Capa do livro O regresso

O regresso

A última viagem de Rimbaud

Autor: lúcia bettencourt

Preço: R$ 29,50

192 pp. | 14 x21 cm

ISBN: 978-85-325-3012-7

Assuntos: FICÇÃO – ROMANCE/NOVELA, FICÇÃO NACIONAL

Selo: Rocco

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Disponível em e-book

Preço: R$ 19,00

E-ISBN: 978-85-8122-614-9

O regresso, de Lúcia Bettencourt, é o encontro da ficção com a poesia. O romance trata do retorno do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891) à França, em seus últimos meses de vida, depois do longo e misterioso período em que passou na África, trabalhando como comerciante de café, traficante de armas e mercador de escravos, entre outras ocupações.

A narrativa revela a trajetória repleta de angústia e rebeldia de um artista atípico, um gênio precoce que escreveu toda a sua obra na adolescência (o “Barco ébrio” e outros poemas fundamentais) e antes dos 20 anos já havia abandonado a escrita. Mesmo assim, influenciou a literatura moderna e também a contemporânea, influência que perdura até os dias de hoje.
 
A escolha de personagem tão fascinante e contraditório confirma a sensibilidade e ousadia do projeto romanesco da autora, que mistura a primeira e a segunda pessoa num texto de prosa nervosa e, em seus pontos mais altos, poética. É um Rimbaud virado ao avesso, em sua busca particular pela liberdade e pela verdade, aquele que surge das páginas do livro.

O romance inicia com a frase “Não há partida”. Cabe lembrar que Rimbaud foi um andarilho famoso, tendo percorrido boa parte da Europa a pé – Inglaterra, Áustria, Alemanha, Itália, Suécia: “Desde cedo fui especialista em partir. Ensaios a que me levaram minhas longas pernas camponesas, habituadas aos terrenos mais ásperos, e minha eterna inquietude. Começava a andar e era como se o mundo, do qual apenas conhecia a versão por escrito, me chamasse. E, mesmo quando imóvel, viajava.”

Lúcia Bettencourt também abre espaço para abordar o relacionamento de Arthur Rimbaud com Paul Verlaine (1844-1896). O encontro dos dois poetas na Paris dos cafés e do clima cultural que atraía exilados de todas as nacionalidades foi além da simples troca de versos e impressões. Rimbaud e Verlaine formaram um dos casais mais famosos da literatura, retratado com delicadeza no livro: “Dizem que o encontro com Paul foi sua perdição. Dizem que o encontro com Paul foi sua salvação. Ao chegar em casa, o poeta feio encontrou um jovem de longos cabelos dourados e sujos, olhos muito azuis, mal vestido, e muito magro. Sua voz oscilava entre graves e agudos, e ele corava sempre que os sons se aflautavam demais.”

Na epígrafe do livro, uma citação – “Silêncio, exílio e engenho” – que traduz a concepção do romance, sua engenharia em dois blocos, uma dupla exposição que é perfeita para retratar um personagem tão ambíguo. Tudo nos é lembrado e contado por um homem no limiar da loucura, sofrendo as dores de um câncer ósseo na perna. Em outro plano, um leitor apaixonado folheia os versos do poeta, como quem os reescrevesse, e refaz a sua biografia. Conjugando de maneira notável História e ficção, Lúcia Bettencourt convida o leitor a um privilégio que só a literatura é capaz de proporcionar: viajar no tempo e penetrar a intimidade de um artista genial.

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O AUTOR

Lúcia Bettencourt é escritora e ensaísta. Recebeu o Prêmio SESC por seu livro de contos A secretária de Borges (Record, 2005), o prêmio de ensaio da Academia Brasileira de Letras pelo volume O Banquete: uma degustação de textos e imagens (Vermelho Marinho, 2012), além dos prêmios Josué Guimarães e Osman Lins pelas histórias depois incluídas em Linha de Sombra (Record, 2008). É autora ainda do romance O amor acontece (Record, 2012) e dos infantis: O sapo e a sopaA cobra e a corda, Botas e bolas e A oca e a toca (Escrita Fina). O regresso é sua estreia na Rocco.

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