Capa do livro Rio-Paris-Rio

Rio-Paris-Rio

Autor: luciana hidalgo

Preço: R$ 24,50

160 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2989-3

Assuntos: FICÇÃO – ROMANCE/NOVELA, FICÇÃO NACIONAL

Selo: Rocco

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Disponível em e-book

Preço: R$ 16,00

E-ISBN: 978-85-8122-668-2

Maria e Arthur se encontram em Paris no início de 1968. Ela estuda filosofia na Sorbonne, ele é poeta e artista de rua. Juntos vivem os excessos daqueles anos de revoluções e utopias e fogem da ditadura no Brasil, divididos entre o deslumbramento pelo que o Velho Mundo lhes oferece e a permanente sensação de que são intrusos na grande festa que é Paris. Duas vezes ganhadora do prêmio Jabuti – por Literatura da urgência: Lima Barreto no domínio da loucura (Teoria e Crítica Literária) e Arthur Bispo do Rosário – O senhor do labirinto (Biografia) – a jornalista e escritora Luciana Hidalgo estreou na ficção com O passeador, ambientado no Rio de Janeiro da Belle Époque. Agora, em seu segundo romance, a autora narra uma história de amor, sonhos e desilusões, tendo como pano de fundo um período conturbado da história, tanto na Europa quanto no Brasil, com uma prosa poética e potente.

Maria passa o dia lendo Descartes e tenta seguir à risca as orientações do professor de filosofia sobre métodos de simetria e perfeição na condução de sua vida. Arthur é um libertário, idealista e sonhador, inimigo da rotina e artista nato. A realidade do Brasil, imerso numa ditadura violenta, é a sombra que permeia a relação dos dois, e também o apartamento ao lado, onde outro brasileiro, conhecido como “Marechal”, reúne estrangeiros que passam pelo mesmo problema em seus países e articulam um modo de resistir ao poder brutal das armas.
 
Embora o livro se passe em 1968, ano de transformações culturais e comportamentais no mundo todo, em especial na França, seu tema soa bem atual, não apenas pelo avanço de pensamentos reacionários por toda a parte, mas também devido à importante questão dos refugiados que entram na Europa todos os dias e já provocam reações pouco amistosas de boa parte da população e dos políticos. Maria, ao refletir sobre o afrancesamento de nomes próprios estrangeiros, uma forma de torná-los mais familiares e menos ameaçadores, entende bem a sua situação e se angustia com isso. “O próprio termo francês étranger, usado para o estrangeiro, significa também estranho, aquele que destoa do meio. Quando ela entendeu isso, entendeu tudo. Todo estrangeiro é um intruso, ela sabe.”
 
Os personagens do romance flanam por uma Paris que Luciana conhece muito bem. Eles sabem, pelo menos Maria tem plena consciência disso, que naquela cidade, naquele país, eles não são anfitriões e sim convidados, e à medida que vão ouvindo relatos de torturas e mortes no seu país natal, à medida que Maria sente o seu passado assombrá-la em pesadelos, a sensação de não identificação vai se intensificando, como o “estrangeiro” de Camus. Em meio a isso, ela experimenta LSD, entra, sem querer, na manifestação dos estudantes parisienses pelos bulevares (que ficou conhecida como Maio de 68) e se lembra de seu próprio país. Arthur está longe, em mais uma de suas peregrinações por qualquer canto onde se sinta bem, e ela, desamparada, aguarda o seu regresso enquanto sua lembrança se faz presença inevitável, por exemplo, nas conversas com Luc, herdeiro de um esnobismo de aristocratas do passado que faz Maria perceber, exatamente, como esse Velho Mundo está proibido para ela.
 
Luciana Hidalgo reforça, neste livro, outra característica sua, bem presente nas obras anteriores: a identificação com aqueles que vivem à margem, os que se opõem ao sistema e não se permitem levar a vida certinha que lhes oferecem, os que lutam contra injustiças e pagam com a própria vida, os chamados loucos, com suas realidades essencialmente próprias, personagens sempre capazes de proporcionar uma rica literatura. 

Nas digressões filosóficas que Luciana vai destilando através de sua protagonista, encontramos reflexões de uma geração aturdida com acontecimentos políticos que fogem ao seu controle e deságuam em “guerrilhas, cardinales, caras de presidentes”, como na música Alegria, Alegria, de Caetano Veloso (que Maria adora ouvir na vitrola de seu quartinho), ou nas barricadas erguidas pelos estudantes de Paris. Em meio a tanta turbulência, resta a utopia de Arthur, que se senta na rua com a máquina de escrever e produz poemas preconcebidos para qualquer assunto. Ao lado, a placa diz: “o artista está na rua.”

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O AUTOR

Luciana Hidalgo era repórter do Jornal do Brasil quando teve a ideia de escrever Arthur Bispo do Rosario – O senhor do labirinto. Lançada em 1996, a biografia foi um grande sucesso de mídia e crítica, rendendo à autora um prêmio Jabuti na categoria Reportagem. Ao longo das décadas, tornou-se uma obra de referência nos estudos acadêmicos sobre Bispo e em 2011 ganhou nova versão, atualizada e revista pela autora. Em 2012, virou filme, o homônimo O senhor do labirinto, lançado nos cinemas pela Tibet Filmes.

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