Capa do livro Só para Mulheres

Só para Mulheres

Conselhos, Receitas e Segredos

Autor: clarice lispector

Organizador: Aparecida Nunes

Preço: R$ 44,00

160 pp. | 20x28 cm

ISBN: 978-85-325-2345-7

Assuntos: CRÔNICA

Selo: Rocco

COMPRE O LIVRO

Disponível em e-book

Preço: R$ 29,50

E-ISBN: 978-85-81222-76-9

Dando prosseguimento ao resgate da obra jornalística de Clarice Lispector, a editora Rocco lança Só para mulheres – Conselhos, receitas e segredos, organizado por Aparecida Maria Nunes, doutora em literatura brasileira pela USP. A nova coletânea recupera as colunas femininas assinadas pela escritora sob os pseudônimos de Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilka Soares para os jornais Correio da Manhã, Diário da Noite e Comício, complementando a seleção reunida no livro Correio feminino, lançado pela Rocco em 2006. Os textos possuem a elegância característica de Clarice e convidam o leitor para uma viagem no tempo em que se desenha, na forma de um variado almanaque, o rosto da mulher brasileira dos anos 50 e 60.

De fato, a mulher para quem Clarice escreve nas páginas femininas dos jornais está em busca de seu próprio rosto. Um rosto que reflita beleza e doçura, qualidades sempre procuradas no ser feminino, mas que contenha também suas indagações sobre a educação dos filhos, a harmonia familiar, os cuidados domésticos, o comportamento social e a convivência amorosa, em meio às novidades de uma época marcada por mudanças. As colunas registram, assim, as preocupações da brasileira urbana de classe média, que começava a ensaiar também os primeiros passos na vida profissional, procurando facilitar a sua vida e ensinar pequenos truques que podem ajudá-la na árdua tarefa de encontrar-se a si mesma. Tudo isso num tom de conversa entre amigas, como prescreve o jornalismo feminino.

Assim, receitas de máscaras de beleza caseiras, dicas de elegância no vestir, o aproveitamento de sobras de comida para a criação de novos pratos, soluções para pequenos problemas domésticos e receitas de drinques são apresentados por Clarice de forma calorosa, como segredos que só as mulheres conhecem. No mesmo tom de cumplicidade vêm os alertas para que as leitoras não se descuidem do peso, não se excedam na bebida, no cigarro e nem se deixem levar pela moda, muitas vezes inadequada à idade ou ao tipo físico de quem a usa. Para a “conselheira” Clarice, a forma mais eficiente de ser uma mulher atraente e bela é tirar partido de suas características particulares e realçá-las, em vez de simplesmente deixar-se levar pelos apelos da moda e correr o risco de se tornar uma cópia borrada das beldades da época: tentar usar o cabelo com o jeito “artisticamente desarrumado” de Brigitte Bardot, por exemplo, pode ser desastroso, alerta a colunista.

Desta forma, tratando com habilidade e leveza os assuntos prosaicos do cotidiano feminino, Clarice Lispector está sempre conduzindo a leitora em sua busca pela própria face, e deixando entrever, em meio a conselhos aparentemente banais, a essência de uma mulher que buscou a si mesma incessantemente. Se as angústias e sofrimentos morais, tão presentes na literatura de Clarice, ficam de fora das colunas, que tratam mais objetivamente de questões do dia-a-dia, a escritora põe, aqui e ali, em seus pequenos conselhos, considerações que vão além do óbvio e mexem com o íntimo de cada leitora. Comentando as novidades da indústria cosmética na área de maquilagem para os olhos, por exemplo, Clarice pondera: “Para os olhos serem belos, não basta, porém, que sejam grandes, de um colorido especial ou maquilados com requinte. É preciso que neles haja algo mais. Pois, sendo os ‘espelhos da alma’, devem refletir doçura, compreensão, inteligência. Em resumo, mais importante do que os olhos é – o olhar.” É com seu olhar docemente indagador que Clarice Lispector se coloca na pele de Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilka Soares e penetra no universo do jornalismo feminino com sutileza e elegância.

Comente  
Instagram

O AUTOR

Reconhecida pela crítica literária brasileira e estrangeira como uma das maiores escritoras do século XX, Clarice Lispector mudou os rumos da narrativa moderna com uma escrita singular, passando por diversos gêneros, do conto ao romance, da crônica à dramaturgia, da entrevista à correspondência e, também, pelas páginas femininas.

Página do autor +