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As músicas da minha vida

por Thalita Rebouças
1 de outubro de 2014


Foto Thalita oficial_cortadaFazia a cama cantando Jorge Ben (na época ele não tinha o Jor), limpava o chão soltando a voz em “Meu Amigo Charlie Brown”, do Benito di Paula, e varria dançando (sozinha, não com a vassoura, infelizmente, adoraria ter visto uma cena dessas), acompanhando com desafinados nananas “In The Mood”, do Glenn Miller. Eu devia ter uns quatro anos quando a minha avó arrumava a casa cantarolando. Seu repertório era vasto, como é o meu hoje. Por isso foi tão difícil fazer a trilha sonora da minha vida, como me pediu o pessoal da Rocco para divulgar meu novo livro, 360 Dias de Sucesso.

Quando eu era pirralha tive a sorte de ver os especiais infantis que a Globo produzia. Ali conheci música boa. E gente como Ney Matogrosso (ele é o intérprete perfeito para “Galinha D’Angola”, pérola de Vinicius que faz parte da playlist da minha vida), Raul Seixas e seu inesquecível “Plunct, Plact, Zum”, Chico Buarque e seu “Caderno” (choro baldes de lágrimas sempre que ouço esta música)…

Mas na infância eu também gostava de música considerada “de velho”. Aos 14 me apaixonei de vez pelo Chico ouvindo “Cotidiano” na vitrola do meu pai. Sim, sou do tempo da vitrola, caros leitores! Mas vamos seguir adiante para falar da minha primeira paixão radiofônica (radiofônica e vitrola em frases vizinhas. É, minha gente, o tempo passa mesmo!): “Sonífera Ilha”, dos Titãs. Aos 9, eu passava o dia com o ouvido colado no radinho à espera da execução desse deleite titânico. O rock verde e amarelo nascia com força total e eu queria era cantar em português (até porque eu só embromava ao cantarolar na língua de Shakespeare). Leo Jaime, Blitz, Paralamas, Legião! Ô, época boa! Mas antes deles veio ele, o pai do rock brasileiro, o seu, o meu, o nosso amigo Erasmo Carlos. Eu cantava “Pega na Mentira” com um sorriso que só as paredes do meu quarto viam (meus dentes eram tortos, eu morria de vergonha de sorrir) e uma coreografia muito fofa. É, eu gostava de dançar as músicas que ouvia. Tanto que fui parar no jazz com uns 10 anos.

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Nas aulas, com as canelas aquecidas por polainas, aprendi a gostar de Madonna (“Crazy for You” embalava nosso alongamento) e de uma canção chamada “More than I Can Bear” (que está na playlist que preparei para o site da Rocco). Acho que foram as primeiras músicas lentinhas que ouvi com gosto (sempre fui ligada no 220, gostava das agitadinhas, como eu). Já a primeira em outra língua que me lembro de ter gostado a ponto de querer ouvir duas mil vezes seguidas (sou assim até hoje) foi “D.I.S.C.O.”, que fez parte da trilha sonora de Água Viva, novela que eu a-ma-va.

– Jura que você vai ter coragem de botar essa música na playlist que um monte de gente vai ver? – perguntou Cao assim que mostrei minhas trilhas.

– Vou, por quê? Eu amo.

– Tudo bem, cada um tem sua consciência –  disse meu marido, debochado como sempre.

Eu gosto de música considerada cafona. E não tenho o menor problema com isso. Gosto do que me diverte, que de alguma forma mexe comigo. Gosto do que muita gente gosta, mas também gosto de gostar do que pouca gente gosta. Gosto de “Mambolê”, do Trio Los Angeles. Para os “entendidos”, pode ser a pior coisa já feita em solo tupiniquim. Para mim, ouvi-la na minha pré-adolescência era sinônimo de diversão e quadris em ebulição! Quadris em ebulição? Isso não é velhice, é cafonice mesmo. Próximo parágrafo, por favor!

discos thalita

Hoje, gosto de fuçar, de descobrir, de me surpreender. Estou me embrenhando no repertório de uma banda chamada Alt-J e ando encantada com The Boy Least Likely To (gosto tanto deles que botei uma música no livro e na trilha da minha vida). Faz pouco tempo que conheci AM e foi amor à primeira ouvida. E amo Julieta Venegas e também alguma coisa de Thalía. Gosto dos Robertos (o Carlos e o Frejat), do Chico e do Sinatra. E Michael Jackson, Beatles, Elvis e Elis. E Moska, Roberta Sá e Silvia Machete. E Belle and Sebastian, Ben L’Oncle Soul, Tim Maia e Deolinda. E Ivete, Caetano, Gil, Gal e Peninha. E Alceu, Zé Ramalho, Kings of Convenience, Bossacucanova e Gonzagão. E Gonzaguinha e Marcelo Jeneci e Maná. E Queen! E Skank! E Feist e as Rosanas (a nossa e a argentina)… E Stevie Wonder! E Wilson Simonal! E Rolling Stones! E Jack Johnson e Ben Harper! E Cake e Aloe Blacc! Nando Reis! Não posso não falar de Nando Reis! E Cássia! Que mulher! E Jorge Drexler! E… Definitivamente, eu precisaria de muito mais de mil músicas para compor a trilha sonora da minha vida.

A de 360 Dias de Sucesso tem canções que amo, outras que só gosto, outras que pouco conheço. E uma música minha, “Amor na Hora Certa” (que fiz em parceria com o Raphael Rossatto). Além de criar uma letra, foram vários os desafios com este livro: o narrador é um menino, são 5 protagonistas, abordo temas que não tinha abordado até então e precisei fazer entrevistas para conhecer os bastidores desse universo tão sedutor e que me acompanha desde pequena.

Leia o livro; ouça a música. Se gostar, ouça em looping, se não gostar, não se acanhe: quando me encontrar em uma das várias sessões de autógrafos que farei pelo Brasil minta e diga que é a música da sua vidaaaa!

Ouça a minha playlist: 


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Comentários sobre "As músicas da minha vida"

  1. A música é demais! Tenho uma dúvida … aquele “ingresso” que ganhamos no encontro dos Livreiros em São Paulo, é só um brinde ou nos da algum acesso a sessão de autógrafos no lançamento do livro?

  2. Eu não gosto de ouvir música. Posso parecer um ET rsrs, mas músicas me irritam. Chego achar graça da cara das pessoas quando digo isso! Antes eu me incomodava com essa minha aversão, mas hoje já convivo bem. (Estou ansiosa pelo livro!)

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  5. Eu amo a Thalita desde os tempos de “Fala Sério….” 😉 <3 <3 e como sempre arrasando também nas escolhas das músicas |o/ Já dancei muito D.I.S.C.O em festa de casamento rsrsr 😉 PlayList internacional amo todas! Parabéns Rocco…Parabéns Thalita. Bjos! e Sucesso galera! <3 <3

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