Capa do livro Entrevistas

Entrevistas

Autor: clarice lispector

Organizador: Claire Williams

Preço: R$ 29,00

232 pp. | 12X21 cm

ISBN: 978-85-325-2088-3

Assuntos: ENTREVISTA

Selo: Rocco

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Disponível em e-book

Preço: R$ 19,00

E-ISBN: 978-85-8122-577-7

Entre maio de 1968 e outubro de 1969, já consagrada na literatura brasileira, Clarice Lispector manteve uma seção na revista Manchete, onde publicava entrevistas com figuras importantes da cultura do País. Sob um título condizente com o de boa parte de sua obra – "Diálogos Possíveis com Clarice Lispector", a seção trazia um pouco do mundo dos amigos da escritora, que discorriam sobre diversos temas, pontuados com observações da especialíssima repórter, que voltou às entrevistas em fins de 1976, na revista Fatos e Fotos: Gente, onde permaneceu até outubro do ano seguinte, dois meses antes de morrer. Algumas das conversas de Clarice estão em Entrevistas – Clarice Lispector, que, mais do que contar a vida e opiniões de personalidades como Nelson Rodrigues, Ferreira Gullar, Emerson Fittipaldi, Oscar Niemeyer e Vinícius de Moraes, revelam muito da escritora e do comportamento naquelas épocas.

Da mesma maneira que apresentadores de talk shows recebem seus convidados atualmente, Clarice mostra intimidade com os entrevistados. Uma intimidade que permite comentar com o então jovem e solteiro Chico Buarque que seu ar de "bom rapaz" faz dele o genro ideal para "todas as mães com filhas em idade de casar" ou que a autoriza a telefonar para "uma das esposas" de Vinícius de Moraes e perguntar como ela se sente casada com o poeta.

A escritora não pretende ser isenta durante as entrevistas. Ela diverge da opinião de Jece Valadão a respeito do assassinato de Ângela Diniz, confessa a Zagallo que tem fé em santos católicos, discute criação artística com Tom Jobim, admite sua insegurança ao encontrar-se com o Nobel de Literatura Pablo Neruda, hospedado na casa de Rubem Braga, em Ipanema. Sem qualquer constrangimento, discorre sobre a beleza dos atores Paulo Autran e Tarcísio Meira, a quem faz perguntas típicas para revistas de celebridades: como é beijar a própria mulher, Glória Menezes, em cena, se é ciumento, como é a vida do casal.

Em algumas entrevistas, a cumplicidade com o público é explícita, como quando diz que a beleza de Jardel Filho lhe dá vontade de "fazer um diálogo do gênero ginasial – vocês sabem, aqueles cadernos grossos com perguntas sobre o que acha do amor, qual é o ideal de sua vida, qual é o seu tipo preferido. Eu mesma nunca fiz desses cadernos, mas sempre respondia sucintamente nos cadernos floridos das colegas". A maestria na arte de escrever assoma quando descreve, dramaticamente, o primeiro encontro que tem com a pintora Djanira.

As entrevistas de Clarice Lispector apresentam um país muito distante do Brasil atual, em que o cenário cultural é povoado por artistas que não se acanham em informar que trabalham para sobreviver e não demonstram erudição. Com simplicidade, o poeta Ferreira Gullar explica que seu trabalho "sempre foi" de redator do jornal O Estado de S. Paulo. O glamour das grandes divas é reservado ao palco. Bibi Ferreira é que vai à casa de Clarice para ser entrevistada, enquanto Elis Regina dá uma carona de carro à escritora. Sem qualquer pudor profissional, conta que pede uma entrevista a Emerson Fittipaldi na fila do aeroporto, mas, dentro do avião, embarca em conversa com a designer Bea Feitler, que não encontrava há anos. Um comissário de bordo é que vai lembrá-la que o automobilista a aguardava, poltronas à frente. Relatando pequenos detalhes de cada entrevistado, surge uma Clarice Lispector bem-humorada, curiosa e determinada a informar e entreter, sem deixar de induzir à reflexão sobre o momento político brasileiro.

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O AUTOR

Reconhecida pela crítica literária brasileira e estrangeira como uma das maiores escritoras do século XX, Clarice Lispector mudou os rumos da narrativa moderna com uma escrita singular, passando por diversos gêneros, do conto ao romance, da crônica à dramaturgia, da entrevista à correspondência e, também, pelas páginas femininas.

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