Sua arte teve uma enorme
influência no mundo da moda e do design. Como aconteceu?
Jeffrey Fulvimari: Quando comecei
a desenhar, em todo lugar só havia fotos, fotos, fotos, e eu percebi
que havia um vácuo a preencher. Escolhi fazer ilustrações
justamente porque era uma arte morta, desprezada e ridicularizada no mundo
da arte dito sério.
Que artistas o influenciaram
mais?
Jeffrey Fulvimari: Os primeiros
que me impressionaram foram Peter Max e Charles Schulz. Warhol, claro,
foi uma grande influência. O que adoro em Andy Warhol é que
ele incluía todo tipo de pessoa em seu mundo. Também sempre
admirei Walt Disney pelo calor das produções em que ele
botava sua mão. A estilista Anna Sui, que foi uma das primeiras
pessoas a me contratar, também me influenciou muito. Ela é
uma das poucas designers bem-sucedidas que procura e estimula novos talentos.
Você tem uma surpreendente
habilidade para criar arte que agrada a garotas e mulheres. Por quê?
Jeffrey Fulvimari: Tenho muitas
mulheres na minha família, então, por osmose, minha vida
foi um mestrado em coisas de que as mulheres gostam.
Qual é seu método
de trabalho?
Jeffrey Fulvimari: Eu começo
com um rascunho tosco. Então eu redesenho partes e o escaneio no
computador para manipular a imagem. Daí chego a uma imagem que
parece um desenho espontâneo. Tem gente que vê computadores
como opressivos, mas eu adoro ter um.
Este é seu primeiro
livro infantil. Conte-nos sobre os desafios de ilustrar para crianças
em comparação com seus outros trabalhos.
Jeffrey Fulvimari: Com As Rosas
Inglesas eu pude ser expressivo e leve, usando temas que não seriam
tão alegres num trabalho para adultos. Eu, de fato, fiquei conhecendo
as meninas do livro. Ilustrar é como atuar - você incorpora
os personagens que desenha, você os veste e descobre como eles reagiriam
a certas coisas. As Rosas Inglesas foram os primeiros personagens a quem
dei vida. Elas pareciam ser minhas filhas e eu me sinto um pai protetor.
Descreva o processo criativo ao fazer este
livro com Madonna e Callaway.
Jeffrey Fulvimari: Com
Madonna, trabalhei sobretudo via Internet. Ela sabia exatamente o que
queria, o que não me surpreendeu nem um pouco. Ela era muito específica
e, portanto, uma grande diretora de arte. Nicholas Callaway, expert em
livros infantis, foi uma constante fonte de apoio, boa vontade e idéias.
Nós começamos, como com qualquer trabalho de ilustração,
com rascunhos, e as quatro rosas saíram direto da minha caneta.
Tudo feito em segredo, então realmente era algo diferente, eu trabalhava
escondido mesmo dos amigos que me hospedavam na cidade.
Você tem um senso
de cores maravilhoso. De onde isso veio?
Jeffrey Fulvimari: Meu
senso de cores é quase sempre aleatório. Adoro ser aleatório.
Muito da minha educação foi com professores que estudaram
na Bauhaus, então teoria das cores era levada a sério.
Você está
satisfeito com o resultado final?
Jeffrey Fulvimari: Claro
que estou. Esse trabalho me lembrou que desenhar é divertido, o
que foi uma das razões para escolher esta profissão desde
o início.
Você acha
que o livro vai agradar a meninos?
Jeffrey Fulvimari: As
coisas são muito divididas em categorias hoje em dia. O livro nos
traz uma história valorosa, que pode ser traduzida para muitas
situações e pontos de vista diferentes.
O que você espera
que as crianças ganhem com este livro?
Jeffrey Fulvimari: Eu
espero que elas tenham assunto para conversar, e espero que as aproxime
de seus pais e professores. Espero que elas gostem dos desenhos e percebam
que eu criei um mundo que agrade a seu senso de bem-estar.
Apesar de você ser
renomado no mundo da moda, você ainda é uma espécie
de segredo bem guardado. Por quê?
Jeffrey Fulvimari: Sempre
fui uma espécie de outsider. Eu trabalho sozinho a maior parte
do tempo, vivo nas montanhas e mando tudo por e-mail, e a maior parte
do meu trabalho está no Japão. O Japão é o
lugar certo se você é um ilustrador. Eu tenho trabalhado
lá há muito tempo e é difícil manter esse
ritmo e, ao mesmo tempo, me tornar conhecido em Nova York, onde os trabalhos
são em menor quantidade e mais espaçados, mesmo para os
que são conhecidos. Também acho que os americanos são
um pouco insensíveis quando se trata de desenhos.
Quais são seus próximos
projetos?
Jeffrey Fulvimari: Bem,
há quatro anos eu tenho uma grife de design no Japão, e
dedico a isso a maior parte do meu tempo. Essa marca vai ser lançada
nos EUA na primavera de 2004.
Que conselho você daria a crianças que queiram virar um artista
famoso como você?
Jeffrey Fulvimari: Não espere ser contratado, comece a desenhar
como se já estivesse trabalhando. Vá direto ao topo. Submeta-se
às críticas mais cruéis possíveis e à
rejeição. Acostume-se com isso porque nunca acaba, então
quanto mais cedo se tornar imune, melhor.
Como você vê
o seu sucesso?
Jeffrey Fulvimari: O que
ficou claro para mim através dos anos é que, na labuta do
dia-a-dia, desenhar é apenas um trabalho como qualquer outro. Às
vezes é muito, muito divertido, mas na maior parte do tempo é
um trabalho sério com responsabilidades e deveres. Sim, é
um sonho e na maior parte do tempo eu me sinto sortudo, mas tem um lado
brutal.