Capa do livro Clarice Lispector - Pinturas

Clarice Lispector - Pinturas

Autor: carlos mendes de souza

Preço: R$ 39,50

272 pp. | 14 x21 cm

ISBN: 978-85-325-2834-6

Assuntos: ENSAIO, TEORIA E CRÍTICA LITERÁRIA, HISTÓRIA DA ARTE/TEORIA DA ARTE

Selo: Rocco

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Mais uma faceta pouco conhecida da escritora Clarice Lispector vem a público no lançamento Clarice Lispector – pinturas, do português Carlos Mendes de Sousa, professor de literatura brasileira na Universidade do Minho e um dos maiores especialistas do mundo na obra da escritora. Trata-se da profunda relação da autora com as artes plásticas, e os reflexos dessa relação em seu pensamento em sua vasta obra.

Grande admiradora das artes, Clarice tinha especial interesse pela pintura, conviveu com diversos artistas e produziu suas próprias pinceladas, cerca de 20 delas reproduzidas no livro. “A atmosfera pictórica contamina a escrita de Clarice Lispector em aspetos mais ou menos visíveis”, afirma Sousa, que ao longo de sua análise utiliza trechos de romances, contos, crônicas e até mesmo cartas da escritora, que comprovam o quanto o universo da pintura esteve presente em sua vida e obra.

Seja através de personagens diretamente ligadas este universo, como a pintora protagonista de Água viva – segundo Sousa “o marco que torna decisiva a presença da pintura na obra de Clarice” –, seja de forma mais sutil, a autora de A hora da estrela e A paixão segundo G.H. era tão atravessada pelos questionamentos acerca da arte de escrever quanto de pintar.

No livro, Carlos Mendes de Sousa começa por falar sobre a ambientação do apartamento de Clarice no Leme, onde ela se estabelece depois de retornar ao Brasil em 1959. Sua sala, como pode ser conferida em registros fotográficos dos anos 1960 e 1970, se assemelhava a uma galeria de artes, com quadros tomando cada centímetro das paredes.

O contato com as artes, no entanto, veio antes, quando ainda era casada com o diplomata Maury Gurgel Valente e vivia na Europa. Nos anos 1940, na Itália, Clarice escreveu às irmãs: “Estou posando para uma pintora brasileira, há muitíssimos anos na Itália, Zina Aita.” A pintora, de nome pouco conhecido, participara da Semana de Arte Moderna de 1922.

O acadêmico também mostra como a atmosfera pictórica contamina a escrita de Clarice, em aspectos mais ou menos visíveis, como os jogos de luz e sombra, os recortes formais, as descrições, a presença da cor etc. É o visualismo de sua obra que se revelaria, por exemplo, através de um uso próximo das técnicas impressionistas (utilização de comparações e repetições) e de técnicas expressionistas, na tentativa de captar o mundo das sensações.

Outra característica marcante é o confronto de olhares: em toda a obra de Clarice a visão é de uma centralidade espantosa. As personagens olham a si mesmas permanentemente, e também se observam e se radiografam umas às outras. Isso é facilmente constatado em obras como A paixão segundo G.H., no momento em que a protagonista é olhada pela barata.

Clarice também utiliza efeitos gráficos para causar impacto visual em sua obra. Os tracejados no início e no final de A paixão segundo G.H. ou os recursos de pontuação utilizados em Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres (a vírgula a começar e os dois pontos a fechar), ou, ainda, o conhecido efeito da justaposição de títulos na página inicial de A hora da estrela são alguns dos exemplos dados por Sousa.

O autor faz todo este percurso para mostrar como o contato de Clarice com as artes a conduz à elaboração dos seus quadros, cujo conjunto mais significativo foi produzido no ano de 1975. Para Sousa, a presença do título no próprio quadro, por vezes com marcas de acréscimos ou de rasuras, mostra um cruzamento de caminhos ou uma natural contaminação do quadro com lugares da literatura, numa espécie de diário visual da autora.

Analisando algumas de suas pinturas, Sousa idenfica toda explosão criativa de Clarice como artista completa – nas artes e na literatura.

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O AUTOR

Carlos Mendes de Sousa é professor de literatura na Universidade do Minho, em Portugal, e tem se dedicado ao estudo da literatura brasileira e da poesia portuguesa moderna e contemporânea.

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MÍDIA

Retratos da escrita
Matéria Estado de S. Paulo

Antes de Clarice
Artigo José Castello, O Globo