Entrevista

CRAVE A MARCA, POR VERONICA ROTH – PARTE II

Confira a entrevista com a autora
20 de fevereiro de 2017


Aclamada como uma das maiores autoras de sua geração após o grande sucesso da série Divergente, Veronica Roth falou sobre sua nova trama, Crave a marca. Confira a segunda parte da entrevista.

Quando você escreve um livro, sabe exatamente o que vai acontecer ou improvisa?

Veronica: Realmente depende do que estou escrevendo! Atualmente eu sempre esboço minhas histórias, então começo com um plano, mas à medida que avanço, se algo não está funcionando, eu mudo. E às vezes meu planejamento fica incompleto, e eu deixo espaço para improvisação. Como agora, eu realmente não sei ao certo como Crave a marca 2 vai terminar. Tenho ideias, mas ainda não decidi.

Qual é seu livro favorito?

Veronica: Não tenho um livro favorito! Seria como pedir para alguém escolher ummembro favorito da família. Mas o melhor livro que li recentemente foi Three Dark Crowns, de Kendare Blake.

Crave-a-Marca

O conceito de Shotet é único e impressionante. Onde a autora se inspirou para criar o estilo de vida das personagens e as personagens em si?

Veronica: Obrigada! No início, eu quis que os shotet parecessem quase monstros, mas assim que você mergulha em sua história e cultura, vê que não é tão simples assim. As pessoas são muito complexas. Então, tentei mostrar as coisas que, no início, parecem negativas e depois revelam um pouco mais de nuances; assim como Akos, você vai descobrindo enquanto convive com aquele povo. Por exemplo, vemos as coletas sob um prisma negativo. Mas a coleta shotet como uma maneira de reciclar, porque estão empenhados a encontrar novos usos para materiais velhos, o que tem de mau nisso?

Existe alguma coisa dos títulos anteriores que teve impacto sobre a autora?

Veronica: Bem, aprendi muito com os livros da série Divergente. Acho que eles me ensinaram a ser uma escritora melhor. Mas, tirando isso, o mundo de Divergente é claustrofóbico — tem que ser, porque uma distopia restritiva é assim por natureza, isolada e cerceada. E eu queria mesmo era tentar o oposto disso, escrever um universo grande, expansivo, detalhado.

Você viajou o mundo promovendo a série Divergente. Suas experiências no exterior afetaram o universo que criou em Crave a marca?

Veronica: Claro! Uma das coisas mais importantes que tentei incorporar é que nenhuma cultura é um monólito. Há variações dentro de cada uma, diferenças regionais, crenças religiosas variadas e níveis de comprometimento, tudo isso. É fácil construir um mundo na ficção, na qual uma cultura é facilmente resumida e tudo o mais parece internamente coerente. Mas não é assim que as coisas funcionam!

O mundo de Crave a marca é moldado pela violência. Você tirou isso do período conturbado em que vivemos?

Veronica: Não especificamente — queria mostrar respeito às vítimas da violência e, para mim, adaptar um evento terrível e real para meus objetivos não pareceria respeitoso. Mas a violência é uma realidade com que todos vivemos, e é por isso que ela entra nas minhas histórias. Em Crave a marca, tive um cuidado especial para mostrar o que vem depois da violência, como ela prejudica tantos as pessoas que cometem atos violentos como aquelas que estão sujeitas a esses atos.

Arte_13Em Crave a marca, a lealdade forte à família de um lado e a profunda afeição por outra pessoa de outro lado têm um papel de destaque. Se tivesse de fazer essa escolha, qual seria: família ou amor?

Veronica: É uma pergunta impossível! Mas eu vou dizer que, para mim, a vida romântica é minha vida de casada, e eu acredito que, quando você se casa com alguém, esse alguém passa a ser sua família. Então, não há o que escolher.

O que levou você na direção do gênero ficção científica?

Veronica: Eu sempre amei ficção científica, desde criança! Nunca vibrei muito com a ficção realista. Queria ler sobre aventuras em outros mundos, sobre batalhas que eram muitos diferentes das minhas. Acho que foi por isso que escrevi nesse gênero, porque é o que sempre amei. Mas agora vejo, na ficção científica e na fantasia, como é possível escrever sobre emoções e lutas reais com uma distância segura. É possível ajudar as pessoas a enfrentarem coisas difíceis em um ambiente que parece seguro. Há realmente algo de valioso aí.

Quando você começou a pensar em Crave a marca?

Veronica: Já faz tempo que venho pensando em algumas versões desta história, desde a adolescência, provavelmente. Sempre me interessei especificamente pela história de Akos — ser tirado de casa e lutar para se integrar a uma nova cultura com novos costumes, enquanto tenta voltar para sua família. A história tomou uma forma completamente nova, em muitos sentidos, mas a história principal ainda está lá.

Por que escolheu escrever Crave a marca em dois livros?

Veronica: Eu esbocei a série de duas maneiras, como trilogia e como duologia, e a versão com dois livros simplesmente funcionou melhor. Havia dois arcos de história completos sob um arco de história maior, que é exatamente o que se deseja em uma duologia.

O que você gostaria que os leitores sentissem quando lessem seu novo romance, Crave a marca?

Veronica: Em geral, sempre quero que os leitores se sintam tocados pela história e pelas personagens. Mas especialmente com Crave a marca espero que encontrem um mundo onde queiram passar mais tempo. Os livros que mais amei na minha vida foram assim — eram mais destinos que passatempos. Eu adoraria se tivesse criado esse tipo de mundo aqui.

Quais são suas fontes de inspiração para Crave a marca?

Veronica: Sinto que a inspiração para esta série veio de todos os lugares! Mas viajar é uma grande inspiração. Eu estava em turnê internacional com Divergente enquanto trabalhava em Crave a marca — há algumas cenas que escrevi em Amsterdã, outras escrevi na Polônia ou Alemanha —, e, embora eu não tenha me adaptado a uma cultura ou língua em particular, apenas aquela sensação de estar imersa em um lugar que não era familiar, mas rico em história, foi uma inspiração imensa. Também me inspirei nas minhas experiências quando vivi em Cluj, Romênia, alguns anos atrás. Acho que o motivo de grande parte da cultura Shotet se basear no conserto de objetos é que eu amava passear nas lojinhas de ferragens em Cluj. Eram um pouco escondidas e fora de mão, como muitas das coisas maravilhosa em Cluj — como muitas coisas maravilhosas em qualquer lugar, na verdade.

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