A memória é testemunha e não juiz nesta obra-prima do escritor italiano Primo Levi (1919-1987). Em É isto um homem, Levi conta seu sofrimento num lager, campo de extermínio, sem contudo apiedar-se do seu destino, ou tentar vingar-se, aproveitando-se do distanciamento seguro da narração.
Deportado para Auschwitz em 1944, o escritor foi um dos três judeus, em 650 companheiros de infortúnio, a sobreviver, retornando à Itália e a seu trabalho de químico em 1945.
O desejo de melhor compreender esta terrível experiência, no entanto, o impulsionou a escrever nove relatos, entre ensaios, poemas e justamente É isto um homem?
A precisão da linguagem de Levi, que recusa descrições minuciosas, preferindo entender estados de espírito, sua vivência original e sua firmeza pessoal fazem desta obra uma leitura da qual é impossível se escapar ileso.
É isto um homem? é um libelo contra a morte moral do indivíduo. Contra o homem que se deixou desumanizar.