Capa do livro Clarice na Cabeceira - Jornalismo

Clarice na Cabeceira - Jornalismo

Clarice na Cabeceira

Autor: clarice lispector

Organizador: Aparecida Nunes

Preço: R$ 30,00

240 pp. | 14x21 cm

ISBN: 978-85-325-2802-5

Assuntos: REPORTAGEM/RELATOS, ENTREVISTA

Selo: Rocco

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Disponível em e-book

Preço: R$ 19,50

E-ISBN: 978-85-8122-551-7

Uma das autoras brasileiras mais estudadas internacionalmente – suas obras começam a ganhar novas e prestigiadas traduções não só na América Latina como também nos Estados Unidos e Europa – Clarice Lispector, enquanto trabalhava sua ficção, manteve intensa atuação na imprensa. Vale dizer, apenas para mensurar seu ofício de jornalista, que Clarice escreveu cerca de 450 colunas destinadas ao universo da mulher, o que equivale aproximadamente a cinco mil textos, distribuídos em fragmentos de ficção, crônicas, noticiário de moda, conselhos de beleza, receitas de feminilidade, dicas de culinária, educação de filhos e comportamento. Como entrevistadora, foram cerca de 100 textos. E, somente para o Jornal do Brasil, na fase áurea do matutino carioca, publicou mais de 300 crônicas.

Organizado pela pesquisadora Aparecida Maria Nunes, Clarice na cabeceira – jornalismo é uma amostra dessa atividade, a melhor que pode haver. Nele, o leitor terá o privilégio de entrar em contato com textos inéditos, como a primeira entrevista que Clarice Lispector realizou, em 1940, com o poeta católico Tasso da Silveira, e a última, em 1977, com a artista plástica Flora Morgan Snell. Em ambas, está presente a maneira original de Clarice entrevistar: tem-se conhecimento de particularidades dos entrevistados e da própria Clarice, que, fugindo às regras do gênero, não se furta de participar, na maioria das vezes, da conversa. E, quando o faz, é sempre de forma deliciosa e provocadora.

A estrutura do livro, segmentada em quatro momentos, contemplou os primeiros textos na imprensa (nos jornaisA Noite, Diário do Povo, Correio da Manhã e Diário da Noite e nas revistas Pan, Vamos Ler!, Dom Casmurro e Comício); as chamadas páginas femininas; as crônicas; e as entrevistas. A disposição facilita a percepção da trajetória da escritora no jornalismo. “Um jornalismo peculiar, em muitos momentos. Mas que, sem dúvida, pertence à história do jornalismo no Brasil”, nota Aparecida Maria Nunes, que organizou também os volumes Correio feminino e Só para mulheres, ambos publicados pela Rocco.

A coletânea apresenta uma raridade: o conto “Triunfo”, publicado na revista Pan em 1940, é o primeiro texto de Clarice – então com 20 anos e estudante de Direito – a aparecer na mídia, o qual já trazia o tom intimista e o perfil psicológico das personagens claricianas. “Nesse texto estão presentes o fluxo da consciência, a exposição de conflitos íntimos sobre os diferentes modos de amar e as sensações vivenciadas pelas personagens femininas”, explica Aparecida Maria.

No mesmo ano, publica outro conto, “Eu e Jimmy”, na revista Vamos Ler! , dirigida por Raimundo Magalhães Jr. De circulação nacional, o periódico também divulgou o trabalho da Clarice repórter. Em “Uma visita à casa dos expostos”, a jovem autora se vale da ótica de ficcionista para contar a história do educandário Romão de Mattos Duarte, instituição filantrópica que abriga crianças abandonadas. Em Dom Casmurro, talvez o mais importante suplemento literário a circular durante os anos da ditadura Vargas, sob a direção de Álvaro Moreyra, publica “Cartas a Hermengardo”, uma ficção inédita em livro.

O colunismo feminino aparece, pela primeira vez, em 1952, nas páginas do semanário Comício, de Rubem Braga, com o pseudônimo de Tereza Quadros. É retomado em 1959, no Correio da Manhã, com outro pseudônimo, Helen Palmer. A partir de 1960, no Diário da Noite, sendo a heterônima da atriz Ilka Soares, belíssima e ícone de feminilidade da época. Em meio a receitas e segredos da beleza, a vocação literária se faz presente além do estilo inconfundível, com narrativas ficcionais, mais tarde aproveitadas em contos e romances.

A revista Senhor, marco de prestígio enquanto durou sua primeira fase (1959-1964) e considerada hoje uma das mais importantes na história da imprensa brasileira, pela cobertura dos movimentos artísticos de vanguarda e pela colaboração de renomados escritores e intelectuais, ajudou a popularizar a ficção de Clarice Lispector. A pedido dos editores, a escritora ali também publica uma coluna mensal, batizada em inglês, “Children’s corner”, que, apesar do nome, não reúne apenas textos infantis, mas sobretudo impressões e reflexões.

A parte dedicada às entrevistas abrange, principalmente, o período de trabalho na revista Manchete, de maio de 1968 a outubro de 1969, e na revista Fatos&Fotos Gente, de 1976 a 1977. Ao conversar com pessoas de seu relacionamento, como os escritores Rubem Braga, Nelson Rodrigues, José Carlos Oliveira e o músico Tom Jobim, Clarice elege um padrão de perguntas: “Qual é a coisa mais importante do mundo?”, “Qual a coisa mais importante para uma pessoa como indivíduo?”, “O que é amor?”. As respostas são surpreendentes.

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O AUTOR

Reconhecida pela crítica literária brasileira e estrangeira como uma das maiores escritoras do século XX, Clarice Lispector mudou os rumos da narrativa moderna com uma escrita singular, passando por diversos gêneros, do conto ao romance, da crônica à dramaturgia, da entrevista à correspondência e, também, pelas páginas femininas.

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