Entrevista

Os leitores brasileiros entrevistam Marie Lu

Autora da Trilogia Legend fala sobre seus livros, carreira e política
14 de outubro de 2014


marie lu“Todos nós vivemos em nossas próprias distopias e o único jeito de vencer é não fugir”. Em entrevista concedida aos leitores brasileiros como parte do concurso promovido pela Rocco Jovens Leitores em parceria com o Sagas Legend-Brasil, a escritora Marie Lu fala sobre a Trilogia Legend, seu início de carreira, videogames, o livro The Young Elites, política e até mesmo eleições no Brasil.

Sucesso internacional, a saga de Day e June ganhou novas edições de seus primeiros volumes, Legend e Prodigy, em setembro, mesmo mês de lançamento de seu aguardado desfecho, Champion.

No Brasil, estamos vivenciando uma intensa campanha eleitoral. Metade do povo está insatisfeito com seus atuais representantes e o sentimento de mudança é muito grande. Nesse contexto, algumas frases do livro se mostram muito atuais, nos fazem refletir sobre a importância de aproveitar nosso direito ao votar e eleger nossos representantes com a consciência de que, de certa forma, eles que serão responsáveis por mudar o sistema por dentro. Enquanto escrevia a Trilogia Legend, você pensava sobre a política que vivenciava no seu dia a dia? (Maria Lidia Lima)

Uau, as coisas devem ter sido eletrizantes no Brasil durante as eleições. Acabei de ver no jornal e parece que a disputa está acirradíssima. Essa é uma pergunta tão boa e relevante. Comecei a escrever Legend em 2009, quando os Estados Unidos também estavam muito divididos politicamente – Obama tinha acabado de ser eleito e a nossa economia tinha atingido seu ponto mais crítico. Nossos dois principais partidos se odiavam. Pensei: e se eu pegasse os nossos partidos, os esticasse até seus extremos e então dividisse o país entre os dois? O mundo de Legend nasceu daí.

Como você escreveu Life Before Legend, existe a possibilidade mesmo que remota de que você escreva algo pequeno após o termino da trilogia como, por exemplo, Life After Legend? (Maria Gabriela Fernandes)

Há uma chance remota, mas, mesmo que eu escreva, não será no futuro próximo. Gosto de ver os leitores tirando suas próprias conclusões sobre o final da trilogia.

Após escrever uma trilogia distópica, como ficou sua visão sobre as ações políticas contemporâneas? Você passou a ver o mundo de outra forma ou a interpretar atos políticos de maneira diferente ao entrar em contato com o governo da sua trilogia? (Antônio Augusto)

Não acho que comecei a ver o governo de maneira diferente depois da trilogia – embarquei na trilogia com uma ideia bem específica de como eu queria que o mundo fosse, então isso não mudou as minhas opiniões. Essencialmente, queria mostrar que não existe isso de utopia. Todos nós vivemos em nossas próprias distopias, e o único jeito de vencer é não fugir, mas mudar o seu próprio país para melhor.

trilogia legend

Seu novo livro, The Young Elites, fala da história de uma garota que se torna vilã com superpoderes em uma versão alternativa da Renascença italiana. O que faria um leitor que amou ler sobre dois jovens decididos a acabar com uma sociedade opressora e tornar o mundo deles um lugar melhor acompanhar as aventuras de uma adolescente que vai querer o oposto disso? O que a história de Adelina vai reservar para quem lê os seus livros? (Leticia Ramos de Mello Oliveira)

A história de Adelina é, essencialmente, a resposta para a pergunta – e se você, diferentemente do Day e da June, não pudesse emergir da escuridão do seu mundo? Queria muito brincar com essa ideia porque penso que todo mundo tem um pequeno vilão dentro de si, às vezes. Espero que todos nós possamos nos identificar com isso.

Marie Lu, você escreveu a Trilogia Legend sob o ponto de vista do Day e da June. Você pretende escrever alguma coisa sob o ponto de vista do Thomas, Metias, Kaede, Tess…? (Luis Pirani)

No momento, não estou planejando escrever nada no universo de Legend, mas nunca diga nunca! Vamos ver… 

Você disse que inicialmente a June seria um menino. Quanto isso mudaria da história? (Angélica Gomes)

Acho que algumas coisas poderiam continuar iguais, como a tensão e a dinâmica entre o Day e a June, mas acho que a história ficaria desbalanceada. June como mulher, para mim, realmente deixa o elenco feminino do livro balanceado como eu queria.

De uma programadora viciada em Assassin’s Creed para outra: como ex-programadora de games, você chegou a se inspirar em algum jogo ou cenário de jogo para escrever a trilogia? (Jaqueline Estevos)

Sempre! O mundo de Young Elites foi inspirado, em parte, pelo cenário de Assassin´s Creed – Renascença, e as lutas de Skiz em Legend foram inspiradas em Street Fighter.

Marie Lu, você mudaria algum acontecimento de algum dos livros da trilogia? (Guilherme Augusto)

Sempre há pequenas coisas que eu mudaria, mas não os principais pontos da trama. Estou satisfeita com o resultado.

Trilogia_legendMarie Lu respondeu ainda mais quatro perguntas da equipe do Sagas-Legend Brasil :):

Poderia falar mais sobre o livro The Glass Sonata? Sabemos apenas que é um livro narrado sobre o ponto de vista de Day e Anden que você escreveu há muito tempo, mas nunca conseguiu uma editora para publicar. Qual é a história desse livro?

Ah, The Glass Sonata. A história se passava em um mundo fantástico e também tinha Day como um jovem rebelde lutando para libertar seu povo da escravidão. Naquela versão, Anden tinha o papel que Tess tem agora: ele era o melhor amigo de Day nas ruas. No entanto, ele não era nem de perto tão interessante quanto é hoje.

Como e quando você percebeu que seu destino era escrever e como isso afetou sua vida?

Percebi que queria ser escritora quando tinha 13 anos. Foi quando vi uma reportagem sobre uma menina chamada Amelia Atwater-Rhodes que teve seu primeiro livro publicado quando tinha a mesma idade. Lembro-me de ter pensado: “Uau, pessoas comuns escrevem livros – e ela tem a minha idade! Quero fazer isso.”

Quando terminou de escrever o primeiro livro da trilogia, como fez para que ele fosse aceito por alguma editora? A história foi aceita com facilidade ou você teve que reformulá-la diversas vezes até chegar ao que ela é hoje?

Fiz duas rodadas de revisão antes que meu agente e eu enviássemos o original para as editoras, mas, depois disso, tudo estava praticamente pronto.

Quais são as maiores diferenças entre June e Adelina? E as semelhanças?

June e Adelina definitivamente não se dariam bem (risos). Acho que elas não confiariam uma na outra porque as duas podem ser muito teimosas e desconfiadas. A principal diferença entre elas é que enquanto June é completamente racional e usa sua inteligência para o bem, Adelina é movida por emoções sombrias e frequentemente age sem perceber a força dos seus poderes.

 

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Comentários sobre "Os leitores brasileiros entrevistam Marie Lu"

  1. Olá boa tarde !
    essa trilogia legend é uma ótima distopia
    os personagens Day e June são muito legais
    Tess personagem feminina foi inspirada no Jogo The Last of uS depois de jogo Vorazes e Trilogia Divergente essa trilogia é perfeita

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