Capa do livro A Comuna de Paris

A Comuna de Paris

1871: origens e massacre

Autor: john merriman

Tradução: Bruno Casotti

Preço: R$ 59,50

400 pp. | 16x23 cm

ISBN: 978-85-69474-02-9

Assuntos: HISTÓRIA, POLÍTICA

Selo: Anfiteatro

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Disponível em e-book

Preço: R$ 29,50

E-ISBN: 978-85-69474-05-0

“Praticamente pela primeira vez na vasta literatura sobre o tema, os integrantes da Comuna

são apresentados e ganham vida como indivíduos complexos, em vez de heróis proletários esquemáticos.”

The New Yorker


“Esta vívida narrativa resulta de uma vida de estudos ricos e detalhados dos movimentos sociais franceses no século XIX. É incomparável nas descrições do papel das mulheres na Comuna e da maneira como os conservadores estigmatizavam os pobres de Paris.” – The New York Review of Books


Uma sociedade mais igualitária, fraterna e livre era a promessa de um governo criado por militantes de esquerda na poderosa Paris da segunda metade do século XIX. Nesta comunidade, ou melhor, comuna, as classes populares formadas por trabalhadores, operários e miseráveis, oprimidas pelas péssimas condições de vida, poderiam finalmente circular na face iluminada da Cidade Luz, cuja ribalta era reservada somente para uma elite que desfrutava dos confortos remanescentes do passado imperial da capital francesa. Mas os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, lemas da Revolução Francesa, viriam a ser esmagados sob o som das baionetas, fuzis e das mitrailleuses – que inspiraria a criação da metralhadora. Por uma semana, Paris mergulhou em sangue. O governo francês instalado em Versalhes reprimiu violentamente essa sociedade autônoma. Em uma semana, corpos de homens, mulheres e crianças, fossem ou não simpatizantes da Comuna, tomaram as ruas de Paris no que foi chamado de Semana Sangrenta, de 21 a 28 de maio de 1871, considerado o maior massacre da Europa no século XIX.
 
A Comuna de Paris – 1871: origens e massacre, do prestigiado historiador da Universidade de Yale John Merriman, conta a história dessa sociedade que pretendia realizar o sonho de uma cidade onde todos se cumprimentassem pelo nome de cidadãos, e não de monsieur e madame, retrato de uma sociedade desigual, dominada por uma elite desumana, que vivia às custas de uma imensa classe de trabalhadores. Esses últimos, por sua vez, apesar de viverem em Paris, jamais podiam ser vistos circulando no Champs Elisées ou passando o tempo nas inúmeras cafeterias e bistrôs da capital francesa.
 
Em 18 de março de 1871, parisienses que moravam em Montmartre despertaram ao som das tropas francesas tentando se apoderar dos canhões da Guarda Nacional. As tropas estavam sob ordens de Adolphe Thiers, conservador que era chefe de um governo provisório recentemente instalado em Versalhes, antes residência dos Bourbon, monarcas do Antigo Regime. Thiers, temendo a mobilização de parisienses irados e radicais, queria desarmar Paris e sua Guarda Nacional. Os postos da Guarda eram preenchidos, em sua maior parte, por trabalhadores que queriam uma república forte e estavam enfurecidos com a capitulação do governo provisório na desastrosa guerra contra a Prússia, que começara em julho do ano anterior e causara a queda do Segundo Império (1852-1870), liderada pelo fraco Napoleão III.
 
Apesar dos esforços do exército francês, os homens e mulheres de Montmartre, Belleville e Buttes-Chaumont impediram corajosamente que as tropas tomassem os canhões. Frustrado, Thiers retirou suas forças de Paris para Versalhes, onde planejou reagrupá-las e, mais adiante, retomar a cidade. Milhares de parisienses ricos se juntaram a ele. Em Paris, militantes de esquerda proclamaram a Comuna, um governo autônomo e progressista que trouxesse liberdade para os parisienses. Famílias de bairros proletários passeavam pelos beaux quartiers da capital, imaginando uma sociedade mais justa, e se preparavam para tomar medidas a fim de tornar isso realidade. O hino da Comuna era “A Marselhesa”, que posteriormente tornou-se o hino nacional francês. A Comuna durou dez semanas antes de ser aniquilada durante a última e sangrenta semana de maio. Foi um massacre: em uma semana, foram executados mais de 15 mil parisienses.  
 
Merriman retrata a criação e queda da Comuna por meio, principalmente, de seus personagens. A revolucionária Louise Michel foi considerada a representante maior da força feminina da Comuna, na qual as mulheres tiveram papel essencial na defesa da cidade. As parisienses não só cuidavam dos feridos atacados pelo Exército de Versalhes como também pegavam em armas na defesa do ideal da Comuna. O arcebispo Georges Darboy foi um dos muitos representantes da Igreja Católica feitos refém pela administração da Comuna. A Igreja era responsabilizada por representar os valores aristocráticos e por compactuar com o profundo abismo social existente na cidade. Por isso, durante a Comuna, vários prédios e instalações com símbolos religiosos foram atacados, num prenúncio ao laicismo que marca a sociedade francesa atual. À medida que Thiers se aproximava da capital, demolindo as defesas deficientes da Comuna, reféns significavam a última alternativa de resistência dos militantes. Dezenas deles foram executados pelos communards, entre eles, o arcebispo.
 
As mortes imputadas pelas tropas francesas a seus próprios compatriotas prenunciaram os demônios do século seguinte. Porque eles queriam ser livres. Este talvez tenha sido o principal significado da Semana Sangrenta, de 21 a 28 de maio de 1871, o maior massacre da Europa no século XIX.

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O AUTOR

John Merriman é professor de História na Universidade de Yale e autor de diversos livros sobre a sociedade e a vida política na Europa moderna, incluindo The Dynamite Club e o clássico A History of Modern Europe Since The Renaissance. Vive entre Connecticut, EUA, e Balazuc, França.

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MÍDIA

Utopia francesa
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Paris sob ataque
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