Em primeira pessoa

Jack, o Estripador está de volta em O Nome da Estrela

Por Frini Georgakopoulos
17 de novembro de 2015


Uma das figuras mais enigmáticas do imaginário de quem curte histórias sinistras é, com certeza, Jack, o Estripador.  O assassino em série aterrorizou Londres em 1888 e matou cinco pessoas no período de três meses (conclusão tirada na época, pois C.S.I ainda não existia. A lenda de Jack, o Estripador é repleta de teorias e conspirações. Nada se sabe ao certo, apenas de que o mistério continua e alimenta ainda mais lendas e teorias e conspirações). Jack entrou para a história pela barbaridade de seus crimes e por nunca ter sido pego. O assassino – que acreditavam ser um médico por razão da precisão de seus cortes – recebeu o nome de Jack, o Estripador de um tabloide inglês. E então a lenda se formou! E é nessa atmosfera sinistra que Maureen Johnson envolve os leitores no primeiro livro de sua série.

o nome da estrela

O nome da estrela (traduzido por Larissa Helena) é protagonizado por Aurora “Rory” Deveaux, uma estudante americana que está seguindo os pais – que dão aula de Direito – em um ano na Inglaterra. Enquanto os pais moram em Bristol, Rory se matriculou no internato Wexford para cursar seu último ano antes de ir para a faculdade. E CLARO que a escola fica bem no meio do território onde Jack, o Estripador matou suas vítimas. Esse fato seria apenas uma parte curiosa da história local se assassinatos que imitam o estilo de Jack não estivessem voltando a acontecer.

Com crimes chegando cada vez mais perto do internato, seguimos o dia a dia estudantil de Rory – com direito a paixonites, aulas puxadas, colegas de quarto muito legais e a curiosidade adolescente de estar mais próximo de eventos estranhos. E é em um desses momentos, no qual a protagonista e seus amigos se aproximam de uma das cenas do crime, que a história se complica. Em O nome da estrela até mesmo algo comum como se engasgar com um pedaço de comida tem muito significado. Então atenção a cada página

Maureen narra a história de Rory em primeira pessoa, o que nos ajuda muito, como leitores não-britânicos, a entender alguns costumes e partes da história de Jack que são factuais, mas não tão conhecidas. Ao explicar os fatos a Rory, Maureen os explica para nós também, sem ter aquela sensação de “senta que vou te contar algo importante”. Essa narrativa é alternada em alguns capítulos que trazem uma mudança em pontos de vista, nos permitindo acompanhar outros personagens que não são exatamente importantes para a trama, mas que trazem informações ou protagonizam momentos que são cruciais para o clima de tensão do livro.

arte 5

Eu me apaixonei pela escrita de Maureen Johnson ao ler seu conto em Deixe a neve cair e foi uma grata surpresa ver seu tom mordaz e bem humorado em um livro mais sombrio. O livro é o primeiro de uma série de quatro (todos já publicados nos EUA), então não espere que todos os mistérios sejam solucionados no primeiro volume. Mas também não entre em pânico pensando “ai meu Deus! Vai ser igual aqueles episódios ‘to be continued’ dos seriados!”. Não! O mistério principal se resolve, mas os paralelos alimentam a série literária. Como disse no início do texto, adoro Jack, o Estripador. Antes de apontar o dedo e pensar, “nossa, como essa mulher é macabrinha!”, reflita comigo: Jack provavelmente foi o primeiro assassino em série da História. E ele matou só cinco pessoas! Tudo bem que cinco pessoas em 1888 era o equivalente a 50 em 2015! Sem contar que ele nunca foi pego, o que só alimenta o mistério sobre sua identidade e motivação.

Assassinos em série sempre instigaram a curiosidade das pessoas, assim como fenômenos paranormais e medicina forense e O nome da estrela tem um pouquinho de cada coisa em uma mistura original e bem dosada. Oh, como assim “paranormal”? Leia o livro para saber, querida! Porque eu não vou contar spoiler!

Dá medo ler? Não. O clima de tensão é bom. Excelente! A temática jovem funciona bem? Super! Vou querer ler os próximos volumes? FA-TO que sim!

Maureen Johnson mandou muito bem em investir seu talento em algo sombrio e a Rocco, com o selo Fantástica, acertou em cheio em trazer essa série para o Brasil.

Frini Georgakopoulos é jornalista, comanda o blog Cheiro de Livro e o clube do livro da Saraiva do shopping Rio Sul, no Rio de Janeiro.

Tags1: , , ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.
Campos obrigatórios são marcados *