Capa do livro Essa música

Essa música

Autor: ivan junqueira

Preço: R$ 19,50

96 pp. | 14 x21 cm

ISBN: 978-85-325-2924-4

Assuntos: FICÇÃO – POESIA

Selo: Rocco

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Disponível em e-book

Preço: R$ 12,50

E-ISBN: 978-85-8122-474-9

Uma poesia medida, arquitetada, metro a metro, palavra por palavra, efeito por efeito. E desmedida em refletir, em tocar e provocar o leitor. Versos ritmados e envolventes regidos por um maestro da língua que, a partir dessa partitura lírica, brinda-nos com Essa música — livro póstumo e inédito do carioca Ivan Junqueira, consagrado jornalista, poeta, tradutor, ensaísta e crítico literário, que ocupou, de 2000 a 2014, a cadeira nº 37 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo João Cabral de Melo Neto.

Entregue pelo autor à editora poucos meses antes de falecer, o volume de poemas (escritos nos últimos anos, entre 2009 e 2013) trata justamente sobre um tema recorrente em sua obra, a morte — “É quando o corpo, enfim, se acaba” — e suas implicâncias no pensamento. Sejam a angústia — “Qual o tempo que me resta? — e/ou noção sobre sua inevitabilidade — “viagem da qual ninguém regressa.” Sejam as conjecturas sobre nossa existência — “Por que nos coube essa doença/ de sermos assim tão efêmeros/ entre duas datas extremas:/ a da morte e a do nascimento?” Ou o dualismo entre a finitude do homem e a eternidade (misteriosa) — “Então da vida foste embora?/ Não: em ti começa agora.”

Amante da (falsa) simplicidade de Manuel Bandeira — e “falsa” porque amparada por um conhecimento aprofundado da arte poética —, Junqueira foge ao hermetismo, caminho pelo qual, aliás, tinha implicância, e concilia a espontaneidade da fala com sua experiência como poeta e exímio leitor de poesia em versos fluidos, claros, que dialogam com o leitor sem anteparos — “Estamos indo embora. Passem o trinco nas portas/ e tranquem as janelas pelas quais rompia a aurora./ (...)/ Desliguem a luz (e o gás, senão tudo explode)./ Que fique o resto como esmola. Paguem um óbolo/ ao barqueiro que nos leva rio afora./ Estamos indo embora.”

Em meio a reflexões — “É quase nada o que sabemos/ de nós, do que somos, do frêmito/ que nos empurra, débeis duendes,/ à cena ambígua da existência” —, questionamentos — “Haverá alguma saída/ para o tormento metafísico?” — e reminiscências de infância — “Quando eu fiz cinco anos,/ meu pai deu-me de presente um aeroplano” —, o livro traz metapoemas em que o autor reconhece a poesia como uma força criadora, maior que o poeta, e que dele se vale (como fonte, “domador”, “jóquei” e libertador) para existir — “Não sou eu que escrevo o meu poema:/ ele é que se escreve e que se pensa”. Uma irônica inversão do intelectual que tudo que tentava dizer era verso, como já confessara na epígrafe, bebida em Ovídio: Et quod temptabam dicere, versus erat.

Num tom melancólico, mesmo de despedida — “Dizer adeus é o mais difícil,/ o mais antigo e árduo suplício” —, Junqueira fala de muitas mortes: da infância, da inocência, dos parentes, dos amigos, do amor, da esperança, das expectativas/perspectivas, da ideia de imortalidade que toma a todos, de tudo, enfim, que não será lembrado, posto que o depois é um passo vago. E, assim, nesse percurso de outono, de galhos secos e folhas caídas mudando de tom — “Ando a esmo, absorto e sombrio,/ a alma entre os dentes, a vida/ por um fio” —, ele visita sua trajetória e os autores que o forjaram e enriqueceram como poeta: Castro Alves, Fagundes Varela, Blasco Ibáñez, Federico García Lorca, Stéphane Malarmé, Paul Valéry, T. S. Eliot, Charles Baudelaire — em especial, estes dois últimos, em cujas obras debruçou-se em esmerados e reconhecidos trabalhos de tradução.

Escrito com “sangue”, e, portanto, segundo Friedrich Nietzsche, com “espírito”, Essa música traz a alma, em ampla acepção, de um poeta estudioso, dedicado e conhecedor, como poucos, do ofício do verso. Frente ao embate com a morte e as indagações existenciais, esta obra-prima de Ivan Junqueira lega-nos uma constatação: o homem, carne, se vai; mas o poema, arte, fica — “Depois é só vê-lo a galope,/ já sem ter ninguém a bordo./ Ele a sós, indo-se embora/ para o infinito onde mora.” E é no poema que o poeta vive. Viverá. Sempre. Indefinidamente.

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O AUTOR

Ivan Junqueira nasceu no Rio de Janeiro, em 1934, e faleceu em 2014. Trabalhou em diversos jornais de Rio, como Jornal do Brasil e O Globo, e tem dezenas de livros de ensaios publicados. Sua poesia já foi traduzida para o espanhol, alemão, francês, inglês, italiano, dinamarquês, russo e chinês. Ocupou a cadeira número 37 da Academia Brasileira de Letras, em sucessão a João Cabral de Melo Neto.

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Jornal O Estado de Minas