Entrevista

Juventude e inquietação em A eternidade pelos astros

Marco Lucchesi fala sobre a coleção Memórias do futuro
22 de janeiro de 2016


A coleção Memórias do Futuro, da Rocco Jovens Leitores, é fruto de um trabalho de organização primoroso do tradutor e acadêmico Marco Lucchesi. Para saber um pouco mais sobre os bastidores desta produção, batemos um papo com Lucchesi sobre o novo livro da coleção: A eternidade pelos astros.

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Como se dá a escolha dos títulos da coleção Memórias do Futuro? Por que ou de que forma Blanqui se encaixa nesta seleção?

ML: Ela recai sobre textos clássicos que emocionem e respeitem a inteligência dos jovens leitores, que os inspire e mobilize. O caso de Blanqui responde justamente por uma compreensão fascinante do universo, da realização de todos os possíveis. É o que inspira nossos leitores jovens.

Louis-Auguste Blanqui é mais conhecido por sua atuação política do que no campo literário. De que forma A eternidade pelos astros dialoga com a trajetória de vida do autor e revolucionário?

ML: É verdade, o Blanqui da revolução política é uma das grandes referências. Podemos dizer que A eternidade pelos astros é também um gesto revolucionário, uma ousadia, uma nova forma de olhar o universo.

A eternidade pelos astros é um livro que ultrapassa fronteiras de gênero. Tratado científico? Ensaio cosmológico-filosófico (se é que se pode utilizar tal expressão)? Ou somente uma grande “viagem” de um homem que passou grandes períodos de sua vida na prisão por conta de seus ideais utópicos? Como você vê a obra de Blanqui dentro do cânone da literatura universal?  

ML: Exatamente isso, ao mesmo tempo, sem dúvida. Um estilo claro e atraente, um ensaio aberto, um ensaio poético, um texto de primeira qualidade, que vem sendo cada vez mais estudado ou redescoberto.

De que forma Blanqui influenciou pensadores como Friedrich Nietzsche?

ML: É uma discussão que não termina sobre a possibilidade ou não de ter havido influência. Corre entre os dois um horizonte temático fascinante, do universo de repetições, em Blanqui, à filosofia trágica de Nietzsche. O leitor atento poderá arriscar um caminho.

No final do texto de apresentação de A eternidade pelos astros, você afirma: “Este livro guarda um misterioso encantamento, tanto ou mais irresistível que as sereias da Odisseia. Depois de ouvir seu canto, já não existem saídas de emergência.” Qual é o maior encantamento que o livro pode produzir no jovem leitor desta segunda década do século XXI?

ML: O direito de sonhar, o primeiro e mais urgente motivo, quando certas linhas pedagógicas acabam diminuindo o lugar da criatividade e da reflexão criativa. Porque há muita juventude nesse livro, muita inquietação. Como se o jovem leitor também se visse na tarefa iminente de redesenhar o mundo, que aos poucos será seu.

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