Em primeira pessoa

As crônicas lunares

por Gustavo Bernardo
14 de outubro de 2015


trilogia cronicas lunares“Inclinando-se para a frente, o príncipe Kai pegou o pequeno pé de metal de Cinder na mesa de trabalho, virando-o com curiosidade em suas mãos. Cinder ficou tensa, observando enquanto ele olhava a cavidade repleta de fios e mexia nas articulações dos dedos do pé.”

Assim começa o primeiro volume da série As crônicas lunares, da escritora norte-americana Marissa Meyer, onde já encontramos novas versões da nossa conhecida Cinderela, bem como do seu príncipe encantado. Cinder, como seria de se esperar, logo se apaixona pelo príncipe, mas há um problema, como também seria de se esperar: o príncipe não sabe que o pé de metal que mexe com curiosidade é o pé defeituoso da própria Cinder – porque Cinder é uma ciborgue, parte humana, parte robô.

A editora Rocco publicou, até o momento, três dos quatro volumes d’As Crônicas Lunares. Todos os heróis dos quatro romances são heroínas, revivendo a Cinderela, a Chapeuzinho Vermelho, a Rapunzel e a Branca de Neve. Embora o protagonismo dessas heroínas mude de um livro para o outro, seguindo a ordem acima, trata-se da mesma história. Esta história não se passa no mundo do “era uma vez” mas sim no mundo do “será uma vez”, isto é, num futuro em que os habitantes da Lua e da Terra se encontram prestes a entrar em guerra. Nesse futuro, personagens de vários contos de fada interagem de maneira absolutamente fascinante.

A combinação dos dois gêneros literários, contos de fada e ficção científica, funciona melhor que o pequeno pé mecânico da Cinder, ou seja, funciona muito bem. Os romances de Marissa Meyer provocam o encantamento da criança que ainda somos, bem como do adulto em que nos tornamos. As histórias agarram o leitor de tal modo que é difícil largá-las para fazer outra coisa, por exemplo, trabalhar. O seu mundo fictício é mil vezes mais interessante do que o nosso. Eu li os dois primeiros volumes, Cinder e Scarlet, numa tacada só, só para ficar ansioso esperando a publicação do terceiro, Cress. Agora, começo a ler o terceiro volume, Cress, feliz da vida.

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Gustavo Bernardo combina os papéis de professor e de escritor, sabendo que às vezes um atrapalha o outro: o professor precisa demarcar o seu assunto em quadros muito bem definidos, o escritor precisa quebrar a moldura desses mesmos quadros.

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