme jornada que separa uma inspiração do momento final da publicação.

Em Sob um milhão de estrelas, o caminho foi tão longo que, fui obrigada a pegar alguns desvios, escrever outros livros e deixar a ideia inicial abandonada no limbo do meu computador por bastante tempo.

Eu quase desisti e, honestamente, desistir, muitas vezes, é um ato mais corajoso do que a insistência. Desistir é aceitar que não se pode ter tudo, que não se conquista tudo e que está tudo bem em abrir mão e aceitar que simplesmente não deu certo. Desistir te ensina a recolher os cacos e seguir em frente e isso também te deixa mais forte.

Contudo, desistir, para mim, neste caso, seria desapegar. E foi apenas por isso que não consegui deixar de contar a vida de Cadu, eu me apeguei a ele e sabia que ninguém mais poderia contar ao mundo tudo o que ele queria mostrar. Era como se ele precisasse de mim e eu não pude abandoná-lo.

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Assim, pacientemente, permiti que o cenário, a trama e as reviravoltas chegassem devagarinho. Aos pouquinhos, deixei que as visões de Cadu me levassem até pessoas, problemas, particularidades e grandes lições. Foram os olhos de Cadu que me guiaram a uma cidade fictícia como se nenhum lugar do globo fosse suficientemente bom para tudo o que ele precisava viver. Foi a última frase de Cadu que me fez começar a escrever. Foi a última frase – que está registrada no livro, no último capítulo narrado por ele – que me fez entender que eu precisava falar sobre o amor que ele aprendeu a sentir, um amor muito real, palpável e imperfeito. Um amor grandioso! E eu o agradeço tanto por isso, por me mostrar a direção, por me dizer o real motivo de estarmos ali batendo cabeça, tentando construir algo que fizesse jus ao que, até então, somente eu e ele conhecíamos.

Do primeiro clarão até este momento em que o livro está pronto para ser impresso e eternizado, muitas coisas aconteceram, tantas que não caberiam em um texto, mas posso dizer que, dentro de toda a minha limitação e imperfeição extremamente humana, sinto-me plena. É uma grande honra ter a chance de deixar no mundo um punhado de palavras carregadas de muita paixão, aprendizado e sentimentos.

Deixo neste livro tudo o que aprendi com Cadu e Alma. Tudo o que eles me ensinaram sobre resignação, sobre as coisas que precisamos admitir que não têm solução e sobre lutas que nem sempre merecem nossas armas. Deixo o que eles me ensinaram sobre a palavra família, tudo o que vi sobre perdas e recomeços. Deixo a importância da amizade e tantas outras coisas sobre a vida que ainda não entendemos.

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Está chegando a hora de compartilhar com você o produto final dessa louca e íntima jornada e eu espero que Cadu o pegue pela mão e lhe mostre tudo o que me mostrou e que você seja capaz de viver cada palavra e tudo o que há por trás delas. Se for assim, fará sentido, fará sentir.

Chris Melo é autora de livros como Sob um milhão de estrelas e Sob a luz dos seus olhos, ambos lançados pela Rocco

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