A experiência de um Clube de Leitura

Como Jane Austen pode te ajudar em mais este relacionamento - Por: Maria Fernanda Macedo
14 de fevereiro de 2017


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A sala é confortável. Diante do livro, todos também ficaram. Afinal, ele podia servir tanto para o mergulho da leitura, quanto para esconder expressões constrangidas. Escolhemos dividir um livro de memórias. Começo a leitura em voz alta. Nos conhecemos em um encontro. Uma chamada apenas e nove pessoas: homens e mulheres de profissões, lugares e trajetórias distintas. Adultos, idosos e jovens se reuniram em torno de uma proposta que parecia familiar, ao mesmo tempo que distante: participar de um clube de leitura. Que experiência poderia ser essa?

No livro (e no filme) O clube de leitura de Jane Austen há uma particular triagem (e uma saborosa descrição do processo) para formar o grupo. No Conectivos, não fizemos uma seleção, mas uma chamada. Não tínhamos um autor de especial devoção para nos debruçarmos, mas um bestseller que alguns já tinham lido, inteiro ou trechos, e adorado. Veio quem queria vir. Chamados de maneira impessoal, por uma rede social. Uma das mediadoras já conduzia um Café Literário na cidade e é claro que muitos se achegaram pela presença dela.

O clube de leitura de Jane Austen

Cena do filme que adapta a história do livro de Karen Joy Fowler

Um pouco de vontade, coragem, apreço pela leitura. De resto, veio ela se instalando gorda e generosa: a intimidade. Um Clube de Leitura, aprendemos, pode falar de qualquer coisa, pode ser mais ou menos interessante diante de um ou outro livro em mãos (sim, um clube sobre Jane Austen deve ser maravilhoso e ler a experiência sobre O Clube de Leitura de Jane Austen é uma delícia, sigam adiante), mas a humanidade é o ponto. Quando há espaço para ela se instaurar… Ah, a vida pode ir trazendo das suas (qualquer uma) que a humanidade dá conta de tudo. E se encontrar e permitir que ela flua, baseada em um bom texto, olha… Dizem que é a melhor das terapias. Mas um clube de leitura não é terapia, que fique bem claro. Também não é grupo de estudo, que fique bem claro.

Diante de um bom texto, provocações de ideias, vida, memória… sinapses ocorrem! É tão pouco guardar só pra si as impressões. E é por isso que um leitor contumaz costuma adorar encontrar outro leitor que leu o mesmo livro. Um clube de leitura permite o compartilhamento. Essa palavra que ganhou novos ares em redes virtuais e tem novo significado em um espaço como o de quem divide impressões que não pode conter. Quanta vida, quanta generosidade, quanto lugar em comum e outros inusitados (lugares nunca dantes navegados, fornecidos pela leitura que o outro oferece) emergem daí.

Maria Fernanda Macedo é jornalista, mestre em Comunicação e Cultura e curadora
do Conectivos e da FLINF.

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