A trilha sonora das palavras

Por Chris Melo
2 de julho de 2018


Quando eu era adolescente, vivia fechada no quarto. Era uma garota que gostava muito do seu mundinho dentro do mundo. Um lugar que variava entre estudar, ler e ouvir música. Separadamente e também tudo junto. Esta sempre foi a combinação perfeita para mim: eu, escrita, estudo e música.

Meu pai, por muitas vezes, questionava se eu realmente estava estudando, já que vivia cantarolando enquanto resolvia exercícios ou sublinhava os livros. Sim, eu estava estudando e, por mais estranho que possa parecer, a música me ajuda na concentração. É assim até hoje.

Quando ponho os fones, me transporto para o meu mundo, aquele separado do resto, em que só existem os meus pensamentos e eu refletindo sobre eles. Em alguns momentos, preciso trocar a playlist, pular uma canção e outra que não estão na mesma vibração que o momento. É como se os meus pensamentos e os acordes precisassem se equalizar para me dar a paz necessária para produzir. Uma comunhão.

Há períodos em que coloco uma música para repetir até terminar um capítulo, outros em que as músicas tocam, mas não as escuto, pois assim como nos filmes, a trilha sonora faz parte de um todo, nem sempre a notamos separadamente.

Em UMA NOITE E A VIDA a música anda junto com a história e com os personagens. Eles se conhecem em um show e a primeira coisa que os une é o poder que uma canção pode ter em determinado momento. Caio presencia uma garota sentindo a música e isso se conecta imediatamente com ele, pois estilo musical e o estilo de vida de Caio são quase uma coisa só. Ele acredita que esta relação o define e também o difere como indivíduo dentro de um coletivo cheio de mesmice.

Afastando ligeiramente o estado afetado e ilusório que o nosso caro protagonista inicia esta jornada, até que ele tem certa razão. A música, especialmente, o jazz serve de fundo para a história que ele gostaria de trilhar, gostaria de viver e mais do que isso, a pessoa que ele gostaria de ser. E quem é que nunca se imaginou dentro de uma canção? Ou ainda, quem nunca se sentiu invadido por uma música que parecia falar de algo muito íntimo, muito pessoal?

Bem, de repente seja essa a resposta para essa predileção por ter sempre a música como companhia. No final das contas, músicas também contam histórias, falam sobre todas as nossas vertentes, as coisas que podemos ver e as que nunca deixamos transparecer e, talvez, por isso faça tanto sentido para mim e para o Caio.

Nesta etapa em que estamos preparando o coração para nos encontrar com os leitores, é inevitável relembrar cada etapa de construção do livro. Cada canção que surgia na cabeça de Caio completando o jogral de seus sentimentos, cada acorde que apertou o meu coração enquanto meus dedos digitavam freneticamente e cada vez que cantarolei olhando para o teto e pensando: o que faço agora? Por que mesmo resolvi contar essa história?

A resposta sempre será a mesma, sempre será para fazer sentir, para viver experiências dentro de uma história que pertence a eles, mas também a mim e a vocês. Para despertar algo que talvez esteja aí dentro e você nem sequer se deu conta.

Por isso, te convido a ouvir esta playlist que é meio minha meio de Caio, com participação especial de Virgínia. E saiba que, assim como nenhuma palavra é colocada em vão, nenhuma canção é aleatória.

Sinta!

TAGS: playlist, Uma noite e a vida,

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