Discos são máquinas do tempo

por Manoel Magalhães*
10 de janeiro de 2017


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Karl Bender faz e imagina viagens temporais fantásticas em 30 e poucos anos e uma máquina do tempo. Sugere a um amigo o R.E.M começando na St Mary’s Episcopal Church, na Geórgia, leva Lena para uma experiência sacra com Elliott Smith em 1997 e em sua lista pessoal enfileira Galaxie 500, Stereolab, Elvis Costello e The Cure.

A playlist a seguir é um passeio pelo coração de Karl e pelo imaginário de Mo Daviau e de uma geração que cresceu na transição do pós-punk para a explosão indie do início dos anos 90, onde bandas (como a imaginária Axis) cantavam sobre as tensões entre aceitação pessoal e inconformismo social. Uma revolução que gestou grupos tão díspares e fundamentais quanto Nirvana e Lemonheads, Sonic Youth e Weezer.

A lista está cheia de citações subliminares, como Kath, do Sebadoh, com seu verso “every anxious wave rode through to find me lying safe with you” que influenciou o título original do livro, Art Garfunkel em carreira solo, um dos favoritos de Lena e dica preciosa da autora, e ainda o Yo La Tengo – “uma banda que resistiu” – nas palavras de Karl em uma viagem no tempo para a sala de espera do hospital onde Lena se despedia da mãe.

Inseri pequenas colaborações afetivas que imagino que o protagonista aprovaria, como o sonho de ver Michael Stipe cantando em alguma cidade fantasma do meio-oeste americano na turnê do New Adventures in Hi-Fi ou a ideia de marcar dezembro de 1976 no buraco de minhoca, para cair em Nova York e encostar no piano de Tom Waits durante os 60 minutos de Nighthawks On The Radio. Amar música é viajar no tempo com frequência.

 

*Manoel Magalhães é músico e jornalista.

TAGS: 30 e poucos anos e uma máquina do tempo, Lançamento, Livro, Mo Daviau, música, playlist,

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