O som em As águas-vivas não sabem de si

11 de maio de 2016


A história pode estar cercada de água, mas o som tem uma importância gigantesca no livro As águas-vivas não sabem de si.

As aguas_Vivas_4

De detalhes como o nome da estação de pesquisa onde estão os personagens (Auris, ou “ouvido” em latim) até as canções das baleias e o som misterioso que motiva o cientista da história a vasculhar o oceano em profundidades onde o ser humano não é bem-vindo, o som marca presença nas páginas, ainda que elas sejam silenciosas, como são as letras impressas até que alguém as leia.

Se o som é importante, música não poderia faltar. Não só porque algumas músicas de fato aparecem na história, mas principalmente porque elas me ajudaram – e muito – a atravessar essa jornada que foi escrever o livro.

Fiz uma seleção dessas músicas em uma playlist do Spotify, para você poder prender o fôlego, abrir os ouvidos e mergulhar na história 😉

“Starman”, do David Bowie, é uma das músicas que os personagens escutam dentro da estação de pesquisa, assim como “Sangue latino”, um clássico do Secos & Molhados. “Starman”, que na versão brasileira virou “Astronauta de Mármore”, é uma música que desde o começo eu sabia que deveria entrar na história: e se esse “starman” de que fala a música estivesse, na verdade, debaixo d’água? Obrigada, Bowie.

starman

Florence + the Machine foi a trilha sonora que mais me acompanhou enquanto eu escrevia. Aliás, o álbum “Ceremonials” tem letras tão oceânicas que seria difícil encontrar outra trilha sonora que se encaixasse melhor com o livro.

Entre todas da Florence que selecionei para a playlist, a mais marcante é “No light, no light”. Além de falar sobre não haver luz em “seus brilhantes olhos azuis” (exatamente o que é o oceano nas profundezas: escuridão total), foi ao som dela que escrevi uma das últimas cenas da história, então pense no nível de arrepio que essa música me causa – quando você chegar lá, talvez você entenda por quê.

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Tem música da trilha de A Pequena Sereia? Claro! Escolhi “Part of your world” em referência a um trecho em que a mergulhadora Corina conta sobre os objetos que a fazem recordar de suas visitas ao oceano. A Vivi, uma das editoras da Rocco, comentou que isso a fez lembrar de A Pequena Sereia, e achei maravilhoso! Até porque a protagonista do livro tem um quê de Ariel nesse ponto: quer fazer parte de um mundo que não é o dela.

pequena sereia

“Falling”, da banda HAIM, fala sobre um apelo, sobre vozes entoando um chamado. Em As águas-vivas não sabem de si, também há um chamado que atrai os personagens, e é em busca de entender de onde ele vem que o doutor Martin está disposto a arriscar tudo. Porque, como canta Elza Soares, “coração do mar é terra que ninguém conhece”.

“The Commander Thinks Aloud” é sobre o ônibus espacial que se desintegrou ao entrar na atmosfera da Terra, o que parece não ter nada a ver com a história. Mas essa música também me acompanhou durante a escrita e seu clima de tragédia iminente combina bastante com um dos capítulos (só lendo para descobrir qual).

Cada uma das músicas também carrega um pouquinho do significado da história, ainda que a relação entre uma e outra não seja evidente de primeira. Mas tenha certeza: o significado está lá, assim como estão as criaturas abissais em profundidades escuras demais para podermos enxergar.

A música que fecha a playlist também é a mais indicada para você ouvir enquanto lê o livro: “En lo profundo del mar”, que basicamente traz sons do fundo do mar e baleias cantando. Aliás, o livro já estaria muito bem representado por uma playlist feita exclusivamente com canções de baleias!

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Escrever As águas-vivas não sabem de si foi uma experiência bem sonora para mim. Espero que goste desta playlist, que é acima de tudo um convite para você ler o livro; da mesma forma que a história é, no final das contas, um convite para ouvir o oceano.

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