Minha Mãe Fazia

Ana Holanda escreve sobre sua relação com o cozinhar e a criação de seu livro
26 de abril de 2017


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Quando eu era pequena, adorava ficar na cozinha observando minha mãe cozinhar. Era o meu jeito de me sentir próxima a ela. Então, a comida e os aromas que dela brotavam foram uma referência importante na minha vida. Sempre digo que o sabor da pitanga (a fruta em si, o suco, o sorvete) sempre vai me emocionar, porque ele me lembra as férias que passava na infância com a minha avó Esther, em Recife – sou de São Paulo, mas de família pernambucana.

Então, quando meus filhos Clara e Lucas nasceram (eles são gêmeos), em 2009, a vontade de ir para a cozinha foi se agigantando dentro de mim. Eu queria que eles crescessem sabendo o que é o cheiro de carne refogada sendo preparada, de bolo recém-assado, de feijão sendo cozido; queria ter conversas à mesa durante a refeição. Isso porque todas essas memórias fazem parte de quem eu sou. São importantes para mim, me ajudaram a me tornar uma pessoa mais generosa, mais próxima, mais sensível.

A comida conjuga, aproxima e traduz em sabores sentimentos nem sempre revelados pelas palavras, como amor, afeto, gratidão ou mesmo tristeza e solidão. Conforme meus filhos foram crescendo, eu passei a cozinhar mais e mais. Refeições simples e caseiras, mas repletas de aconchego, de amor e de lembranças. Só que, há quatro anos, algo maior do que o cozinhar ou o comer vieram à tona.

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Capa do livro Minha mãe fazia, de Ana Holanda

Eu queria dividir as reflexões que surgiam enquanto eu batia um bolo, cozinhava uma carne ou arrumava a mesa. Foi assim que surgiu o Minha Mãe Fazia no Facebook, um espaço para escrever (sou jornalista há mais de 20 anos e edito há seis a revista Vida Simples) e dividir meus pensamentos sobre o cozinhar, minhas memórias afetivas de infância, meu dia a dia. Era algo simples, delicado, mas cheio de riqueza emocional – mas essas conclusões só vieram depois.

Para minha surpresa, a página no Facebook foi ganhando mais e mais seguidores (são quase 20 mil atualmente), gente que encontra na cozinha o mesmo lugar de aconchego que eu. Não divido ou dividimos apenas uma receita ou um modo de preparo… falamos sobre a vida, sobre nossas lembranças, angústias, tristezas, alegrias cotidianas e nossos afetos. É um espaço em que a vida pulsa. E que agora ganhou uma versão em livro, com textos e receitas simples, mas de uma profundidade repleta de delicadezas. Espero que todos apreciem sem moderação.

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