Capa do livro Clarice Lispector - Outros Escritos

Clarice Lispector - Outros Escritos

Autor: clarice lispector

Organizador: Lícia Manzo & Teresa Montero

Preço: R$ 33,00

176 pp. | 14x21 cm

ISBN: 85-325-1896-6

Assuntos: ENSAIO, CORRESPONDÊNCIA, CRÔNICA

Selo: Rocco

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Disponível em e-book

Preço: R$ 21,50

E-ISBN: 978-85-8122-584-5

Outros escritos traz ao público diversos escritos inéditos de Clarice Lispector. Mas, desta vez, eles não se encontram assinados pela escritora consagrada, mas pela escritora iniciante, pela jornalista, pela estudante de direito, pela colunista feminina, pela dramaturga, pela mãe, pela conferencista e ensaísta Clarice Lispector.

Clarice Lispector sempre reconheceu o fragmento, a anotação dispersa, o ‘fundo de gaveta’ como parte essencial e indissociável de sua produção literária. Era a partir de seus apontamentos, num primeiro momento desconexos, que ela costumava extrair posteriormente uma unidade, transformando-os numa obra pronta e acabada. Organizado por Lícia Manzo e Teresa Montero, Outros escritos obedece esse mesmo critério ao agrupar cada uma dessas ‘clarices’ dispersas e fragmentadas, e observar uma unidade conectando-as umas às outras. Cada escrito de Clarice parece marcado pelo mesmo olhar sensível, singular e feroz da mulher e criadora que, tantas vezes sozinha, caminhou à frente de seu tempo.

Em Clarice escritora, o leitor encontra quatro contos produzidos pela autora entre 1940 e 1941: Eu e JimmyTrechoCartas a Hemengardo e O triunfo, sendo este o primeiro texto de Clarice a ter sido publicado, num pequeno periódico da época. A habilidade da autora como profissional de imprensa é visível em Clarice jornalista. Neste capítulo, são apresentadas duas reportagens assinadas por ela em 1941, ambas sobre crianças carentes. E, em Clarice estudante, são trazidos à luz dois artigos publicados numa revista editada por universitários, em 1941, quando Clarice ainda era estudante de direito: Observações sobre o direito de punir e Deve a mulher trabalhar?.

Em Clarice dramaturga, o leitor encontra a íntegra de A pecadora queimada e os Anjos harmoniosos, único texto teatral escrito pela autora, em 1948. E, em Clarice mãeé possível conhecer o caderno de anotações que a autora manteve com os filhos. Intitulado Conversas com P., o caderno registrava os mais interessantes diálogos travados com seus dois filhos pequenos, Pedro e Paulo, na década de 1950. Pela primeira vez, o público tem acesso ao conteúdo integral dessas anotações.

Em Clarice colunista feminina, a autora se baseia num ensaio de Virginia Woolf para falar dos obstáculos que as mulheres enfrentavam na época – 1952 – para se desenvolverem intelectualmente. Com o título A irmã de Shakespeare, o texto foi publicado originalmente na coluna feminina que Clarice assinava com o pseudônimo Teresa Quadros, no tablóide O comício, precursor da imprensa alternativa no Brasil.

No capítulo Clarice ensaísta, é possível ler a íntegra de Literatura de vanguarda no Brasil, trabalho que Clarice apresentou pela primeira vez em 1963, no XI Congresso Bienal do Instituto Internacional de Literatura Ibero-Americana, na Universidade do Texas. A palestra fez muito sucesso no meio acadêmico americano, a ponto de a autora adotar seu texto original como uma espécie de pronunciamento oficial, exposto por ela em vários outros eventos similares. Era uma carta que Clarice fazia questão de ter sempre na manga, tanto que jamais permitiu sua publicação, para manter a aura de ineditismo do trabalho quando fosse lê-lo nas conferências para as quais era convidada. No texto, ela ilustra suas idéias com poemas de Mário de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade.

Responsável pela versão em português de livros de Oscar Wilde, Edgar Allan Poe, Júlio Verne, Federico Garcia Lorca, Lilian Hellman, Henrik Ibsen, Agatha Christie e Anne Rice, a Clarice tradutora vem à tona no texto, escrito em 1968, Traduzir procurando não trair, onde analisa a difícil tarefa de dar forma a uma obra estrangeira. E, em Clarice conferencista, o leitor tem a rara oportunidade de ler o conto O ovo e a galinha e o texto Literatura e magia, escrito especialmente para a impensável participação de Clarice no Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria, em Bogotá, em 1975.

Outros escritos apresenta ainda um depoimento igualmente inédito, o mais longo e completo que Clarice jamais concedeu, no qual ela percorre cada um desses momentos de seu percurso literário. Em Clarice entrevistada, último capítulo do livro, é possível ler a transcrição da entrevista que a autora concedeu para os amigos Affonso Romano de Sant’Anna e Marina Colasanti, além de João Salgueiro, diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS) à época. No depoimento, Clarice trata de cada uma de suas diferentes facetas apresentadas nos capítulos anteriores de Outros escritos, de seus primeiros textos à conferência onde analisava sua própria produção literária; das reportagens e artigos femininos, produzidos como forma de sustento, às anotações de mãe e pinturas domésticas, ambas realizadas para o seu prazer pessoal.

Sobre as organizadoras:

Lícia Manzo é mestre em literatura brasileira pela PUC/Rio. É autora de Era uma vez: eu - a não ficção na obra de Clarice Lispector (Editora UFJF/ indicado para o Prêmio Jabuti/2003). Foi curadora do evento A Paixão segundo Clarice Lispector, no Centro Cultural Banco do Brasil, em 1992. É roteirista de teatro, cinema e televisão.

Teresa Montero é doutora em Letras pela PUC-RIO, autora de Eu sou uma pergunta – uma biografia de Clarice Lispector (1999) e organizadora de Correspondências – Clarice Lispector (2002).

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O AUTOR

Reconhecida pela crítica literária brasileira e estrangeira como uma das maiores escritoras do século XX, Clarice Lispector mudou os rumos da narrativa moderna com uma escrita singular, passando por diversos gêneros, do conto ao romance, da crônica à dramaturgia, da entrevista à correspondência e, também, pelas páginas femininas.

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