A pré-história do digital

por Lúcia Reis
14 de junho de 2014


Acho que já não é mais novidade dizer que o livro digital vem ganhando cada vez mais espaço no mercado editorial brasileiro desde a estreia dos grandes players no final do ano de 2012. No entanto, apesar do evidente crescimento da área e do investimento que temos visto por parte das editoras, é ainda pouco comum vermos um trabalho informativo a respeito do livro digital.

Sempre defendo que a experiência de leitura de um livro digital vem diretamente associada a um suporte tecnológico, que varia de acordo com o dispositivo de leitura utilizado e com o player no qual a aquisição do e-book é feita. Essa questão pode parecer meramente técnica, mas, na verdade, indica um caráter comportamental do consumo de e-book que não é amplamente discutido.

Para incentivar um mercado consumidor de livros digitais é preciso antes informar ao público em potencial o que é um e-book, construindo um conhecimento básico capaz de derrubar preconceitos e desinformações que são vinculadas por falta de familiaridade com este novo meio de leitura.

Com este intuito, junto ao departamento de comunicação da editora, começamos a pensar formas de se trabalhar alguns conceitos básicos de e-book nas redes sociais. O livro digital criou, portanto, uma demanda de informação a respeito de seu manuseio que é totalmente dispensável para um livro impresso, que já nos é tão conhecido e familiar.

As primeiras conversas que tivemos já deixaram claro que, independentemente da solução encontrada, o tema precisaria ser trazido de forma lúdica e ter uma identidade visual que chamasse a atenção de um público que ainda não é leitor de e-books. Com um pouco de tempo, as ideias foram tomando forma e a estrutura de quadrinhos pareceu ser ideal para trabalhar uma campanha que seria veiculada em redes sociais.

Fizemos um longo processo seletivo, no qual encontramos vários talentosos artistas, e devo dizer que foi bastante difícil decidirmos por um, mas, no final, optamos por fechar uma parceria com o Estêvão Vieira, vulgo Stêvz, mais conhecido pelo seu trabalho na Revista Beleléu.

O Stêvz nos apresentou ao personagem Dino, um dinossauro que vive no presente, cujo livro favorito é As Comicômicas, de Italo Calvino. Além de extremamente carismático, o Dino conquista o público por representar um leitor não óbvio de e-books. Afinal, há maior contradição do que uma espécie extinta sendo defensora de uma mídia praticamente recém-nascida?

Nasce assim a série #cabeceira, trazendo toda semana o personagem em situações que servem tanto para suscitar a discussão da validade do e-book como livro quanto para nos fazer rir.

Para complementar as tirinhas, sugeri que publicássemos algumas dicas práticas e curiosidades sobre leitura digital. Dessa forma poderíamos manter as tirinhas mais descontraídas e deixar as questões mais técnicas para as dicas.

O departamento de comunicação teve, então, a excelente ideia de dar forma a estas dicas por meio de vídeos. A responsável pela produção dos mesmos, Rafaela Gama, conseguiu tornar dinâmica e divertida a abordagem de temas estritamente técnicos e pessoalmente adorei a ideia de utilizar tons monocromáticos pelo fato de que podem remeter a uma tela de e-ink.

Clique na imagem para assistir:

 

A campanha foi muito bem-sucedida e nos apontou vários dados e questões interessantes. As mais notáveis, a meu ver, é que, por um lado, vemos que, independentemente das novas tecnologias que surgiram ou possam vir a surgir, o livro impresso sempre mantém cativo o seu lugar. E, por outro, o livro digital também consegue conquistar o seu, sem invadir ou tirar o espaço do livro impresso.

De fato, o livro impresso e o digital representam experiências diferenciadas, ambos com suas vantagens e desvantagens, mas tanto um quanto o outro possuem a capacidade de nos transportar para universos que só são possíveis através da leitura e é justamente por isso que ambos os formatos têm seu espaço garantido nas prateleiras (virtuais ou físicas) dos leitores.

Lúcia Reis é Coordenadora de Livros Digitais da Rocco.

TAGS: cabeceira, Dino, ebook, Stêvz,

Comentários sobre "A pré-história do digital"

    • Olá, Jaime! Para a publicação de um livro em e-book é necessário a autorização contratual de cada título. Estamos trabalhando para aumentar a disponibilidade da obra de Clarice no formato digital. Abraços

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