Fale-nos um pouco sobre como você desenvolveu seu estilo.
Jeffrey Fulvimari: Se você vir os meus cadernos de desenhos de quando eu tinha 16 anos, vai notar que a temática do meu trabalho ainda é a mesma. Meu estilo atual surgiu depois de anos fazendo outras coisas. Tenho dívida tanto com Ben Shahn quanto com Andy Warhol. Mas, na verdade, foi David LaChapelle, meu melhor amigo quando me mudei para Nova York, que me estimulou a fazer o que estou fazendo.

Sua arte teve uma enorme influência no mundo da moda e do design. Como aconteceu?
Jeffrey Fulvimari: Quando comecei a desenhar, em todo lugar só havia fotos, fotos, fotos, e eu percebi que havia um vácuo a preencher. Escolhi fazer ilustrações justamente porque era uma arte morta, desprezada e ridicularizada no mundo da arte dito sério.

Que artistas o influenciaram mais?
Jeffrey Fulvimari: Os primeiros que me impressionaram foram Peter Max e Charles Schulz. Warhol, claro, foi uma grande influência. O que adoro em Andy Warhol é que ele incluía todo tipo de pessoa em seu mundo. Também sempre admirei Walt Disney pelo calor das produções em que ele botava sua mão. A estilista Anna Sui, que foi uma das primeiras pessoas a me contratar, também me influenciou muito. Ela é uma das poucas designers bem-sucedidas que procura e estimula novos talentos.

Você tem uma surpreendente habilidade para criar arte que agrada a garotas e mulheres. Por quê?
Jeffrey Fulvimari: Tenho muitas mulheres na minha família, então, por osmose, minha vida foi um mestrado em coisas de que as mulheres gostam.

Qual é seu método de trabalho?
Jeffrey Fulvimari: Eu começo com um rascunho tosco. Então eu redesenho partes e o escaneio no computador para manipular a imagem. Daí chego a uma imagem que parece um desenho espontâneo. Tem gente que vê computadores como opressivos, mas eu adoro ter um.

Este é seu primeiro livro infantil. Conte-nos sobre os desafios de ilustrar para crianças em comparação com seus outros trabalhos.
Jeffrey Fulvimari: Com As Rosas Inglesas eu pude ser expressivo e leve, usando temas que não seriam tão alegres num trabalho para adultos. Eu, de fato, fiquei conhecendo as meninas do livro. Ilustrar é como atuar - você incorpora os personagens que desenha, você os veste e descobre como eles reagiriam a certas coisas. As Rosas Inglesas foram os primeiros personagens a quem dei vida. Elas pareciam ser minhas filhas e eu me sinto um pai protetor.

Descreva o processo criativo ao fazer este livro com Madonna e Callaway.
Jeffrey Fulvimari: Com Madonna, trabalhei sobretudo via Internet. Ela sabia exatamente o que queria, o que não me surpreendeu nem um pouco. Ela era muito específica e, portanto, uma grande diretora de arte. Nicholas Callaway, expert em livros infantis, foi uma constante fonte de apoio, boa vontade e idéias. Nós começamos, como com qualquer trabalho de ilustração, com rascunhos, e as quatro rosas saíram direto da minha caneta. Tudo feito em segredo, então realmente era algo diferente, eu trabalhava escondido mesmo dos amigos que me hospedavam na cidade.

Você tem um senso de cores maravilhoso. De onde isso veio?
Jeffrey Fulvimari: Meu senso de cores é quase sempre aleatório. Adoro ser aleatório. Muito da minha educação foi com professores que estudaram na Bauhaus, então teoria das cores era levada a sério.

Você está satisfeito com o resultado final?
Jeffrey Fulvimari: Claro que estou. Esse trabalho me lembrou que desenhar é divertido, o que foi uma das razões para escolher esta profissão desde o início.

Você acha que o livro vai agradar a meninos?
Jeffrey Fulvimari: As coisas são muito divididas em categorias hoje em dia. O livro nos traz uma história valorosa, que pode ser traduzida para muitas situações e pontos de vista diferentes.

O que você espera que as crianças ganhem com este livro?
Jeffrey Fulvimari: Eu espero que elas tenham assunto para conversar, e espero que as aproxime de seus pais e professores. Espero que elas gostem dos desenhos e percebam que eu criei um mundo que agrade a seu senso de bem-estar.

Apesar de você ser renomado no mundo da moda, você ainda é uma espécie de segredo bem guardado. Por quê?
Jeffrey Fulvimari: Sempre fui uma espécie de outsider. Eu trabalho sozinho a maior parte do tempo, vivo nas montanhas e mando tudo por e-mail, e a maior parte do meu trabalho está no Japão. O Japão é o lugar certo se você é um ilustrador. Eu tenho trabalhado lá há muito tempo e é difícil manter esse ritmo e, ao mesmo tempo, me tornar conhecido em Nova York, onde os trabalhos são em menor quantidade e mais espaçados, mesmo para os que são conhecidos. Também acho que os americanos são um pouco insensíveis quando se trata de desenhos.

Quais são seus próximos projetos?
Jeffrey Fulvimari: Bem, há quatro anos eu tenho uma grife de design no Japão, e dedico a isso a maior parte do meu tempo. Essa marca vai ser lançada nos EUA na primavera de 2004.
Que conselho você daria a crianças que queiram virar um artista famoso como você?
Jeffrey Fulvimari: Não espere ser contratado, comece a desenhar como se já estivesse trabalhando. Vá direto ao topo. Submeta-se às críticas mais cruéis possíveis e à rejeição. Acostume-se com isso porque nunca acaba, então quanto mais cedo se tornar imune, melhor.

Como você vê o seu sucesso?
Jeffrey Fulvimari: O que ficou claro para mim através dos anos é que, na labuta do dia-a-dia, desenhar é apenas um trabalho como qualquer outro. Às vezes é muito, muito divertido, mas na maior parte do tempo é um trabalho sério com responsabilidades e deveres. Sim, é um sonho e na maior parte do tempo eu me sinto sortudo, mas tem um lado brutal.

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